‘Na acomodação em casa de família, você pode pedir o perfil desejado’

‘Na acomodação em casa de família, você pode pedir o perfil desejado’

Em intercâmbio no Canadá, casa de família é acomodação usada por brasileiro. Especialista indica que aluno diga se busca interação. Diretora da EduCanada conta que novos destinos têm se interessado pelos brasileiros e que outros tipos de intercambistas têm procurado o Canadá para estudar

Nathalia Molina

20 Setembro 2017 | 09h21

Casa de família é a acomodação mais usada por brasileiros em intercâmbio no Canadá. Chamada de home stay, é a maneira mais em conta para se hospedar. Para ter a melhor experiência com uma família canadense, o indicado é que o estudante diga à escola se está em busca de interação com os moradores e que também informe sobre suas necessidades em relação à saúde e à alimentação. Essa é a recomendação de Daniela Ronchetti, diretora da FPP Edu-Media, empresa organizadora da EduCanada, a feira oficial do governo do Canadá, atualmente realizada em várias cidades do Brasil. “Claro que nunca é 100%, mas uma escola boa sabe que a acomodação é um ponto muito importante e vai tentar resolver”, afirma.


Nesta entrevista, ela fala também sobre novos destinos canadenses que vêm ao país em busca de estudantes e sobre outros tipos de alunos que começam a surgir por aqui, mais velhos e interessados em trabalhar no Canadá.

Promovida uma vez ao ano, a EduCanada ocorre simultaneamente à EduExpo — em São Paulo, no próximo fim de semana; e no Rio, em 28 de setembro, quinta-feira da outra semana. Participam instituições educacionais do Canadá, como universidades e escolas de ensino médio, técnico e de idiomas.

Daniela Ronchetti – Fotos: Divulgação

O Canadá lidera há 13 anos a preferência dos brasileiros para intercâmbio. A EduCanada cresceu em expositores nos últimos anos?
O Canadá vem fazendo uma ação bem pesada. Há mais de dez anos faz esse trabalho de divulgação. O Brasil é o principal país da América latina. Depois dos atentados de 2001, os Estados Unidos caíram um pouco entre os estudantes. As pessoas ficaram com medo de ir para lá naquele momento. O Canadá viu potencial para crescer e desde então só tem crescido. As escolas do Canadá sabem desse interesse do brasileiro, então vêm à EduCanada.

Toronto e Vancouver, seguidas por Montreal, são as cidades mais procuradas por brasileiros. Isso ocorre porque são as mais conhecidas ou porque escolas dessas cidades já divulgam seu trabalho nas feiras no Brasil há mais tempo?
São sempre as cidades mais divulgadas, e onde tem maior concentração de escolas. Só que a gente tem sentido que tem vários destinos novos vindo ao Brasil. Neste ano, por exemplo, veio uma escola de Winnipeg. Tem também de Calgary e Ottawa.

Desconsiderando o aéreo, o preço do curso mais acomodação em casa de família muda muito de acordo com a cidade?
Depende da passagem aérea, mas, mesmo sendo alta temporada (meio do ano, no verão canadense), hoje tem tanta promoção. Uma vantagem de estudar numa cidade menor é que o aluno vai encontrar com muito menos brasileiros, para praticar o inglês. Também tende a ser mais barato o custo de vida, e a acomodação, próximas da escola. Às vezes dá até para ir a pé. Numa cidade maior, como Toronto ou Vancouver, as casas de família não ficam no centro, onde geralmente está a escola. Tem de pegar transporte ir para aula. Para ficar próximo da escola, o aluno pode ficar numa residência estudantil.

Home stay é o tipo de acomodação mais procurada por brasileiros. Quais são as vantagens? Isso ocorre apenas por ser mais barato?
Num ponto, sim. Hoje tem muitas casas de família, e cada escola tem um departamento de acomodação. Em curso de língua, muitas famílias não funcionam como nos programas de high school, em que são como a família do estudante. Muitas estão só alugando um quarto, não necessariamente para ter interação com o aluno. Fechando a viagem com a escola ou uma agência, você pode falar o perfil da família com que gostaria de ficar. A escola vai te dizer a possibilidade. Você fala ‘tenho alergia a animais’, por exemplo. Claro que nunca é 100%, mas uma escola boa sabe que a acomodação é um ponto muito importante e vai tentar resolver. Tem gente que é mais independente, que quer passear. É muito importante passar todas as informações do que você espera.

