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Viajar sozinho: e se der medo, vá com medo mesmo

amandanoventa

26 Outubro 2015 | 09h10

Na sexta-feira embarco para mais uma viagem sozinha. Dessa vez serão 40 dias entre Malásia e Tailândia. Não sei quantas viagens sozinha já se foram, mas as pessoas continuam me perguntando se tenho medo.

Medo eu não tenho. Um frio na barriga? Um pouco, mas sem ele a viagem não tem graça.

O problema de quem não sabe se vai ou não vai viajar sozinho é pensar demais. Tentar adivinhar como vai ser, o que vai acontecer quando estiver lá sozinho… A pessoa tem mais medo de como irá se comportar e se sentir do que com a segurança em si.

Mas até quando você vai deixar de viajar por falta de companhia? Até quando vai culpar os seus amigos por não poderem ir com você? Acho bem mais fácil e prazeroso você deixar o medo de lado e ir sozinho…

E para te ajudar nesse processo, separei os seus possíveis medos e questões para você resolver consigo mesmo antes de partir:

Medo de se sentir só

Uma amiga recentemente me pediu uma dica de lugar para fazer sua primeira viagem sozinha. Sugeri Buenos Aires. Fácil. Na volta perguntei como havia sido e, ainda cautelosa, respondeu que tinha achado bom, mas houve um momento em que quase chorou com pena de si mesma, num sentimento de auto piedade.

Um dos grandes inimigos de uma viagem sozinha é esse: ter pena de si mesmo. Parece que você está encarando viajar sozinha como algo ruim, como ‘o que resta a fazer’ e não simplesmente como a SUA viagem, aquela que pode ser a melhor da sua vida.

Quem viaja por aí sabe que há muitas pessoas fazendo o mesmo, viajando sozinhas. E, no mundo dos viajantes, não há espaço para ficar pensando muito nesse dilema de companhia para viajar. Quem quer viajar, simplesmente vai, não importa se há companhia ou não. Eu passei muito tempo convidando as pessoas para irem comigo e muitas vezes deixei de viajar por falta de companhia. Mas eu não posso deixar que a falta de disponibilidade do outros determine as viagens que eu faço ou não.

Medo do que os outros vão pensar

Eu ainda recebo muitos e-mails de pessoas dizendo: “Eu quero viajar sozinha, mas minha família diz que não devo” ou “meus amigos dizem que sou louca” ou, o pior de todos, “vão achar que sou uma pessoas solitária, encalhada”. O ponto é: ninguém tem que achar nada da sua vida se você paga suas próprias contas. É a sua vida, suas decisões. Se resolva consigo mesmo, faça um acordo de que dessa vez, nessa viagem, você não vai se preocupar com o que os outros pensam. E vai por mim, não canso de repetir, tem muita gente viajando sozinha por aí. É super comum.

Medo da violência

Vamos combinar uma coisa? Se essa é sua primeira vez fazendo uma viagem sozinha ou ainda se sente inexperiente no assunto, você não vai inventar de viajar para o Paquistão, por exemplo. Vamos com calma. Viajar sozinho é algo que você aprende com a experiência – quanto mais você viaja, mais experiente e confiante se torna.

Também gostaria de reforçar um pequeno detalhe: o Brasil tem o maior número de homicídios do mundo. Ou seja, você não é uma pessoa vivendo num país escandinavo, sem noção do que é violência. Você tem um instinto básico de proteção, sabe que não é legal andar sozinho na rua de madrugada, ficar vacilando com celulares e câmera fotográficas em certos lugares, beber do copo de estranhos, não ir para lugares desertos sozinha, etc. Você sabe se cuidar mais do que imagina!

Faça uma pesquisa sobre segurança na hora de viajar sozinho e comece viajando para um lugar fácil. Minha sugestão é algum lugar da América do Sul – fácil idioma, experiência nova de verdade e onde você vai encontrar outras pessoas viajando da mesma forma que você e perceber o quanto isso é comum. Mas se ainda não se sentir segura, viaje pelo Brasil mesmo e siga seus instintos de segurança. Vá até onde se sentir mais seguro.

Medo de não fazer amigos

Quem disse que numa viagem sozinha você precisa fazer amigos? Quem disse que você precisa estar acompanhado o tempo todo? Precisamos parar de achar que estar sozinho é um problema que precisa ser resolvido.

Eu não estou dizendo que você precisa evitar conhecer pessoas ou se fechar a isso. Só estou dizendo para você relaxar porque conhecer pessoas acontece naturalmente. Pense nos amigos que você tem na vida. Alguma vez você ficou elaborando planos para conhecê-los? Não, porque esse tipo de coisa acontece naturalmente.

Fora que ficar tentando fazer amigos o tempo todo deve dar o maior trabalhão. Na Tailândia, por exemplo, estarei em dezenas de cidades e ilhas. Imagine se eu ficar preocupada em fazer amizades por cada lugar que passar? Isso certamente vai prejudicar a minha viagem. Deixa fluir.

Viajar terá um novo conceito depois que você fizer uma viagem sozinho. Viajando sozinho você tem mais tempo para apreciar o que encontra pelo caminho, além de poder fazer o que quiser quando quiser. Depois de uma viagem dessa, vai ser até mais difícil viajar com companhia. Mas principalmente, vai ser mais difícil deixar de viajar por falta dela. A sensação será a de que nada mais impede você de viajar. Porque dinheiro a gente trabalha e consegue; para planejar dá para recorrer à uma agência; e tempo sempre vai haver no mínimo 4 semanas de férias ao ano. Mas ter companhia para viajar é diferente, pois é a única coisa que não depende de você. No entanto, felizmente, você também não depende dela. Portanto, vá. E se der medo, vai com medo mesmo.

Amanda escreve sobre viagens. Na sexta embarca para 40 dias entre Tailândia e Malásia e você pode acompanhar essa viagem com todas as dicas através do Facebook na página Amanda Viaja  e Instagram @amandanoventa.

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