Regra número um para uma foto
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Regra número um para uma foto

amandanoventa

11 Julho 2016 | 08h35

 

viagem Amanda Viaja

A revista National Geographic chegou em casa este mês com um editorial interessante falando sobre a verdade das imagens. No mês passado, descobriu-se que o fotógrafo Steve McCurry (aquele da foto linda da afegã de olhos verdes na capa da revista) havia adulterado algumas de suas fotos ao longo dos anos através de programas digitais. Muita gente se sentiu traída e assim começou uma discussão sobre quais são as regras para se ter uma imagem de verdade. Uma questão que também levantamos o tempo todo nas redes sociais onde nós, meros mortais, somos os fotógrafos e a audiência.

A blogueira fitness, por exemplo, está proibida de fazer photoshop no próprio corpo para parecer mais magra, o de viagem não pode saturar a imagem para o mar parecer mais azul. Foto naquela pedra do Rio onde parece que você está caindo ficou over. Pau-de-selfie é de gosto duvidoso e o selfie por si só tem que ser feito com moderação para não parecer carência. São as regras gerais criadas pelo senso comum (ou o bom senso) da sociedade.


Na mesma semana que eu soube da história de McCurry, assisti ao filme “A vida secreta de Walter Mitty” (atrasada, eu sei). Walter é um cara comum que vai atrás de um fotógrafo famoso de uma revista. Quando Walter o encontra, no topo de uma montanha no Afeganistão trabalhando com sua máquina fotográfica, aparece um leopardo que deixa a paisagem mais bonita ainda. Walter percebe o fotógrafo apenas observando e pergunta se ele não vai tirar a foto. Sua resposta: “Às vezes não tiro. Se gosto de um momento, se gosto pessoalmente, não quero ser distraído pela câmera. Só quero ficar nele”.

A maioria dos brasileiros, fãs de uma rede social, seguem o lema do “se você não tirou uma foto é porque não esteve lá”, portanto sem regras, vale tudo. Os meios de comunicação e fotógrafos profissionais acordaram que tudo bem se precisar mexer um pouco na saturação de cor e contraste, desde que não tire nenhum elemento da foto. Eu tenho as minhas preferências de não exagerar no filtro, na selfie e ter um celular com boa câmera. Mas se pudesse escolher uma única regra seria essa que o fotógrafo de Walter Mitty ensinou: a foto só não pode ser mais importante do que o momento.

 

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