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Como Kennedy continuou fumando os melhores charutos após decretar o embargo a Cuba

Decretando o embargo à Cuba, Kennedy teria um grande problema: não poderia mais comprar seus charutos favoritos, os cubanos.

amandanoventa

29 Junho 2014 | 21h22

A qualidade dos charutos cubanos é indiscutível. Favorecidos pela posição geográfica da ilha, do solo e das habilidades dos trabalhadores locais, em Cuba só não se fuma o melhor charuto quem não quer.

Quando visitei o país, não pude deixar de experimentar os famosos charutos. Não sou fumante e nem uma expert. Mas ir à Cuba e não fumar charuto é como… Bom, é como não ir à Cuba.

Nas ruas de Havana, não é difícil ser abordado por moradores locais te oferecendo alguns para comprar, mas como a qualidade é duvidosa, preferi ir direto a uma das melhores casas da cidade, no Hostal Condes de Villanueva.

Do lado de fora da loja, havia diversas fotos de celebridades americanas fumando seus favoritos: Jack Nicholson, Demi Moore, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, John F. Kennedy… Opa! Não foi o Kennedy quem decretou o embargo à Cuba na década de sessenta? Ele mesmo. Mas como não é bobo nem nada, Kennedy não poderia ficar sem os melhores charutos do mundo.

Na noite de 6 de fevereiro de 1962, horas antes de assinar o embargo que faria com que os produtos cubanos se tornassem comercialmente ilegais nos Estados Unidos, Kennedy pediu a seu assessor de imprensa – e fumante companheiro – Pierre Salinger, que conseguisse para a manhã seguinte 1000 dos seus charutos favoritos, o Petit Upmann.

Salinger contou à revista americana Cigar Aficionado que ficou apreensivo e duvidou se conseguiria cumprir a ordem em tão pouco tempo. Mas como conhecia as lojas do país, trabalhou no “problema” durante a noite toda e às 8 da manhã do dia seguinte, estava novamente no escritório do presidente para contar que havia conseguido comprar 1200 charutos exclusivamente para ele. Salinger conta que Kennedy então, com um sorriso no rosto, tirou um papel de dentro de sua gaveta e o assinou imediatamente. Era o decreto que bania dos EUA todos os produtos do país comunista.

O mundo mudou muito desde 1962, mas o embargo e a comercialização se mantém quase que totalmente até hoje.

Quando entrei na casa de charutos em Havana, já sabendo dessa história, quis entender mais ainda com funcionava tudo aquilo. O próprio dono da loja, que parecia um personagem de filme vestindo um terno branco, chapéu e, claro, com um charuto na boca veio me dar uma aula. Me explicou sobre a diferença entre as marcas, intensidade e valores de cada um. Inclusive como se cortava o charuto para poder fumar, o que me fez comprar um cortador, além de duas caixas da melhor marca.

Essa brincadeira não saiu barata, mas pagou o ritual completo durante a viagem: fumar um charuto cubano acompanhado de um mojito, com vista para o sol se pondo no mar. Ah, sim, o mojito também é feito com o melhor rum do mundo. E então você adiciona um jazz cubano e pronto. Os americanos não sabem o que estão perdendo…

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