Depressão pós-férias? Que nada…
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Depressão pós-férias? Que nada…

amandanoventa

04 Maio 2015 | 06h34

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Passei duas semanas nas ilhas paradisíacas de Seychelles – um arquipélago no meio do Oceano Índico que nem aparece no mapa. Minha rotina nas ilhas era bem estressante: todos os dias depois do café-da-manhã eu saía para desbravar praias fazendo um ranking mental de qual era a mais cristalina e selvagem; às 18h30 eu tinha um compromisso com o pôr-do-sol daqueles que só se vê, sim, numa ilha paradisíaca; e depois um mergulho na piscina para não enjoar da água salgada. Se eu me preocupei com alguma coisa durante essas duas semanas? Ah, sim. Em passar filtro solar e não deixar meu Instagram parecendo um catálogo de wallpapers. Porque a paisagem que eu via por lá, só tinha visto mesmo em tela de fundo de computador.

Os dias passavam lentamente, um dia em Seychelles equivalia a três no mundo real. E quando já parecia que eu estava lá há um mês, chegou a hora de voltar pra casa. Eu passaria mais algum tempo na ilha tranquilamente e arrumei as malas me perguntando se um dia eu voltaria a ver tudo aquilo. Mas percebi que já havia algum tempo, há algumas viagens, que estranhamente eu NÃO me sentia profundamente desanimada por ter que voltar à chamada ‘vida real’. Ao contrário de outras viagens que fiz no passado, nas quais quase chegava a chorar na hora da volta, dessa vez eu não tinha muito do que reclamar. E olha que coisa… Hoje, meu primeiro dia pós-viagem, nem está sendo horrível! Estou feliz de rever as pessoas e a minha casa.

Mas por que um dia foi ruim voltar?


Você sabe, nós temos a tendência a achar que uma viagem vai resolver as coisas. Um relacionamento em crise, um emprego que você não gosta, um desafio que está com medo de encarar… Parece que dando um tempo, fazendo uma viagem, as coisas serão mais fáceis na volta. E durante a viagem, pode-se criar uma ilusão maior ainda: a de que a vida naquele lugar é perfeita: o lugar é perfeito, o seu estado de espírito é perfeito e sua vida deveria ser assim. Férias, uma ilusão…

Depois daqueles dias tão incríveis, no qual você estava praticamente hipnotizado, tudo o que você menos quer é encarar seus problemas na volta pra casa. E então surgem os sintomas básicos da chamada ‘depressão pós-férias’: desmotivação, tristeza e mau-humor.

Nessas horas de depressão, wanderlust, a palavra queridinha dos amantes de viagem, faz até algum sentido. Considerando não apenas seu sentido etimológico (um forte impulso ou desejo por viajar) mas também psicológico, o psicanalista Otto Fenichel explicou que esse desejo impulsivo de viajar ou fuga significa “correr atrás de uma reafirmação ou satisfação, ou fugir de uma situação de depressão e sentimento de culpa que o wanderer tenta deixar para trás na viagem”. Portanto, se você analisar dessa forma, nem é tão legal assim ser wanderlust.

Vamos aceitar: uma viagem é apenas uma viagem

Com todas as maravilhas que uma viagem nos proporciona, ela ainda não tem o superpoder de consertar o que ficou para trás. Dar um tempo é bom, às vezes surge uma ideia ou reflexão que pode ajudar na solução dos problemas. Mas eles não desaparecem e você continuará sendo responsável pela atitude de mudar de emprego, terminar um relacionamento, voltar a estudar e pagar as contas.

Para os amantes de viagem, como eu, posso dizer que já aceitei o fato de que nenhuma viagem perfeita vai suprir o meu desejo de viajar, porque ser viajante já é o meu estado de espírito. E, para isso, existem algumas maneiras de fazer com que o dia-a-dia seja um espelho da vida de viajante. Como fazer algumas viagens de um dia perto de casa mesmo; fazer na própria cidade alguma atividade que só fazemos quando estamos viajando como ir a um ponto turístico, visitar um museu, comer alguma comida exótica; e vale até se matricular numa aula de culinária diferente ou de idiomas. Assim você consegue ter um pouco dos prazeres das viagens mesmo quando não está viajando.

Tão bom quanto viajar é poder voltar para casa feliz, em paz.

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Foto: arquivo pessoal da autora