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O drama do réveillon

amandanoventa

19 Outubro 2015 | 08h18

Faltam menos de dois meses para a virada do ano e um alarme começa a soar para quem ainda não tem planos para essa data – eu faço parte desse grupo. É o drama anual do réveillon.

As opções nunca são perfeitas. Quem já pagou algum pacote, sabe que está pagando caro para virar o ano; quem não tem companhia, sabe que corre o risco de passar mal acompanhada; quem ainda não se planejou, sabe que corre o risco de passar em qualquer lugar e quem vai passar no litoral, está torcendo para a água não acabar, ter fila no supermercado ou trânsito na volta (spoiler: vai ter). Mesmo assim: procura-se amigo com casa na praia.

Falando em réveillon no litoral, houve um ano em que fiquei desesperada e entrei no pacotão do aluguel de uma casa em Boiçucanga. No dia 31, com mais ou menos umas trinta pessoas na casa, deu para perceber que era gente demais quando os banheiros começaram a lotar para as pessoas tomarem banho e só conseguimos sair faltando quinze minutos para a virada em Maresias. Não deu tempo. Passei a virada do ano tentando estacionar o carro. Mas tudo bem, pelo menos não choveu…

Mas choveu no ano em que decidi acampar no réveillon em Pouso da Cajaíba. Sabe onde fica? É uma dessas ilhas de Paraty aonde você chega de barco, mas como não há píer, você tem que pular na água de mala e tudo para chegar até a areia. Isso é tranquilo. O problema é que cheguei debaixo de temporal e ainda tinha que montar a barraca. E como se monta uma barraca debaixo de chuva? Graçasadeus não me lembro mais. O réveillon foi chuvoso e nunca mais acampei.


Pois é, fim de ano na praia pode ser furada, mas a gente continua tentando. Tem aqueles que para não correr risco de um perrengue pagam uma pequena fortuna para passar o réveillon em Trancoso, por exemplo. Eu, uma vez paguei R$1500 numa passagem pra Floripa e achei caro, mas foi o desespero. Poderia até ter viajado para outro país por esse valor, mas, aparentemente, não há lugar no mundo onde a virada do ano seja tão legal quanto no Brasil.

Como na vez em que passei a virada num bar em Nova York, com um vestido preto (levando em conta as não-tradições americanas) acompanhada de um bando de gente que nunca tinha visto na minha vida. Foi divertido, mas como uma noite qualquer num bar de Nova York; a única diferença foi uma tiara na cabeça que lembrava ser um “Happy New Year”.

E uma amiga que mora em Paris há anos, umas das cidades mais visitadas do mundo, diz a mesma coisa, “réveillon em Paris não tem graça nenhuma”.

É porque no Brasil, não só sabemos fazer festa como também criamos uma mística em torno da data que até os mais céticos gostam de acreditar. Vestir-se de branco para a paz, pular as sete ondas para ter sorte, usar algum item dourado para atrair dinheiro… Isso tudo pode parecer ridículo no mês de outubro, mas no fim das contas, conseguimos fazer do 31 de dezembro uma data emocionante, mágica, como se fosse a grande chance de tudo mudar.

E pode até não mudar. Mas vamos perder a chance disso acontecer não comemorando essa noite especial? Eu não vou. O que a gente quer é poder acreditar que um réveillon imperfeito foi o nosso último erro do ano. E o que se inicia é uma nova chance de acertar – na vida.

Amanda escreve sobre viagens. Acompanhe suas aventuras e dicas no facebook em Amanda Viaja e no instagram @amandanoventa

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