Quanto tempo antes você indica o planejamento da viagem?
Seis meses é um bom tempo. O aluno tem tempo de pesquisar as escolas, de perguntar para escola quantos brasileiros já estão matriculados. Se tiver muito brasileiro na escola, não vale porque o aluno vai acabar falando português. É sempre indicado fazer uma boa pesquisa, se informar antes, estudar o destino, o aspecto cultural, saber como se comportar.

Costuma ter muito choque cultural, questões de comportamento?
O que mais a gente escuta de ter é em high school. Por isso, o estudante se habituar com a cultura é bem importante para não ter choque. Se bem que em high school, o estudante só entra no clima depois de três meses.

Que tipos de problemas ocorrem?
Principalmente quanto ao horário. Muitos adolescentes aqui não têm horário para voltar para casa, têm mais liberdade. Lá a grande maioria tem de voltar às 22 horas. Os pais canadenses vão estar lá esperando pelo adolescente, são responsáveis por ele. O aluno tem de obedecer o que os pais de lá estão dizendo, e não aos do Brasil. Se o adolescente vai para uma cidade menor e estava acostumado a sair, a baladas, pode estranhar.

Além do visto de estudante, que documentação é exigida para se matricular?
É superfácil. O estudante tem de mandar os dados, quando e por quanto tempo vai fazer o curso e o tipo de acomodação. A escola inscreve o aluno e envia a carta de matrícula. Com essa carta, ele dá entrada no visto de turismo com permissão de estudo (quem for estudar por até seis meses e se encaixar nas regras da eTA Canada pode pedir a autorização eletrônica apenas).

Inglês ainda responde por 80% dos cursos de idioma feitos por brasileiros no Canadá, segundo a Belta. O interesse por estudar francês no país vem crescendo?
Tem crescido sim. Claro que ainda é uma porcentagem maior de inglês. Mas essas escolas (de francês) têm vindo promover os cursos no Brasil. As pessoas acabam ficando mais a par das opções.

EduCanada Brasil, feira de intercâmbio oficial do governo canadense

Os perfis dos intercambistas para o Canadá vêm mudando nos últimos anos? Aumentou o público da feira com pessoas acima de 40 anos?
Tem muita gente nesse perfil falando que quer mudar de carreira, acima dos 35, 40 anos. E, acima dos 50 anos, tem muita gente fazendo curso de curta duração, conjugado com outra área de interesse: inglês com degustação de vinho, por exemplo. É bem legal porque você pode passear e estudar. Muita gente que não pôde fazer isso quando era mais jovem agora tem tempo e condições financeiras.

Também tem crescido a procura por programas de cursos de graduação e especializações no Canadá?
Por conta também dos eventos no país (a crise econômica e política no Brasil), tem muita gente buscando isso. Em Vancouver, a Capilano University, que está aqui na feira, por exemplo, tem curso de 18 mil dólares canadenses ao ano, na área de Marketing ou Negócios. De repente, sai até mais barato do que estudar no Brasil numa faculdade particular.

Que tipo de curso de intercâmbio no Canadá permite que o estudante trabalhe?
Cursos universitários. Você pode trabalhar enquanto estuda. Se você vai viajar com seu marido, ele pode trabalhar também, e os filhos podem estudar em escola pública, sem pagar nada. Tem college, que é como um tecnólogo de dois anos, no Seneca, em Toronto, por 13,2 mil dólares canadenses por ano, em Turismo ou Hotelaria. No fim do curso, o aluno recebe um certificado e pode transferir para uma universidade. Economiza porque tem só mais dois anos para terminar o bacharel.

Você já fez intercâmbio?
Vai fazer 20 anos. Fui passar seis meses na Inglaterra. Tive experiência positiva e negativa em relação às famílias com que fiquei. A primeira foi boa, a segunda, ruim, e a última foi maravilhosa. Depois disso, fui trabalhar em agência de intercâmbio e, desde 2001, trabalho com os eventos. Em 2003, fiz um mês de curso de inglês em Vancouver A cidade tem uma paisagem maravilhosa. Conheci Victoria, a ponte Capilano. Fui até as Montanhas Rochosas numa excursão da escola. A cada fim de semana iam para um lugar diferente. A maioria das escolas organiza alguma atividade no fim de semana. É bom para conhecer outros locais e fazer amigos.

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* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo twitter @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja
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