Foi estudar e decidiu morar no Canadá: ‘O intercâmbio mudou minha vida’

Foi estudar e decidiu morar no Canadá: ‘O intercâmbio mudou minha vida’

Estudar e trabalhar no Canadá levou Natália a decidir morar lá. Brasileira foi fazer um curso de intercâmbio em college de Toronto. Já teve empregos no país e pretende ficar

Nathalia Molina

24 Setembro 2017 | 17h21

Natália Martins já havia trabalhado no Brasil em empresas como Google, LinkedIn e Mercedes, na área de vendas. Tinha 24 anos e uma dúvida: “O que que eu posso fazer agora da minha vida? Pensei: ‘vou fazer um intercâmbio!’”. Como tinha uma amiga em Toronto, no Canadá, aceitou a proposta de ir morar com ela. “Foi bom porque sempre fui meio medrosa com a ideia de ir para fora sozinha”, diz. “Comecei a buscar o que fazer lá.”

A paulista, hoje com 26 anos, já tinha uma boa formação no Brasil: graduação em Administração de Empresas na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), pós em Gestão de Vendas e Negociação na Fundação Instituto de Administração (FIA) e especialização em Negociação na Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Mas, pela pouca maturidade e experiência em cargos mais altos, ela acreditava que um curso de MBA seria um desperdício de tempo e de dinheiro.

Intercâmbio levou Natália a decidir morar no Canadá –
Foto: Natália Martins/Arquivo Pessoal

Optou pelo International Business Management (Gerenciamento de Negócios Internacionais), no Greystone College. Comprou esse intercâmbio pela Experimento por indicação de outra aluna: “A menina que morava com essa minha amiga me falou: ‘o curso não é perfeito, como tudo, mas dá para você ficar um tempo, trabalhar e estudar’. Essa possibilidade se encaixou bem em seu projeto de passar um período fora para voltar com experiência no exterior e de se sustentar lá por um ano. “Eu tinha dinheiro para me manter por meio ano”, lembra. “Então, fiz seis meses de estudo e outros seis de trabalho em co-op, que é como um estágio.”


Saiu do Brasil em 16 de fevereiro de 2016 rumo a Toronto, dez dias antes de o intercâmbio começar para ela se habituar e se entender com Toronto, a maior cidade do Canadá. A meta traçada: viver a experiência por um ano e voltar para casa. “Eu não tinha intenção de imigrar.” Mas um aspecto que Natália não havia previsto atravessou seu planejamento de viagem: “Conheci meu namorado dois meses depois que cheguei aqui”.

A paulista com o namorado em Blue Mountain, na província de Ontario

Estudo e trabalho no Canadá

Também conseguiu logo um emprego. “No meu primeiro mês e meio em Toronto, comecei como secretária numa clínica médica portuguesa. Com esse curso, você tem o direito de trabalhar 20 horas por semana, e isso é independente do que você está estudando.” Enquanto isso, Natália seguia procurando com a ajuda da escola uma oportunidade de co-op na sua área. “Eles tinham muitas opções não remuneradas, mas eu precisava de co-op que pagasse.”

Por conta da formação prévia que já tinha no Brasil, ela diz que aproveitou pouco a parte técnica do curso, que valeu mais para conhecer a cultura do país (“o college é como se fosse um curso profissionalizante”).

“O pessoal da escola era muito acessível. Tinha até uma consultora brasileira para quem não falava bem inglês”, relata. “Eles foram uma família mesmo para mim.” Natália também fez muitos amigos no college. Das 15 pessoas na turma, 13 eram brasileiros, segundo ela, o que levava o português a ser ouvido em alto e bom som pelos corredores. “Até que inventaram uma regra lá na escola que quem não falasse em inglês levava um cartãozinho, e a cada dois cartõezinhos era uma advertência.”

Da sua turma, a paulista diz que 90% voltou para o Brasil e que a maioria, com idades entre 25 e 35 anos, não precisaria da parte técnica do curso. “Estavam lá mais pela chance de trabalhar e estudar no Canadá.”

Depois da clínica médica, Natália conseguiu emprego numa empresa de serviços de cartão de crédito, mas não gostava da tarefa de ficar em pé dentro de uma loja oferecendo os produtos a clientes. “Eu poderia ter terminado a parte de estudo e voltado para o Brasil, mas eu já tinha decidido ficar aqui com meu namorado”, diz. “O intercâmbio acabou mudando minha vida. Tudo isso só aconteceu porque resolvi fazer a viagem.”

O intercâmbio cultural levou a paulista a viver experiências novas e a conhecer vários lugares. Esteve num jogo do time de beisebol de Toronto, o Blue Jays, e viu muita neve. “O frio é o mais difícil de suportar aqui.” No inverno, a temperatura em Toronto pode ficar abaixo dos 30 graus negativos.

Com o namorado, o também brasileiro Ramon Nogueira, esteve Blue Mountain, o destino de esqui em Ontario, e ainda no ponto turístico do Canadá localizado na mesma província: Niagara Falls. Além de ver as Cataratas do Niágara, o casal visitou a vizinha Niagara-on-the-Lake, cidadezinha famosa pelas vinícolas (“amamos lá!”). Também foram de carro até Montreal, na província de Quebec.

O casal no jogo de beisebol do Blue Jays, time de Toronto

Novo emprego em outra cidade

Acabou se mudando para Kitchener, cidade a cerca de uma hora e meia de carro de Toronto. Natália encontrou lá uma vaga na Desire2Learn, companhia de plataforma de aprendizado online (em inglês, learning management system). “Eles me contrataram e me deram o papel do work permit (permissão de trabalho). Comecei em outubro de 2016. Quando me formei, peguei o diploma e continuei na empresa.” Dos 850 funcionários, conta a paulista, em torno de 10% eram da América Latina. O contrato dela iria até julho de 2018. “Mas, devido à crise no Brasil, como as vendas caíram, eles me mandaram embora.”

Enquanto busca uma nova colocação, aguarda a visita dos pais, na primeira ida do casal ao Canadá. Embora não tivesse problemas com a família ou sofresse dificuldades financeiras enquanto vivia em São Paulo, Natália não pensa em voltar. “Fui ao Brasil em julho do ano passado e fiquei assustada com os preços”, diz. E justifica: “Essa situação me desanima: a inflação, a violência, a corrupção. Não quero voltar para trabalhar cinco vezes mais e não conseguir ter nada.”

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* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo twitter @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja