Ministro indiano lança cartilha de segurança para mulheres que viajam pela Índia: “Não use saias”.
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Ministro indiano lança cartilha de segurança para mulheres que viajam pela Índia: “Não use saias”.

amandanoventa

05 Setembro 2016 | 08h25

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Na semana passada o primeiro-ministro da Índia, Mahesh Sharma, divulgou uma espécie de cartilha de segurança que será entregue a mulheres turistas que chegam ao país.

“Na cartilha elas recebem alguns conselhos do que devem e não devem fazer”, ele explicou. “São pequenas coisas como não sair sozinha à noite, ou vestir saias e tirar uma foto da placa do veículo para enviar a amigos”.

Ele completa dizendo: “Para sua própria segurança, turistas estrangeiras não devem usar saias e vestidos… A cultura indiana é diferente da ocidental”.


Conforme reportagem do The Guardian, ele jura que são apenas conselhos e que não pretende dizer o que a mulher deve ou não vestir. Mas pegou mal e por um motivo que se repete: culpar a vítima e não o agressor pelos casos de assédio e estupro.

O diretor do Centro de Pesquisa Sociais da Índia, Ranjana Kumari, se pronunciou sobre a declaração do primeiro ministro dizendo que a declaração dele foi uma burrice e que toda essa história da cartilha foi mal pensada. “O problema na Índia são homens e garotos”, disse ele. “Eles é que são misóginos e participam de gangues de estupro. Seria importante Sharma ter dito que tipo de punição os perpetuadores de crime teriam e como impedir essa perseguição a mulheres”.

Como mulher e viajante quase me dá vontade de sabotar a Índia como destino de viagem. Desde sempre as histórias de assédios se repetem, são expostas ao mundo e, finalmente, não vemos nenhum esforço por parte dos governantes do país para acabar com a cultura do estupro. Mas aí eu lembro que na maioria dos lugares do mundo também é assim, inclusive o Brasil que não se distancia dessa cultura.

Com cartilha ou sem cartilha sobre como me comportar, mesmo sabendo que a roupa não impede o estupro, continuo sentindo que para a minha segurança enquanto viajo é melhor me vestir de alguma maneira que faça com que eu passe despercebida, que não seja notada. Quem viaja ainda não encontrou um maneira diferente de lutar contra isso. É o desafio mais injusto para as mulheres – tentar ser invisível para o mundo.

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