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O mal de quem viaja sozinho: desaprender a viajar acompanhado

amandanoventa

11 Abril 2016 | 08h13

Viajo de todos os jeitos. Mas o mais comum na minha vida nos últimos anos tem sido viajar sozinha. Não é por filosofia ou busca da paz interior. É praticidade mesmo – as pessoas não tem tempo ou dinheiro e eu não posso esperar nossas condições darem match. Então vou sozinha.

Quando soube que duas amigas de pouco tempo iriam viajar pelo México fiz a loucura de me intrometer na viagem delas: “Posso ir com vocês?”.

Foi só elas dizerem ‘sim’ que começou o meu pesadelo. Será que eu ainda sabia viajar em grupo? E se durante a viagem, com a convivência em tempo integral percebêssemos que não temos nada em comum? E se brigássemos por pouca coisa e amizade acabasse? E se eu fizesse coisas que não estivesse a fim para evitar uma briga e voltasse me sentindo frustrada com o lugar?

Quem começa a viajar sozinho sofre disso, acha que nunca mais vai conseguir viajar com outras pessoas. Porque numa viagem solo fica tudo mais fácil: você faz o que quer quando quer. Não tem ninguém para reclamar se você dormir até tarde, se você quiser ficar duas horas num café usando o wi-fi ou se você quiser se dar ao luxo de gastar um pouco mais para comer num restaurante maravilhoso acompanhado de uma taça de vinho. Você é livre.


Então, antes de embarcar, achei melhor definir algumas regras de comportamento para mim mesma. Planejar demais o roteiro tinha que ser evitado já que elas poderiam ter preferências diferentes. Bancar a blogueira de viagem sabichona também estava proibido – tem coisa mais chata do que viajar com alguém que acha que sabe tudo? Também não poderia deixar que elas descobrissem a louca do wi-fi que sou – vai que elas sejam do tipo que gosta de viajar para se desconectar…

Embarquei para o México com uma lista de cuidados que deveria ter, mas durante a viagem percebi que só precisava de três coisinhas simples: ouvir, ceder e relevar.

Ouvir porque o outro também tem vontades e prioridades – ele pode não querer fazer a mesma coisa que você. E, se esse for o caso, é melhor você ceder (vai por mim). E caso você não goste de algo que viu, fez ou ouviu, é melhor relevar se quiser ter uma viagem harmônica.

Parece tão difícil para quem já está acostumado e mimado com as delícias de viajar sozinho. Só de pensar em tudo isso quase dá vontade de deixar essa viagem entre amigas pra lá e ir sozinha numa próxima oportunidade.

Mas o grande segredo é que se cada uma do grupo ouvir, ceder e relevar ninguém sai perdendo. O clichê do “quer ser feliz ou ter razão” funciona muito bem aqui. Pode confiar. Passei a viagem toda querendo ser feliz e meu bom humor não foi perdido. Até curtir o wi-fi elas também curtiam.

Na volta, com o balanço do avião, só consigo sentir um alívio. Viajar sozinha ou acompanhada, já não importa mais.

Amanda escreve sobre viagens. Acompanhe o blog e suas aventuras através do Facebook em Amanda Viaja ou pelo Instagram em @amandanoventa.

 

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