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Perdi meu anel. Mas a viagem foi linda.

amandanoventa

24 Outubro 2016 | 09h45

Deixei de lado a mania de comprar coisas quando viajo. Primeiro fui deixando de comprar aquelas tranqueiras que a gente compra com a intenção de “levar um pedacinho do lugar pra casa” – objetos de decoração, bolsas, papelaria. Então ficaram só os imãs de geladeira – um pra mim e um pra minha mãe, que faz questão que eu traga um imã de todo país que eu visito e um pra mim; Hoje compro só um imã por viagem – o da minha mãe.

Não é uma regra. Se eu encontro algo muito maravilhoso ou muito barato que estou a fim de comprar, eu compro.

Foi o que aconteceu em Copenhagen, já no aeroporto esperando meu voo pra voltar pra casa. Dentro de uma loja cheia de coisas escandinavas diferentonas, olhei para um anel e gostei.

Gostei muito. Anel sem frescura de prata, minimalista, minha cara. Aí perguntei o preço, achei um pouco demais, devolvi e fui dar mais uma volta pelo aeroporto. Mas continuava pensando no anel. Tentei disfarçar um possível espírito consumista comprando o imã de geladeira da minha mãe, mas não resolveu.


Então comecei a criar justificativas para comprá-lo. Pensa comigo e veja se você concorda: 1) eu não havia comprado absolutamente nada naquela viagem; 2) eu precisava de um anel e 3) meu aniversário era em dois dias e acho que eu merecia um presente.

Voltei na loja e comprei o bendito anel. Carreguei sua caixinha de Copenhagen até aqui, com direito a conexão em Madrid. Ele sobreviveu na bolsa espremida na classe econômica, naquela bagunça entre tickets de avião, moedas dinamarquesas e papéis promocionais.

Cheguei em casa, tomei um banho e coloquei o anel. Ele continuava lindo no Brasil. Ufa, não comprei errado. Não era apenas mais um sonho dinamarquês.

Contrariando todos os outros anéis que já tive na vida, decidi não tirar mais esse do dedo e usá-lo permanentemente. Mas uma semana depois o anel sumiu.

Procurei pela casa toda, vasculhei todas as gavetas, mobilizei meu namorado até que desisti. Sentei no sofá, coloquei as mãos na cabeça e pensei alto: “Meudeus! Como eu posso comprar o anel mais caro da minha vida depois de pensar mil vezes e perdê-lo em uma semana de uso?! Que vacilo! Justo eu que estou publicando um livro sobre comprar de forma consciente, sobre gastar sua grana em experiências e não comprando coisas que não deve. Como eu vou justificar isso para as pessoas? Como eu vou justificar pra mim mesma quando a fatura do cartão chegar me lembrando que perdi o anel antes mesmo de pagá-lo?”

Lição aprendida. Melhor quebrar a minha regra de ter coisas de qualidade porque duram mais e continuar comprando anéis baratinhos já que corro o risco de perdê-los. E no próximo mês, vou poupar em outras coisas para compensar o dinheiro perdido. Tenho que admitir, o anel e eu passamos uma ótima semana juntos, mas ele não significava nada para mim. Era apenas um anel. Vou até acrescentar um capítulo no livro novo chamado “vão-se os anéis, ficam as viagens” pra contar como ele não significou nada perto da viagem deslumbrante que fiz em Copenhagen. Título horrível, eu sei, mas depois encontro um melhor.

Assunto resolvido.

Uma semana depois, já numa outra viagem, meu namorado manda uma mensagem dizendo que encontrou o anel. E ele é lindo mesmo. Então vamos esquecer tudo o que eu disse? Já esqueci. Estou tão feliz com essa comprinha que a única lição que consigo pensar é que… Ah, não tem lição. Deixa eu curtir o meu anel sem regras, vai…

p.s.: Na verdade, eu tenho uma regra pessoal de compra para esse caso. Se encaixa na categoria “amei muito” que significa que vou usar muito. E quando você usa muito, a compra já valeu a pena 😉

Amanda escreve sobre viagens e life style toda semana. Acompanhe suas dicas de viagens através do Facebook em Amanda Viaja e pelo Instagram @amandanoventa.

 

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