Montreal, 375 anos: um brinde à cidade

Montreal, 375 anos: um brinde à cidade

Montreal faz 375 anos, e festa ilumina a icônica Ponte Jacques Cartier. Veja como essa é uma cidade do Canadá que você pode curtir. De atrações culturais à boa gastronomia, há muito o que fazer por lá

Nathalia Molina

17 Maio 2017 | 14h23

Joyeux Anniversaire, Montréal!


Durante 2017 todo, Montreal celebra seus 375 anos, mas hoje o dia é especial. Foi em 17 de maio de 1642 que Jeanne Mance e Paul de Chomedey, conhecido por Sieur de Maisonneuve, fundaram Montreal. Para marcar a data, hoje a Ponte Jacques Cartier recebe uma iluminação especial, com um show de meia hora de duração, a partir das 21h45, e 375 velas acendidas em comemoração à cidade.

Além desse show, Montreal preparou novidades e muita festa ao longo de 2017 inteiro — assim como o Canadá, que celebra seu aniversário de 150 anos do país com eventos o ano todo, e não apenas no Dia do Canadá, em 1º de julho. O comitê organizador da festa na cidade lançou um site especial com toda a programação, 375mtl.com, com versão nas duas línguas oficiais do Canadá: francês e inglês.

Iluminação comemorativa da Ponte Jacques Cartier – Foto Moment Factory/375 MTL/Divulgação

A Pont Jacques-Cartier marca o ponto onde esse explorador francês desembarcou na região, em 1535. É um ícone de Montreal, como o Mont Royal. Batizado assim por Cartier, que lá chegou guiado pelos nativos de Hochelaga (como era chamada aquela terra), o monte acabou por dar nome à metrópole. Mont Royal virou Montreál.

É uma cidade vibrante, a maior do Canadá francês e a segunda mais populosa do país, atrás apenas de Toronto. Segundo dados do Statistics Canada, órgão do governo que reúne e analisa estatísticas do país, Montreal tem 4 milhões de habitantes na sua área metropolitana — são 6,2 milhões em Toronto e seu entorno.

Sou apaixonada por Montreal. Não só porque foi o lugar escolhido por minha irmã, Carla, para morar. Esse foi mesmo o cartão de visitas da cidade para mim. Mas voltei umas tantas vezes e fiz questão de ficar em um hotel para me sentir visitante e explorar da parte histórica, Vieux-Montréal, a seus bairros, como o descolado Plateau du Mont-Royal, aos pés do monte.

Parc du Mont Royal, parque aos pés do monte, no bairro Plateau – Foto: Alison Slattery/Divulgação

É um destino para quem gosta de cultura, com o renomado Festival de Jazz de Montreal e ótimos museus (no Dia dos Museus, em 28 de maio, entrada e transporte grátis); de gastronomia (a vocação francesa se manifesta claramente à mesa, no dia a dia dos restaurantes e em um calendário recheado por eventos como MTL à Table, a restaurant week de Montreal); de festa (especialmente no verão, as ruas de Montreal fervem). E nós gostamos de tudo isso, não?

Um brinde a Montreal! – Foto: Nathalia Molina

Festival de jazz – Foto: Frédérique Ménard-Aubin/Festival International de Jazz de Montréal/Divulgação

Eu conto um pouco do que a cidade apresenta a seus visitantes no texto Vida ao ar livre sob o calor de Montreal, cheinho de dicas, publicado no Viagem. No Canadá para Viagem, você pode ler ainda sobre a visita ao Parque Olímpico de Montreal, outro ícone da cidade, sede da Olimpíada de 1976.

Parque Olímpico com sua torre – Foto: Nathalia Molina

Mais para curtir Montreal

Para conhecer o passado da cidade, vá ao Pointe-à-Callière e se perca lá dentro. Localizado na ponta do Vieux-Port, o porto antigo, é o museu de arqueologia e história de Montreal. No entanto, mais do que isso, foi neste exato ponto que a cidade nasceu. Em uma das exposições permanentes, você percorre uma linha do tempo, que mostra desde a época em que o lugar era habitado por iroquois, o povo nativo que os europeus encontraram em Montreal.

Museu de arqueologia e história no centro da imagem – Foto: Caroline Bergeron/Pointe-à-Callière/Divulgação

Para aproveitar o presente da cidade, vá para as ruas e se perca ao ar livre. A melhor forma de entender Montreal — para mim, vale o mesmo na maior parte das cidades — é caminhar. Mas alguns lugares são difíceis de se explorar a pé. Montreal não. A cidade é literalmente uma ilha, cercada por rios. O mais famoso, Saint-Laurent, fica diante da Vieux-Montréal, a parte antiga onde se encontram charmosas vielas e monumentos (entre eles, a Basilique Notre-Dame de Montréal).

Vielas de Vieux-Montréal, centro histórico da cidade – Foto: Nathalia Molina

Notre-Dame de Montréal – Foto: Nathalia Molina

Paralela ao porto, a Rue Sainte-Catherine é a rua de lojas e shoppings como o Eaton Centre. Seguindo nela rumo ao leste, em direção a Pont Jacques-Cartier, chega-se a Le Village, bairro gay de Montreal. Agora no verão, marcando esse trecho, a rua ganha uma cobertura de bolinhas coloridas. Quando estive lá, eram rosa; neste ano, têm os tons do arco-íris.

Se a ideia for chegar a bairros como Plateau, Mile-End (para provar os famosos bagels da cidade; eles faziam parte do roteiro de Leonard Cohen em Montreal) ou Petite Italie (endereço do Marché Jean-Talon, delicioso mercado de produtores), o rumo a tomar é o Boulevard Saint-Laurent.

Barracas do Marché Jean-Talon – Foto: Nathalia Molina

Fairmount Bagel Bakery – Foto: Pierre-Luc Dufour/Tourisme Montréal/Divulgação

Atenção: a distância é grande e pode ser puxada no calor do verão — se o inverno cobre Montreal com montanhas de neve, o calor causa muita umidade no ar, com tanta água ao redor. A opção é tomar um ônibus que percorra o boulevard ou pedalar.

Montreal já passa dos 500 quilômetros de ciclovia. Mesmo que sua forma física não seja das melhores (meu caso), tente alugar uma bike. Eu fiz um passeio de bicicleta em Montreal e garanto que não há melhor maneira de sentir a cidade. Os pontos de aluguel de bicicleta em Montreal funcionam somente da primavera ao outono (abril a novembro), mas os moradores pedalam até no inverno.

Eu de bike – Foto: Nathalia Molina


* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo twitter @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja