No inverno do Canadá, inglês para negócios em Toronto: ‘Foi fascinante’

No inverno do Canadá, inglês para negócios em Toronto: ‘Foi fascinante’

Intercâmbio no inverno do Canadá? Patricia topou e adorou. Fez curso de inglês de negócios em Toronto para alunos acima de 40 anos. Ela conta que viveu tudo o que país oferece de estrutura e passeios na temporada de neve

Nathalia Molina

26 Setembro 2017 | 17h27

O inverno rigoroso do Canadá costuma meter medo nos brasileiros. Não em Patricia Garbin. A advogada de 47 anos até hesitou na hora de fechar seu intercâmbio para a época mais fria, com neve em Toronto, mas criou coragem e hoje comemora a decisão: “Achei que fosse ser um limitador. Pelo contrário, foi fascinante. Você não passa sufoco por conta da neve. É uma vida muito organizada.”


Patricia chegou a pegar dias de -34°C e -40°C. “Aquele frio que te mata é só numa virada de tempo ou outra. Em média, você está quentinha, aquecida, em lugares fechados”, conta. “Você tem recursos e se planeja. Existe um aplicativo em que você monitora o ônibus. Tem o horário certinho, o sistema funciona.” Ela lembra ainda da facilidade do Path, caminho subterrâneo de Toronto, com 30 quilômetros de extensão, que interliga várias ruas e prédios da área central.

A carioca, que mora em São Paulo, aproveitou o inverno no Canadá também para fazer passeios. “Fui visitar o hotel de gelo. Vi esculturas de gelo, coisas que são muito legais e que você só consegue fazer num país frio.” Patricia adotou o hábito local de checar a temperatura antes de sair. “Normalmente é tudo muito estruturado para enfrentar o frio”, afirma. “E ainda tem os festivais de inverno.”

Toronto no inverno, com neve, durante o intercâmbio de Patricia no Canadá –
Fotos: Patricia Garbin/Arquivo Pessoal

Curso de inglês para negócios

Veterinária e advogada, Patricia chegou a trabalhar com animais e fez até um curso em Nova York depois de terminar a faculdade. “Passei um ano lá num hospital veterinário.” Nos últimos 15 anos, no entanto, vinha se dedicando à sua outra formação. “Sempre tive muito contato com língua inglesa. Comecei a trabalhar com Direito por causa do inglês. Tive muitos clientes estrangeiros”, conta a profissional especializada em propriedade intelectual.

Mas resolveu sair do emprego para dar uma repensada na vida. Acabou aproveitando o período para reforçar a conversação no idioma estrangeiro. “Na área jurídica, acaba sendo muito mais escrever do que falar. Você tem de formalizar tudo”, diz. Patricia sentia falta da prática do inglês, de naturalidade no discurso. “Toda vez em que tinha um call e precisava falar, me sentia inibida. Aquele inglês do dia a dia, você só adquire viajando.” Por isso, ela decidiu ir para Toronto estudar. Embarcou em janeiro de 2016. Foram dois meses, vivendo a rotina da cidade.

Preparada para a baixa temperatura em Toronto, no inverno

“Em termos de aprendizado, vale muito mais você pegar um dinheiro que pagaria num curso de inglês por seis meses no Brasil, duas vezes por semana, e fazer um intercâmbio”, acredita. “Não é barato, mas rende mais você se programar para fazer uma imersão total dessas.”

A advogada conta que há uns 25 anos já tinha estado na parte leste do Canadá, visitando Montreal e Quebec. “Fui de carro a partir de Nova York quando morava lá.” Depois, voltou ao país em 2015, mas no lado oposto: a costa oeste. “Estive em Vancouver e nas Montanhas Rochosas. O Canadá é um país bonito, tranquilo, organizado, tudo de bom.” Essas experiências positivas como turista levaram Patricia a escolher estudar lá e, desta vez, conhecer a maior cidade do Canadá. Durante o intercâmbio de inglês em Toronto, também fez passeios, como a visita às Cataratas de Niágara, um dos principais pontos turísticos do Canadá.

Patricia nas Cataratas do Niágara, passeio perto de Toronto

Intercâmbio acima dos 40 anos

A brasileira se inscreveu em dois tipos de curso de intercâmbio em Toronto, de língua inglesa pela manhã e dedicado a negócios à tarde. “Lá na escola para que eu fui, a EC, ofereciam um curso de inglês normal do dia a dia e essa turma 40+, voltada para business”, conta. “Eu tinha contato com gente de mercado, acima de 40 anos, fazia simulações como se estivesse numa reunião ou palestra, como se fosse um treinamento para seu trabalho.”

Para ela, por mais que fosse interessante o contato com as pessoas mais novas para treinar a língua falada no dia a dia, as aulas dedicadas a negócios rendiam mais porque os alunos já se mostravam mais amadurecidos. “É interessante você estar numa turma de gente mais velha. A pessoa está focada, está fazendo um investimento e não tem muito tempo a perder.”

Também destaca a importância da mistura da turma, com estudantes de várias nacionalidades. “Você tem todo tipo de pronúncia, cultura. Foi extremamente interessante porque é o mundo real”, afirma. “Para trabalhar ou viajar, você vai falar com japonês, chinês, hispânicos. Você vai encontrar um inglês, claro. Mas, na maioria das vezes, vai ter de se entender com todos os sotaques e lá já vai treinando seu ouvido para isso.”

Segundo ela, todo mundo se vira, nas aulas e nos passeios organizados pela escola. “Nas viagens, eles juntam todas as turmas. Você fica 24 horas falando a língua e chega uma hora em que vai até sonhar em inglês.”

 

Patricia com os amigos do curso de inglês

Aluguel pelo AirBNB

Patricia conta que a única coisa que não fechou junto com a compra do intercâmbio no STB foi a hospedagem em sistema de home stay. “Eu não queria ficar com uma família, ter alguém me esperando. Queria total independência.” A advogada, então, optou por alugar um cômodo, a uma quadra e meia da escola. “Era uma casa enorme de uma senhora, com diversas entradas independentes. Todo dia eu descobria um buraco. Cada núcleo tinha uma cozinha, uma sala e uns três ou quatro quartos, normalmente um completo, com banheiro dentro. Aluguei um desses”, diz. “Na hora em que eu queria conversar, ia lá para fora, na sala.”

Ela ia a pé para escola, a cinco minutos de caminhada de onde estava. Mas a distância, de acordo com Patricia, não é um problema se o aluno resolver hospedar longe do centro. “Seja onde você ficar tem um esquema tão eficiente que você vai para todo lugar, você chega. O transporte público funciona, e ponto. Não é nada parecido com o daqui.”

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* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo twitter @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja