“Você vem para o Brasil e não fala português?”
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“Você vem para o Brasil e não fala português?”

amandanoventa

15 Agosto 2016 | 08h36

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Eu sou do time que não estava nem aí para as Olimpíadas até ela começar. Não entendo de esportes, mas rapidamente fui contagiada pelo espírito olímpico. Culpa da imagem das jogadoras egípcias no vôlei de praia, do primeiro time de refugiados, das garotas da Coreia do Sul e Norte tirando uma selfie juntas, da primeira ginasta indiana e tantas outras imagens que me fizeram perceber que as Olimpíadas vão muito além de esportes. Em tempos em que precisamos nos tornar cidadãos globais, as olimpíadas se mostram uma bela ponte sem fronteiras.

Não foi assim que sentiu a tal carioca que não quis dar informação em inglês ao gringo mesmo sabendo do idioma. A falta de educação é tão óbvia que nem merecia ser discutida. Mas me surpreendi com algumas pessoas entrando em sua defesa no facebook numa série de argumentos fracos e sem sentido.

“Nós precisamos fazer curso de inglês para viajar pra fora. Por que eles não podem fazer curso de português para vir pra cá?”.


“Quando viajamos precisamos saber as palavras básicas e o cara vem pra cá sem saber nada?”.

“Quando vamos pra fora somos tratados como ‘segunda classe’ e agora não vamos ficar bajulando os gringos que vem pra cá”.

Se você foi além da falta de educação e pensou qualquer uma dessas coisas citadas acima, você não merece qualquer oportunidade de sair do Brasil e entrar em contato com outras culturas.

Mas vou me dar ao trabalho de te explicar: goste você ou não, o inglês é o idioma mundial e o português não é menos valorizado só porque você tentou ajudar alguém em outro idioma. A pessoa que pediu informação era um turista que veio passar apenas alguns dias no país. É normal que ele não tenha feito um curso de português para visitar o Brasil e também normal que ele não consiga compreender as direções para o metrô. Este diálogo não faz necessariamente parte das palavras básicas que se aprende para viajar para outro país. E quanto a ser mal tratado quando se vai para outro país, apesar de não concordar com você, fico me perguntando porque temos que agir da mesma forma e não dar o exemplo de boa educação para o resto do mundo. Sejamos nós o país-exemplo de pessoas educadas. E se você não sabe falar inglês, não tem problema – faça um gesto com um sorriso simpático e o turista já vai entender que você não fala e pode retribuir com um sorriso também.

Vi tantas pessoas citando a França, argumentando que franceses não aceitam pessoas falando inglês, e queria te dizer que esse exemplo já está desatualizado. Na primeira vez que marquei uma viagem a Paris, o país estava passando por uma campanha para ser mais legal com os turistas. No entanto, apesar da fama, eu nunca tive problemas em falar inglês com os franceses em nenhuma das vezes que viajei ao país. Paris já não é radical assim com o idioma há algum tempo com as novas gerações. E mesmo se fosse, porque nós gostaríamos de levar a fama de chatos como os franceses levam?

Rachel Paganotto do projeto Viajo Logo Existo, um casal que está dando volta ao mundo de carro, deu sua opinião no facebook contando: “Dirigimos 72 países nos quatro continentes. Nos perdemos inúmeras vezes e precisamos de ajuda outras milhares. Nunca em três anos de viagem alguém nos questionou: ‘Você está aqui na China e não fala mandarim?’. ‘Você está aqui na Grécia e não fala grego?. ‘Você está aqui no Quênia e não fala swahili?”.

Pessoas educadas e mal educadas existem em todos os lugares do mundo. Mas ser educado é o básico para também ser bem tratado. Não é só aqui que gentileza gera gentileza. E felizmente não dá para generalizar um país pelo comportamento de uma só pessoa. Continuamos um país de pessoas simpáticas e acolhedoras apesar da estupidez de alguns brasileiros.

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