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Quer viver o sonho americano e trabalhar nos EUA: veja as vantagens e desvantagens

amandanoventa

08 Junho 2015 | 09h06

Na semana passada o Estadão PME publicou um texto do empresário Leo Spigariol contando sobre sua experiência nos Estados Unidos trabalhando com um parceiro de negócios americano. O texto é interessante porque o empresário fala de sua experiência de forma realista, sem deslumbramento, mostrando as diferenças entre as culturas brasileira e americana e o que ele tem aprendido.

O texto do empresário lembrou-me da experiência de trabalho que tive no mesmo país. Mas diferente de Leo Spigariol, meu ponto de vista é o de funcionária de uma empresa americana.

O meu primeiro emprego depois de graduada aqui no Brasil foi na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos. Fui como trainee e nove meses depois surgiu um convite para ser efetivada.

Não levando em consideração as razões que me fizeram aceitar a proposta de trabalho nos EUA e ficar trabalhando por lá durante quatro anos e as razões que me fizeram voltar ao Brasil, gostaria de compartilhar minha experiência de trabalho, já que há tantas pessoas interessadas em conseguir um emprego por lá. Mas é bom avisar: não existe uma fórmula mágica para conseguir um emprego nos EUA. Todos os casos que conheço de Brasileiros trabalhando legalmente na terra do tio Sam são diferentes e com suas particularidades.


Entenda que essa é uma experiência pessoal e não uma regra que funciona para todas as empresas e pessoas.

Processo de seleção

Eu cheguei como trainee e o processo havia sido feito no Brasil. Mas na hora de me efetivarem meses depois, passei por todo o processo regular de entrevista na empresa, concorrendo com americanos. Nada mais justo – se eu queria mostrar que era qualificada como qualquer outro americano, teria que passar pela mesma forma de recrutamento que eles. Acabei conquistando a vaga acompanhada do visto de trabalho com todos os direitos e deveres de um trabalhador americano. A ideia compartilhada por muitas pessoas e empresas dos EUA é a de que não importa de onde você é, importa o quanto você é qualificado. Mas é claro que a coisa é mais complicada do que isso devido às regras de imigração do país; para a empresa conceder o visto de trabalho ela tem que arcar com todas as despesas desse visto e não sai barato.

Almoço na mesa

Apesar da dificuldade em acordar cedo, eu gostava de entrar às 7h e sair às 15h30. Assim, eu ainda tinha um dia inteiro pela frente para fazer o que quisesse. A empresa dava um intervalo de 10 minutos às 9h30 e outro às 14h30. O almoço era ao meio-dia, por trinta minutos e as pessoas comiam na própria mesa de trabalho. Portanto, todas as noites em casa, eu preparava o meu próprio lanche, colocava tudo dentro da lancheira e levava para o trabalho no dia seguinte (é muito comum as pessoas terem lancheiras). E contrariando a fama da sociedade americana, esse hábito regrado de levar o próprio lanche e ter hora certa para comer fazia até com que eu me alimentasse melhor do que me alimento hoje no Brasil.

De igual para igual

Nunca fui tratada de forma diferente por ser Brasileira. Aliás, fui sim, mas de forma positiva. Meus colegas de trabalho americanos eram adoráveis e tinham a maior curiosidade para saber como eram as coisas no Brasil. Sempre me convidavam para passar as datas festivas com suas famílias, uma vez que eu morava lá sozinha. Gostavam de conhecer as palavras em português, me ajudaram a aperfeiçoar minha pronúncia em inglês, valorizavam o meu trabalho e não se achavam melhor do que eu no ambiente de trabalho. Ali as coisas funcionavam de igual para igual.

Férias e feriados

Além de Natal e Ano Novo, nos Estados Unidos há mais 5 feriados. E no Natal funcionava assim: o dia 24/12 era praticamente ignorado e trabalhávamos até meio-dia. Dia 31/12 a mesma coisa. Eu tinha férias de duas semanas e esse tempo costuma ser o comum para quem trabalha lá. Depois de trabalhar uns vinte anos na empresa, é possível que você ganhe o direito de ter uma semana a mais, mas isso varia de empresa para empresa. Férias de apenas duas semanas era o que mais me incomodava trabalhando nos EUA. Não dava para fazer muita coisa com duas semanas por ano e ainda visitar minha família no Brasil. E depois de conversar e negociar com a empresa, eu consegui que eles deixassem que eu tirar um mês de férias não pagas quando havia uma baixa demanda de trabalho. E assim eu aproveitava o inverno rigoroso de lá para vir ao Brasil.

Benefícios

Lá não existia 13º salário, vale alimentação, vale refeição, 1/3 das férias, nada disso. Algumas empresas têm o benefício da participação dos lucros, mas no caso da empresa onde eu trabalhava o valor era tão, mas tão baixo que não dava para contar com isso. Os salários também não são supervalorizados, a diferença é que você ganha em dólar e isso já é uma grande vantagem mundial. Mais ou menos 23% do meu salário no paycheck eram para pagamento de impostos e convênio médico.

Como você pode ver, existem algumas vantagens e desvantagens de se trabalhar nos Estados Unidos, e aí depende de cada um decidir o que é mais vantajoso para si próprio. De qualquer forma, trabalhar em outro país não deixa de ser uma experiência rica de aprendizados para a vida profissional ou pessoal. Não importa em qual país você trabalhe ou que tipo de trabalho você faça, existe sempre uma maneira de aprender com a situação.

No meu caso, considerando o mesmo nível de emprego aqui no Brasil e nos EUA, não consigo definir em termos de trabalho se é melhor trabalhar aqui ou trabalhar lá. Vejo o lado positivo e negativo nos dois. Uma coisa é certa, aprendi que o sonho americano pode até existir, mas trabalhar para conquistar seu espaço e crescer como profissional continua sendo a mesma coisa aqui e lá.

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