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Você pode ter uma vida normal e viajar também.

amandanoventa

04 Janeiro 2015 | 19h26

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Durante uma dessas conversas sobre a vida com uma amiga, ela reclama: “Eu queria fazer umas três viagens internacionais por ano, mas nunca consigo”. Eu acharia uma reclamação justa se eu não trabalhasse no mesmo lugar que ela, não tivesse as mesmas quatro semanas de férias anuais, um salário MENOR do que o dela e não conseguisse fazer essas três viagens internacionais ao ano.

Mas por que eu consigo e ela não?

Primeiro eu gostaria de falar sobre a nossa vidinha normal – a minha, a sua e a da minha amiga. Perante a sociedade, uma pessoa de vida normal é, de forma bem simples, aquela que estuda/trabalha, tem férias limitadas no ano, talvez uma família para cuidar e contas para pagar.


Acontece que essa vida normal pode ser tornar uma grande inimiga para quem quer viajar. O dia-a-dia é uma loucura e quando você percebe não conseguiu encaixar a viagem na sua vida.  vai contra a viagem. Sempre começamos o ano querendo viajar mais e quando chega em 2015 nos perguntamos: “por que não viajei mesmo?”. Na vida normal, a viagem sempre em segundo lugar, tem sempre algo mais importante pra fazer (será?). A vida normal é uma armadilha que você cai e fica difícil sair dela. Eu posso imaginar a cabeça dos normais pensando: “Ah, é tanta correria no dia-a-dia que falta tempo para me planejar e, consequentemente, viajar. Sem contar que falta uma grana, né? Estou cheia de conta pra pagar. E tem outra coisa, o que eu faço com a minha família que não tem disponibilidade para ir quando eu posso?”. Viu só? Já caiu na armadilha e não sabe mais como sair…

Mas eu não culpo você por isso (só por uns 90%). Viajar não é fácil. Tem que se planejar, guardar dinheiro, conciliar a agenda com todo mundo e assim vai. E se você não colocar a viagem como prioridade na sua lista de coisas do dia-a-dia você não vai conseguir. Aliás, está aí a diferença entre minha amiga e eu: mesmo com um salário menor do que o dela, eu viajo muito mais porque sempre coloco isso como prioridade e não deixo que esse desejo se perca na minha rotina. Eu tenho mais vontade de viajar do que fazer compras no shopping, mais do que investir num carro, mais do que precisar de companhia para viajar, mais do que vender as minhas férias ou usar as férias para “ficar por aqui mesmo”.

Mas eu posso imaginar você pensando: “Ah, mas é tanta correria no dia-a-dia que falta tempo para me planejar e, consequentemente, viajar. Sem contar que falta dinheiro, né? Estou cheia de conta pra pagar. E tem outra coisa, o que eu faço com a minha família que não tem disponibilidade para ir quando eu posso?”. Viu só? Você já caiu na armadilha da vida normal e não sabe mais como sair…

Pois eu vou te ajudar com algumas dicas práticas. Mas já vou avisando: você tem que ser forte para quebrar alguns hábitos e, principalmente, a sua maneira de pensar.

“Mas o que eu faço com 4 semanas de férias?”.

Para conseguir aproveitar o tempo disponível da melhor forma, tem que ter planejamento misturado com um pouco de esperteza – e não vender as suas férias, claro. O meu método preferido é quebrar as quatro semanas disponíveis e balancear com o tempo que eu preciso para cada viagem. E o maior truque de todos: emendar com feriados. Por exemplo: para viajar à Patagônia e Ushuaia, sabia que precisaria de uns 10 dias para conhecer tudo. Portanto, tirei uma semana de férias e emendei com um feriado prolongado. Ou seja, fiz uma semana virar 12 dias!

“O que eu faço com a minha família (ou com o meu namorado)?”.

É difícil o que eu vou dizer, mas a sua família não precisa ir com você. O namorado(a) também nãoQuando não dá para conciliar a agenda de todo mundo, você pode viajar com uma amiga(o) ou sozinho(a). Mas para isso é necessário quebrar um grande bloqueio cultural (machismo? preconceito?) que ainda temos no Brasil. Em outros países essa é uma prática super comum. Sempre encontro mulheres comprometidas e com família viajando por aí numa boa. Fiquei muito bem impressionada com um depoimento que li num livro chamado Travel Therapy da Karen Schaler (sem tradução no Brasil), no qual uma mãe de família faz uma viagem como voluntária na África e volta dizendo: “Minhas férias na África mudaram a minha vida e da minha família. Eu fui sozinha, deixando meu marido e duas crianças pequenas em casa e retornei duas semanas depois uma melhor esposa, mãe e amiga. Me senti realizada com a experiência incrível que tive e voltei com uma nova energia para a minha família”. Você não precisa fazer necessariamente um trabalho voluntário na África para voltar desse jeito. Pode ir para Nova York mesmo. Mas o que quero dizer é para você tentar abrir a cabeça na maneira de pensar, pois todos à sua volta podem sair ganhando com essa viagem. A felicidade contagia!

“É tanta conta pra pagar que falta dinheiro para viajar”.

Eu entendo, tem gente que realmente não tem dinheiro para viajar e possui necessidades reais. Mas vou assumir que estou falando com um grupo de pessoas que têm algum dinheiro para fazer uma viagem mas acha que não tem porque acaba gastando em outras coisas – é o caso da minha amiga, com um salário maior do que o meu. Pois bem, voltamos para a ideia da prioridade: se você continuar gastando seu dinheiro em coisas que não precisa invés de investir numa viagem, a sua viagem não vai acontecer. Crie uma planilha, faça uma poupança! Mas principalmente: queira viajar mais do que comprar qualquer tranqueira.

O pior da normalidade está em achar que a vida é difícil demais para realizar seus desejos. Se conformar e jogar a culpa no mundo por não conseguir fazer aquilo que você quer. É mais fácil assim. Mas pare por um minuto e pense porquê você ainda não conseguiu realizar a viagem dos seu sonhos… A culpa é sua.

Um ano novo se iniciou e essa é uma ótima oportunidade de rever suas prioridades, hábitos e maneira de pensar. Feliz 2015 e boa viagem!

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Foto: iStock