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5 segredos que ninguém conta para ser feliz morando em outro país

amandanoventa

05 Outubro 2015 | 09h14

Eu demorei a admitir que mesmo sendo a experiência mais interessante da minha vida, nem tudo aconteceu como planejado quando morei quatro anos fora do país. São muitos planos e sonhos feitos, mas que dependem de fatores que às vezes fogem do próprio controle.

Frequentemente as pessoas me perguntam sobre essa experiência, fazendo seus próprios planos e imaginando o que irão enfrentar. A primeira coisa que eu digo é que a experiência vai ensinar mais sobre você e o mundo do que qualquer livro e terapia. Mas assumindo que nem tudo aconteceu como eu esperava, aqui vão cinco itens para você pensar sobre essa experiência.

1. Esqueça o papo de que você tem que ser como eles (os gringos)

Existe esse papo de que se você vai pra Alemanha, tem que ter a vida de um alemão. Se vai para os Estados Unidos, tem que virar um americano. Se vai para Paris, vida francesa.


Nesses novos tempos de geração y, onde tanta gente está viajando, morando em outro país, sendo nômade digital ou tirando um sabático, me parece meio bobo querer ser um deles.

Além disso, passar o tempo todo tentando demais ser aquilo que você não é pode ser exatamente o que vai te fazer infeliz.

Eu lembro de me sentir uma idiota no primeiro ano morando fora, tentando fazer amigos gringos, saindo para os lugares que eles gostavam de sair, tentando mostrar no meu emprego que eu era tão qualificada quanto eles, querendo ter uma casa, carro e pagar impostos do jeitinho que eles pagavam. Foi tão exaustivo que quando consegui tudo isso, notei que nada mudou a maneira como eu via as coisas e o mundo. Eu também não me tornei uma pessoa mais feliz por isso. Se eu pudesse voltar atrás, forçaria menos a barra e teria sido mais eu mesma.

Mas eu entendo… É necessário se adaptar, se infiltrar, conhecer e entender a cultura para viver melhor no novo país. Só acho que não precisa tentar tanto.

2. Pode ser mais fácil para quem vai acompanhado, e não sozinho

Eu odeio ter que admitir isso, mas se mudar para outro país acompanhado é muito mais fácil do que ir sozinho (mais fácil, não necessariamente melhor).

Já fazia três anos que eu morava sozinha fora do país e, ainda assim, todas as noites ao me deitar na cama, vinha o mesmo pensamento: “se eu morrer aqui ninguém vai me encontrar”.

Eu não morri, mas concluí que o maior risco de quem vai morar em outro país está longe de ser a violência, o preconceito, a falta de dinheiro.

O maior risco é sofrer de solidão. E, quem vai acompanhado, já sai na vantagem.

Minhas amigas que foram com família, casadas ou com namorados parecem sentir uma pressão menor para se adaptar à nova cultura.

É fácil por não ter urgência em fazer amigos, ter sempre com quem contar para um pneu furado, um emprego que não deu certo ou se a mulher do caixa não entendeu o que você disse. As coisas acontecem com menos pressão e, consequentemente, com menos frustração.

Quem muda de país na companhia de outro alguém, carrega consigo um pedaço de casa.

Dica: arranjar um alguém lá do outro lado também ajuda.

3. Um “bom emprego” não é sinal de felicidade

Uma pergunta bem simples: você gosta do seu trabalho no Brasil? Quantos trabalhos você teve nos quais foi muito feliz?

Você pode responder: “Mas no Brasil eu estava trabalhando na minha área, dentro de um escritório limpinho lá na Faria Lima. Eu ficava duas horas no trânsito para chegar e voltar para a casa, mas era um trabalho ‘decente’.

E eu volto a te perguntar: por que cortar batata num pub é diferente disso? Por que servir mesas ou lavar banheiro é diferente disso?

Porque alguém disse (e você acreditou) que ser feliz é ser bem-sucedido naquele emprego no escritório, no qual você é promovido se fizer um MBA e pode tomar um nespresso servido pela copeira da empresa.

Desencana dessa teoria.

