Feliz aniversário, Canadá!

Feliz aniversário, Canadá!

Pontos turísticos do Canadá, comidas típicas, paisagem e experiências: relembrei minhas viagens em 7 anos desde que conheci o país

Nathalia Molina

01 Julho 2017 | 19h51

Na minha primeira viagem ao Canadá, comprei uma camiseta para meu marido nessas lojas de souvenir de aeroporto. A cor era bonita, a malha parecia boa. E ela tinha algo de especial escrito: Canadá 1867. Esse foi o ano em que o Canadá nasceu, num 1º de julho, chamado de Dia do Canadá, sempre um dia de celebração. Hoje, ainda mais. Afinal, o Canadá faz 150 anos. A data exata é essa, e muitos fogos e festa rolam nas cidades do país, mas a festa segue ao longo de 2017 inteiro com muitos eventos — tem até um megajantar para 1.000 pessoas em Ottawa, em 27 de agosto, diante do Parlamento, na capital do Canadá.

Depois daquela camiseta que comprei para o Fernando em 2010, fui acumulando histórias e vínculos com o Canadá. De lá para cá, foram muitas as lembranças em souvenir, em presentes dos amigos que fiz por lá, em fotografias dos lugares onde estive, em memórias incríveis que repassei por algumas horas enquanto separava fotos publicar com este texto. Foi um desafio, repassei sete anos de convivência em algumas horas.

Maligne Lake, nas Montanhas Rochosas – Fotos: Nathalia Molina


Então vamos lá tentar organizar essa combinação de paisagens marcantes com sabores novos, de calor úmido com frio branquinho, de inglês predominante com francês diferente, de cidades vibrantes com delicioso agroturismo, de pessoas gentis com animais ferozes, de gosto de aventura com o chacoalhar do trem ou numa volta de limousine. O Canadá para mim é tudo isso. O que explica um pouco por que eu quis escrever um blog só sobre Canadá.

Logo na primeira viagem procurei entender um pouco o país observando as cidades e visitando seus museus. Foi no Musée de la Civilisation que tomei contato pela primeira vez com a história do Ato Constitucional de 1867, que deu origem ao Canadá, a partir das colônias britânicas do leste do território canadense, área que atualmente corresponde às províncias de Ontario, Quebec, New Brunswick e Nova Scotia. Ele foi o resultado da Confederação do Canadá, encontros realizados em cidades na década de 1860 para discutir a criação do país. O primeiro deles ocorreu em Charlottetown, hoje capital da província de Prince Edward Island.

Charlottetown fica no extremo leste do país. Lá, comi ótima lagosta — uma tradição entre as províncias marítimas; além dessa, compostas por Nova Scotia e New Brunswick — e fiz mais uma linda lembrança do Canadá. Num workshop de cerâmica, moldei um prato para meu filho, mais uma singela experiência que guardo do Canadá.

Também é de Charlottetown a lembrança de ver meu texto sobre um passeio por Toronto, a maior cidade do Canadá, entre os finalistas do GoMedia Awards, prêmio que a Comissão Canadense de Turismo concede anualmente a jornalistas que escrevem sobre o país.

Nessa cidade também usei a cartola dos confederados numa festa do GoMedia, encontro anual de jornalistas de turismo no Canadá. Ao lado de um jornalista da Austrália, participei de um animado jogo na TV, que testava nosso conhecimento sobre culturas e costumes das diferentes províncias e territórios canadenses.

Conhecer o Canadá em 2010, aliás, me inspirou a escrever o Como Viaja. A imagem original que estampava o alto da página era de uma foto que tirei em Quebec, com bonequinhos flutuando sobre o centro histórico da cidade no Canadá francês.

O começo dessa relação com o país tem muito a ver com Quebec. Foi para lá que, como muitos já sabem, minha irmã resolveu se mudar; depois se estabeleceu em Montreal, onde está até hoje. Mas transcendeu a esse vínculo familiar. Percorri o país de leste a oeste — de fato, em duas viagens de trem vi de Toronto a Vancouver e, mais tarde, de Halifax a Toronto, completando o risco dos trilhos da Via Rail, companhia ferroviária do país.

Provei comidas típicas do Canadá, do maple (para mim, o melhor é o produzido artesanalmente em Quebec) às suculentas frutas vermelhas, puras ou em muffins (adoro!) ou em tortinhas (como resistir?).

De poutine em Montréal (uma das muitas comidas que provei pelas ruas da cidade) à carne de bisão na província de Alberta. Da cerveja artesanal em Vancouver ao vinho do Okanagan Valley, também em British Columbia.

Do vinho rosé no verão ao icewine no inverno — até dentro de um bar de gelo em Niagara-on-the-Lake, depois de tomar um senhor banho nas Cataratas do Niagara, como eu fiz.

Vi muitos pontos turísticos, além de Niagara Falls. A CN Tower de Toronto, onde já estive de dia e à noite para jantar. O Parque Olímpico de Montreal, que visitei com minha irmã e me lembrei de Nadia Comaneci e de seu histórico 10 na ginástica nos Jogos de 1976.

Um dos lugares que mais me impressionou foi a Baía de Fundy, em New Brunswick, com sua espetacular variação de maré, entre as maiores do mundo.

Outro foi o Stanley Park, parque lindo em Vancouver. Lá, é possível pedalar, apreciar totens dos povos nativos da região e visitar o aquário, onde as águas-vivas do Pacífico dão um show. Também fiquei boquiaberta com o polvo e os tubarões do Ripley’s, aquário de Toronto.

De leste a oeste, vi muito do Canadá. Aprendi muito sobre esse povo formado por gente de todo lado e que se orgulha dessa mistura. Louco por hóquei (arrisquei minhas tacadas no Hockey Hall of Fame, em Toronto) e orgulhoso de seu Cirque du Soleil (tive a felicidade de ver duas vezes a trupe em Quebec).

Um país que oferece experiências tão diferentes quanto andar de Harley Davidson no Parque Nacional de Jasper nas Montanhas Rochosas (ô, sensação de liberdade!) ou contemplar o leito do Rio North Saskatchewan em Edmonton sobre um segway.

Onde o visitante tem a possibilidade de escolher entre um divertido campeonato de balões com parquinho de diversões no verão de Quebec ou uma aula de esqui na neve de Whistler ou a patinação no gelo no inverno de Toronto.

Pode ainda ver lugares históricos em Winnipeg (na província de Manitoba, no meio do país), nas casinhas coloridas da pequena Lunenburg (na Nova Scotia) ou na comunidade dos acadianos em Bouctouche (em New Brunswick). Dá para apreciar a troca da guarda em Québec ou o brilho do Natal no Canadá.

Nesses sete anos, foram tantas histórias, tantas pessoas, tantas paisagens. A beleza da natureza do Canadá, aliás, está no imaginário de muita gente em relação ao país. E, seja em lagos no verão ou montanhas de neve no inverno, tem de estar mesmo (vale lembrar que durante 2017 parques nacionais estão com entrada gratuita). O país tem muito a oferecer nesse quesito (basta ver este céu de Charlevoix, inesquecível).

Mas tem muito mais, na sua vida urbana, comida, história e cultura. Passei o dia com o Canadá. E foi lindo rever muito disso.

Feliz aniversário, Canadá! Como meu pai diz sempre que liga no meu aniversário: te desejo tudo de bom sempre, hoje é só para festejar um pouco mais. Obrigada pelo presente de ter te conhecido. E por um dia ter me feito sentir acima das nuvens.


* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja