Após estudo e trabalho no Canadá, mudou a carreira: ‘Intercâmbio ajudou’

Após estudo e trabalho no Canadá, mudou a carreira: ‘Intercâmbio ajudou’

Depois de fazer curso no college de Vancouver e trabalho no Canadá, Mateus conseguiu redirecionar sua carreira na volta ao Brasil. Ele conta que fez vários passeios por lá e que se impressionou como o indivíduo é valorizado no país

Nathalia Molina

29 Setembro 2017 | 10h14

Ainda enquanto estudava Ciências Contábeis no Instituto Federal do Paraná (IFPR), Mateus Herculano percebeu que se interessava mais por outros campos envolvidos na organização de uma empresa. “Eu gosto de usar a contabilidade como ferramenta, é necessária, mas me encanta a gestão, a administração.” O brasileiro fez o curso de Business Administration num college de Vancouver, um intercâmbio que combina estudo com trabalho no Canadá. Voltou para o Brasil e mudou o rumo da sua carreira.


Antes do programa no exterior, Mateus chegou a fazer estágio nas áreas financeira e contábil da companhia onde atualmente trabalha em Curitiba. “Eles queriam me efetivar na época, mas eu já tinha a viagem marcada para o Canadá”, lembra o gaúcho de 22 anos.

Mateus em Whistler, num dos passeios que fez a partir de Vancouver, onde estudou – Fotos: Mateus Herculano/Arquivo pessoal

Para redirecionar sua carreira, o brasileiro escolheu um programa co-op, que permite trabalhar até 20 horas semanais enquanto estuda. “O college é como um colégio vocacional. Você tem algumas matérias mais específicas.” O brasileiro explica que o programa no Greystone College se dividia em módulos e que ele fez três diferentes: Análise Estratégica, Negócios Internacionais e Marketing. “Eram quatro semanas de aula, aí vinham provas e trabalhos. Quando virava o mês, mudava o módulo”, explica. No total, ele fez um programa de 26 semanas em Vancouver, metade delas de estudo e o restante de prática.

Material de estudo do college no Canadá

Durante o trabalho no Canadá, acabou exercitando um pouco mais de contabilidade, no departamento administrativo de uma rede de hotéis. “Eram tarefas relativamente simples, como fechar o caixa, ver contas a pagar, mas não culpo a empresa. Como são só três meses, não podem abrir algo confidencial.”

Voltou ao Brasil em setembro de 2016, bem no auge da crise. “Os salários estavam muito baixos, com exigências absurdas.” Mateus, então, resolveu ficar morando com os pais em Erechim enquanto não conseguia uma boa colocação em Curitiba. Trabalhou de janeiro a julho deste ano com suporte técnico de software.

Até que surgiu a vaga na área de projetos na mesma empresa em Curitiba, onde ele havia estagiado antes da viagem e agora pode usar o que aprendeu nos módulos do college em Vancouver. “O intercâmbio ajudou muito porque o curso me deu uma visão macro”, diz. “E a empresa passou por uma reestruturação. De 70 funcionários, agora está com nove. Então, a gente está tendo de criar processos e controles. O curso me deu uma base, consistência. Acho que meu chefe está satisfeito com meu trabalho.”

Acomodação em casa de família e perto do irmão

O programa no college em Vancouver não foi a primeira viagem internacional de Mateus. Ele já tinha ido ao México e aos Estados Unidos — numa das ocasiões, para fazer um curso de inglês de quatro semanas. “Meus pais têm uma franquia do Yázigi Travel, eles sabem tudo de intercâmbio”, afirma. Decidiu, desta vez, ir para o Canadá e especificamente para Vancouver para ficar perto de outro membro da sua família: “Meu irmão, Bruno, faz doutorado em Neurociência na University of British Columbia (UBC)”.

Em Chinatown, Mateus com o irmão, Bruno, que faz doutorado na University of British Columbia (UBC), em Neurociência

Durante todo o tempo em Vancouver, hospedou-se numa casa de família. “Meu irmão mora num apartamento de um quarto, ficaria muito apertado ficar lá.” Ele acredita que teve “uma sorte tremenda” com o casal de filipinos que o recebeu no bairro de Kensington Cedar Cottage. “Eles tinham dois filhos, um de 17 anos e outra de 3 anos. Eram muito acolhedores, queridos. Tenho um carinho enorme por eles até hoje.”

Mateus conta que ficou alojado no quarto do porão e que a casa tinha um quintal, onde a família fazia uma festa por mês. “Os filipinos em geral são como os brasileiros, divertidos. Ensinei a eles como fazer caipirinha”, lembra o brasileiro, que aproveitou o contato próximo para conhecer a culinária das Filipinas. “É muito legal provar. E eles gostavam que eu não tinha frescura para comer nada.” Durante a semana, segundo o brasileiro, a comida era mais internacional, com arroz, legumes e carne, por exemplo. Mas, nos fins de semana, os pratos eram variados.

Também fez passeios com o irmão. Conheceu Vancouver e seus arredores, e até conheceu Whistler, famosa pelo esqui no inverno, mas que também tem linda paisagem no verão. Esteve nas praias de English Bay e Kitsilano, no alto de Deep Cove (“quase morri subindo”) e nos bairros de Chinatown e Gastown. No 1º de julho, celebrou o Dia do Canadá (data em que se festeja o aniversário do país) no Canada Place, famoso por ser um dos mais animados do país. Faltaram na lista de atrações a ponte de Capilano e Grouse Mountain. “A gente ia uma vez, mas o tempo estava ruim. Acabamos nunca visitando.”

Deep Cove e seu visual, após uma subida puxada

Planos para residência permanente no Canadá

Tudo bem, ele pretende voltar. O que mais o impressionou no Canadá foi a “valorização da pessoa”. “Você não é mal atendido em loja por estar mal vestido, por ter um cabelo diferente, por sua opção sexual. Ninguém nem olha.”

Para ele, como o status social não muda o modo como as pessoas são tratadas no Canadá, muitos brasileiros acabam aceitando ficar num subemprego para se manter no país. “Eu fui formado para lá e só queria trabalho na minha área. Não queria ser garçom. Tive de quebrar muito esse preconceito.” No período em que estava apenas estudando, como o college permite trabalhar até 20 horas por semana, ele foi entregador de jornal e de comida. “Com um trabalho relativamente simples, você consegue ter uma vida confortável.”

Famoso relógio de Gastown

De cerca de 15 alunos na turma do college, segundo Mateus, metade era de brasileiros. “A maioria queria ficar morando lá.” Ele não tinha isso em mente quando embarcou, mas a experiência mudou sua forma de ver a situação. “Pensei várias vezes em ficar. Percebi que podia ter uma vida muito melhor lá.”

Mateus diz que estranhou muito o retorno ao Brasil. “A volta é terrível. A pessoa fica te achando maluco. Você nasceu e cresceu sabendo que tudo é assim aqui, como agora acha estranho?” Segundo ele, o intercâmbio transformou sua visão em relação ao cotidiano: “Você vê que o mundo pode ser diferente, te dá esperança”.

Agora, então, o brasileiro busca formas de se mudar para lá legalmente, como a residência permanente. Prefere ir para Vancouver, mas não descarta Toronto. “O Canadá é um país maravilhoso, primeiro mundo. O pessoal é educado, o ambiente é limpo, organizado. Você se acostuma tão facilmente com isso.”

A praia de Kitsilano, em Vancouver

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* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo twitter @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja