O olhar de quem viaja
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O olhar de quem viaja

amandanoventa

08 Junho 2014 | 21h26

No fim de semana fui visitar meus pais em São Carlos, interior de São Paulo. Fui de busão e na minha frente sentou-se um casal de franceses. Não sei o que fariam na cidade, mas ficou evidente que era a primeira vez que a visitavam assim que o ônibus entrou na primeira avenida. Num impulso natural, eles colocaram as cabeças próximas à janela e iniciaram seus comentários sobre o que viam, com ares de surpresa e encantamento.

Não podemos chamar São Carlos de cidade turística ou dizer que possui grandes atrativos. Aliás, essa primeira rua pela qual o ônibus entra nem é muito bonita e a única coisa que consegui pensar que existe de mais atraente para um turista estrangeiro por ali, talvez seja o cemitério. Quantas vezes eu não fui a um país diferente, vi o cemitério e pensei: “Puxa, então é assim que eles enterram as pessoas por aqui?.” Um pouco mórbido, eu sei. Mas cemitérios são diferentes em cada país e, em São Carlos, você entra de ônibus e dá de cara com um deles.

Infelizmente não falo francês e não sei sobre o que falavam exatamente. O fato é que, independente de estarem encantados com o cemitério ou com qualquer outra coisa na avenida, fiquei um pouco com inveja do que estavam sentindo. Aquele olhar de quem está viajando para um lugar pela primeira vez, de ver o novo e se surpreender com o diferente.

Num ônibus capenga no interior de Cuba, os cubanos deviam estar se perguntando porque eu me animava e colava minha cabeça na janela quando via uma uma ponte caindo aos pedaços, um outdoor com propaganda socialista ou mais um carro antigo na estrada. Eu estava achando o máximo coisas que o resto das pessoas ali não se surpreendia mais pois tudo havia se tornado comum e talvez até sem graça. Elas poderiam estar me achando ridícula. Mas, “desculpe, tudo é novo e estou encantada”, era o que eu pensava! E a minha inveja do casal de franceses era essa, de ver um lugar comum com olhos de encanto.


Aquele sentimento de quando se vê um lugar pela primeira vez fica com você para sempre. É o momento em que você descobre algo novo, com admiração, e se abre para a exploração e aprendizado. O valor que damos ao novo é provavelmente o que nos move a querer explorar o mundo. E isso pode acontecer tanto num lugar simples, como na rua de uma cidade do interior, ou num lugar grandioso como um castelo ou praia paradisíaca.

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