Quando eu morava nos Estados Unidos, vivendo o desejado ‘American Dream’ eu tinha tudo isso que a sociedade ama – meu trabalhinho “decente”, na minha área de formação, pegava minha Sportage toda manhã e ia para o trabalho sem nem pegar trânsito mas, ainda assim, meu trabalho era um saco. Como qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, os primeiros meses foram de empolgação e cheio de perspectivas, mas o tempo foi passando e eu já não aguentava mais.

Tenho uma amiga com uma história interessante. Ela estava trabalhando como garçonete num restaurante em Londres havia uns três anos quando finalmente conseguiu a cidadania européia. Assim fez o que a maioria das pessoas faz: procurou um “emprego melhor” e conseguiu. Foi trabalhar num escritório. Dois meses depois ela estava tão entediada que para conseguir gastar sua energia acumulada começou a correr todos os dias 7km depois do trabalho. Não satisfeita com sua nova vida, voltou a trabalhar de garçonete no mesmo restaurante.

Se você não gosta do seu trabalho (no Brasil ou no exterior), só há duas coisas a fazer: 1) Entenda que o que te contaram sobre ser feliz não tem nada a ver com trabalhar na sua área de formação, “limpinho” num escritório da Faria Lima ou em Nova York e 2) Busque um trabalho que deixe você mais feliz – seja onde for, sem preconceitos.

4. Aprenda a falar o bendito idioma (e bem)

Aprender de verdade a falar o idioma vai transformar a sua vida para melhor. Vai abrir portas para se relacionar com as pessoas (fazer mais amigos, namorar). Vai abrir portas para aquele emprego que você deseja (se coloque no lugar dos gringos: qual é a chance de você empregar um alemão que não fala português na sua empresa?) e vai abrir portas para se adaptar à nova cultura.

É curioso, mas quanto melhor você falar o idioma, mais as pessoas vão valorizar o que você diz e você, menos estranho vai se sentir no novo país.

Um dia, desabafando com o meu ex-namorado americano, eu disse que gostaria de falar o inglês perfeitamente. E ele devolveu: “Você não precisa. As pessoas sabem que você é de outro país”. No entanto, ironicamente, nossas brigas eram sempre por não nos entendermos direito, erros de comunicação. Ele estava errado, eu precisava sim falar bem o inglês e nossa relação era a prova disso. Comecei a perceber que falar bem o idioma atingia todas as esferas da minha vida e me tornei uma obcecada em aprender a falar perfeitamente. Também não teria conseguido o emprego na empresa onde eu trabalhava, concorrendo com outros americanos, se não soubesse falar muito bem o idioma.

Se esforce: faça aulas, ouça rádio, assista TV, namore, fale, fale, fale mesmo que errado até você perceber que já está falando certo. Aprenda de verdade o idioma.

5. Morar um ano não é a mesma coisa que morar quatro, cinco ou mais. Se esse for o seu caso, não leve tudo tão a sério.

Eu sei. Seu pai, sua mãe, sua universidade, seu chefe disseram que esse período vai ser bom para a sua carreira profissional. Você prometeu que não ia ficar só com brasileiros, que ia fazer amigos gringos e que tentaria conseguir um emprego na sua área e não na cozinha do McDonalds. Mas um ano é pouco, pouquíssimo tempo para levar tudo isso tão a sério. Primeiro porque mais da metade do que você planejou e sonhou não vai dar certo (expectativa versus realidade, lembra?). E, segundo, porque tendo uma data para voltar, você pode deixar as coisas simplesmente acontecerem, se permitir ao imprevisível e às surpresas. Não queira fazer tudo tão certo.

Em um ano de viagem você pode até reclamar de saudades de casa, mas é bom se arrepender logo, cortar o mimimi e lembrar que o tempo passa rápido. Let it be…

E, para concluir, apesar de todos os itens acima, continue planejando e sonhando da melhor forma que você conseguir. E viva a experiência, quebre a cara. E depois dê risada de tudo isso. Tenha histórias para contar.

Amanda escreve sobre viagens. Acompanhe suas aventuras e dicas no facebook em Amanda Viaja e no instagram @amandanoventa

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