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Vá viajar. Mas não esqueça a educação em casa.

Se você não leva o respeito à outras culturas na mala, você não sabe o que é viajar.

amandanoventa

26 Agosto 2014 | 08h25

A primeira vez que viajei pra fora do país foi para os EUA com a minha família. Eu tinha 13 anos de idade e lembro do meu pai alertar a todos nós, que não falávamos inglês, para só não esquecermos do “excuse me”, “I´m sorry” e “please“.

Não havia problema nenhum em sermos turistas e não falarmos o idioma. Isso é normal para quem viaja. O fato é que meu pai não queria que parecêssemos mal educados e essa foi mais uma das recomendações de pai. E assim saíamos dentro de lojas e restaurantes, distribuindo as três palavrinhas mágicas (às vezes todas ao mesmo tempo, na maior confusão).

Essa história inocente ficou tão guardada na minha memória que até hoje, para todo país que viajo, faço questão de aprender as palavras básicas da educação. E fui além, aprendendo que a educação ultrapassa as barreiras do idioma e se expressa em suas atitudes.

E, na minha opinião, existem três principais erros relacionados à educação que mostram que algumas pessoas ainda não entenderam nada sobre viajar:


1. Achar que por estar em outro país tudo é festa e todo mundo é obrigado a participar dela. Estava lendo essa semana a história dos moradores de um bairro de Barcelona que decidiram protestar após um grupo de turistas italianos, bêbados, correrem pelas ruas pelados causando até em supermercados. Isso foi a gota d´água para uma vizinhança até acostumada com gente pelada, mas cansada de tantos turistas que alugam apartamentos por temporadas e transformam o bairro, que sempre foi residencial, numa balada onde os moradores são obrigados a participar dela. Imagina se fosse no seu bairro. Ou no seu prédio.

2. Querer impor a sua cultura. Eu tenho uma regra pessoal de que se estou viajando ou morando em outro país, devo me adaptar à cultura local e não o contrário. É tipo querer beijar na boca, em público, nos países onde isso não é bem visto. É proibido? Não. Mas precisa? Também não. Aqui vale o bom senso.

3. Achar que as leis do Brasil (ou as suas leis) se aplicam a qualquer país. Me lembro de ter uns amigos expulsos de uma balada nos EUA pois um deles havia bebido além da conta e a balada não permitia pessoas tão bêbadas assim. O grupo foi discutir com o segurança e assim todos acabaram expulsos. Não tem jeito, por mais absurdo que pareça, você não está no seu país e as coisas talvez não funcionem do jeito que você espera. Nessas horas é melhor descer do alto do seu jeitinho brasileiro e seguir as regras locais.

Ninguém está dizendo que é proibido se divertir ou colocando regras na sua viagem. Mas se você não leva o respeito à outras culturas na mala, nada vai me convencer de que você sabe o que é viajar. Sem contar que se adequar e respeitar os costumes locais também contribui para que você tenha uma experiência de viagem mais valiosa.

Mas talvez eu esteja aqui falando de um respeito e educação que a pessoa não tem nem no próprio país e dificilmente irá se comportar diferente numa viagem. Se esse for o caso, a pessoa deve retornar cinco casas para o texto “A educação começa em casa” e, só depois disso, pode pensar em viajar.

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