Em Toronto, patinação no gelo na Nathan Phillips Square

Em Toronto, patinação no gelo na Nathan Phillips Square

No inverno de Toronto, a patinação no gelo é uma tradição na Nathan Phillips Square, praça da cidade do Canadá. Eu patinei! Vê só

Nathalia Molina

11 Janeiro 2017 | 18h25

Talvez o título mais adequado para este texto fosse “Tentativa de patinação no gelo em Toronto”, mas posso me dar o crédito de ter conseguido deslizar sobre as lâminas na Nathan Phillips Square, praça central da cidade, e de ter feito umas voltinhas para cada lado. Então, patinei, certo? Sei lá, também não vem ao caso. Ou melhor, vem sim. Não ser uma patinadora me garantiu muitas risadas. E isso vale tanto quanto a sensação de praticamente voar com os pés no chão.

Essa última eu conheci há uns 30 anos, na adolescência. Patinar é delicioso. Por isso (e pelas temperaturas exorbitantes que os termômetros chegam a marcar no verão carioca), adorei a novidade que um shopping na Barra lançou nos anos 1980: patinação no gelo. Era caro, daqueles programas especiais que minha mãe fazia com a criançada nas férias de janeiro. Eu tinha nem 15 anos quando consegui me equilibrar sobre as lâminas.

Infelizmente nunca cheguei a ser uma patinadora — só numa fantasia de carnaval que pedi à minha mãe para fazer. Então, tive de puxar pela memória aqueles verões da adolescência na hora de criar coragem para calçar os patins em Toronto. Se caísse, a promessa estava feita ao meu filho antes de viajar: mandaria uma foto de bunda no gelo.

Delícia voar com os pés no chão

Delícia voar com os pés no chão

Cambaleante, mas feliz

Cambaleante, mas feliz

Não caí, mas devo dizer que muito se deve à ajuda do meu “ice skating teacher”, Rey. Assessor de imprensa do Ontario Tourism, ele acompanhava nosso grupo de brasileiros convidados durante a visita à província canadense agora em dezembro. Rey se encarregou de evitar que a oportunidade surgisse para aquela foto “mico leão gelado”.

Valeu, Rey! Thanks!

Valeu, Rey! Thanks for the class, teacher!

Ficamos num dos cantos da pista, perto do famoso sinal com nome de Toronto, que leva muita gente à Nathan Phillips Square para tirar a clássica foto com as letras coloridas. Vale porque as imagens ficam bem legais mesmo.

Mas, se você estiver na cidade durante o inverno, se deixe levar pela tentação que mora no guichê ao lado. Caia (ou não) na pista de patinação. A 10 dólares canadenses, alugam-se patins (em inglês, skates) por até duas horas — para crianças até 12 anos, o mesmo período custa 5 dólares. Há capacetes (helmets na língua local) a 5 dólares canadenses, sempre por um par de horas. Quem precisa de aquecimento extra pode comprar gorros, luvas ou meias a 5 dólares canadenses cada.

Aluguel de patins e acessórios de inverno à venda

Aluguel de patins e acessórios de inverno à venda

Tudo dispensado pelos locais, que já trazem de casa os apetrechos necessários, até os patins. Sentam-se, calçam o par de botinhas deslizantes e se jogam na pista na maior naturalidade. O entorno da Nathan Phillips Square fica cheio de sapatos e bolsas. Como em qualquer grande cidade, no entanto, é sempre bom não dar bobeira e manter com você cartões, dinheiro e documentos.

Relax and enjoy: como um local

Relax and enjoy: como um local

A (tentativa de) patinação

Depois de calçar os patins, tentei me levantar, mas os pés deslizavam juntos para frente. Rey me ajudou a evitar aquele vai-e-vem dos patins deslizando em paralelo. “Tente inclinar os pés levemente para dentro”, me disse. Realmente funciona, embora me custe bem, já que meu modo de pisar tende a ser botando o peso na parte externa dos pés — mania adquirida com anos de balé feitos até a fase adulta.

Penei um pouco (e Rey também por tabela) até eu pegar o jeito da coisa de novo. Primeiramente com a orientação e o apoio literal de Rey, depois sozinha. Sempre rindo muito da situação e adorando experimentar Toronto daquele jeito, fazendo algo comum para os moradores da cidade. No inverno, é tradição patinar na praça em frente ao atual prédio da prefeitura e ao lado do antigo, na esquina da Bay com a Queen Street West.

Prédio da antiga prefeitura de Toronto

Prédio da antiga prefeitura de Toronto

Ao fundo, a dupla de edifícios que abriga a prefeitura da cidade

Ao fundo, a dupla de edifícios que abriga a prefeitura da cidade

Não me arrisquei a fazer a volta na pista seguindo o movimento circular desenvolvido pelos patinadores. Mas fiquei feliz de dar minhas deslizadas ali no canto. Se eu pudesse usar um daqueles andadores verdes, disponíveis para a meninada, quem sabe me animasse a ir mais longe. O moço no alto-falante, porém, fazia questão de avisar a todo momento que o acessório era apenas para crianças — #ficaadica: andador para turista de país sem patinação no gelo.

Andador para iniciantes

Andador para iniciantes

Outro aviso que você pode ouvir é para deixar a pista porque o caminhão de limpeza vai acertar o piso, que fica cheio de flocos soltos pelos riscos das lâminas no gelo. O detalhe é que o caminhão não deixa a pista apenas lisa, mas molhada também. Chega a refletir o nome de Toronto no gelo. Ou seja, escorrega mais ainda após a tal manutenção…

Caminhão na pista

Caminhão na pista

Nome de Toronto refletido

Nome de Toronto refletido

Voltei ao gelo brilhante, já sozinha. Andei de um lado para outro ali na beira da pista. E consegui até fazer umas viradinhas! Foi hilário. Eu ria muito de felicidade por estar ali e pela possibilidade de me sentir como há 30 anos, com a mesma vontade de flutuar com os pés no chão. Posso dizer que me diverti muito. Ah, e aprendi a dizer “uhhuu” no gelo.


* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja

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