Bairros e museus de Toronto: cultura em toda parte da cidade

Bairros e museus de Toronto: cultura em toda parte da cidade

A diversidade de bairros e museus de Toronto mostra o quanto a cidade é eclética, considerada uma das mais multiculturais do mundo. Diferentes nacionalidades se concentram e se misturam pelas áreas da metrópole, e instituições expõem de dinossauros a sapatos

Nathalia Molina

07 Agosto 2017 | 14h42

Toronto é eclética.

Cultura, no sentido mais amplo, reflete tanto o modo de vida e os costumes de um povo quanto exposições em museus e espetáculos teatrais. Toronto tem isso tudo. Entre as 50 atrações locais relevantes da metrópole canadense estão muitos museus, centros culturais e lugares históricos como o Fort York (construção militar erguida pelos ingleses no século 18) e o Distillery Historic District (onde funcionava uma destilaria, na segunda metade do século 19, e hoje há restaurantes, bares e cafés). Toronto ostenta ainda a fama de ser umas das cidades mais multiculturais do mundo.


Em casa, cerca de 30% dos moradores da maior cidade do Canadá falam outro idioma, em vez de inglês ou francês, ambas línguas oficiais do Canadá. E o português está entre esses principais outros idiomas, junto com chinês, tâmil (originário do sul da Índia), italiano e espanhol. Na maior cidade do Canadá, são ouvidos no total em torno de 140 línguas e dialetos. Dá para imaginar a mistura que é Toronto?

A urbana e multicultural Toronto

Nomes dos bairros escritos no letreiro da cidade

São muitas cidades em uma, com bairros de gente de várias partes do mundo. As imagens de Toronto que mais passam esse perfil multicultural costumam ser clicadas no lado oeste da cidade, em vizinhanças como Kensington Market, Chinatown e Queen Street West.

Kensington Market não é um mercado, e sim um bairro, com casinhas em estilo vitoriano. A vizinhança, fundada por judeus ortodoxos na década de 1920, atualmente é uma das mais diversas da cidade, com negócios de europeus, caribenhos e asiáticos. Coloridas, as casinhas abrigam de lojas vintage a cafés (entre eles, o Moonbean serve expresso de semente certificada ou orgânica e cerca de 30 tipos de chás, ao lado de opções de comidas sem glúten ou vegan).

Casa vitoriana com café de sementes orgânicas

Lojas para caçar achados

Sinagoga em Kensington Market

A Queen Street West vai da University Avenue até o bairro de Parkdale. Ao longo dessa rua ficam lojas como a Cosmos Vinil, que há 18 anos vende as agora hypadas bolachas. Quanto mais rumo a oeste se caminha nessa rua, mais alternativo o bairro fica. O trecho entre a Bathurst Street e a Gladstone Avenue, conhecido como West Queen West, é imã de descolados, território de hipsters. Em torno da Queen Street West, também fica o Art & Design District de Toronto, o que significa que, além de ter lojas de design, galerias de arte e hotéis-boutique (Gladstone e Drake são alguns dos nomes), o bairro dorme tarde, com seus bares e casas noturnas.

Paralela à Queen Street (entre pela Spadina Avenue), encontra-se a Graffiti Alley, uma viela transformada em galeria de arte urbana em Toronto. São muitos os grafites e rendem lindas fotos de cena de cidade. Procure pelo passarinho amarelo entre os desenhos: é a marca do grafiteiro Uber5000, visto em vários pontos de Toronto — o artista pintou uma das paredes da sede do LinkedIn na cidade. Também é dele o enorme painel que cobre a lateral de um prédio com o fundo do mar (maravilhoso!).

Graffiti Alley e seus painéis

Passarinho amarelo, grafite do Uber5000

Uma voltinha na Spadina Avenue em torno da Dundas Street não deixa dúvida de que você chegou à Chinatown. Uma colagem de letreiros se sucede ao longo das calçadas, com restaurantes e mercados de vegetais e frutas exóticas. Apesar de levar China no nome, a comunidade de Chinatown inclui diversos asiáticos. Mas os coreanos tem sua Koreatown, com karokês e restaurantes de pratos típicos, já mais para o centro da cidade, perto de Annex, bairro de perfil universitário, onde fica o campus da Universidade de Toronto (University of Toronto, chamada de U of T).

Letreiros de Chinatown

Os principais museus de Toronto

Ainda na Dundas Street, aproveite para ver a belíssima Art Gallery of Ontario (AGO), que já começa a expor sua vocação artística na arquitetura de Frank Gehry, que, aliás, nasceu em Toronto (depois se naturalizou americano). Lá dentro, passeie da arte barroca à pintura de Paul Cézanne, Edgar Degas e Vincent van Gogh e dê uma espiada nas paisagens do Canadá pintadas pelo Grupo dos Sete (principais representantes da pintura canadense do início do século 20).

AGO para ver pinturas

Outro clássico dos museus de Toronto fica algumas quadras acima, no Queen’s Park com a Bloor Street. O Royal Ontario Museum, mais conhecido como ROM, dá um show nas coleções de dinossauros e de antigos povos, com peças de Roma e da Mesopotâmia. O ROM também tem uma arquitetura que se destaca na paisagem urbana. Muita gente critica as formas de prisma projetadas por Daniel Libeskind, que, ao mesmo tempo, juntam-se ao prédio histórico e saltam da fachada. Eu gosto da ousadia.

Arquitetura ousada da parte mais recente do ROM

Do mesmo modo que aprecio a criatividade que mora ao lado do ROM. Lá, fica um dos museus mais divertidos de Toronto: o pequenino Bata Shoe Museum. O acervo percorre 4.500 anos de história do calçado, onde eu vi exemplares de famosos, como a plataforma prateada de Elton John ou o scarpin de Marilyn Monroe. Outro museu de Toronto na linha dos temáticos é o Gardiner Museum, que também fica no Queen’s Park. Um dos poucos museus do mundo inteiramente dedicado à cerâmica, mantém em torno de 4.000 objetos entre peças de povos antigos das Américas e porcelanas chinesa e europeia. Dá para visitar esses quatro museus em Toronto com desconto ou grátis.

Coleção do Bata Shoe Museum

Scarpin de Marilyn Monroe

Seguindo pela Bloor Street, em direção à Yonge Street, chega-se à outra famosa vizinhança de Toronto. Yorkville também é um bairro descolado, só que sofisticado, com grandes marcas, entre elas, Gucci, Tiffany & Co e Louis Vuitton. As grifes mundiais são encontradas em lojas e também em brechós para lá de chiques. Quem diria que nos anos 1960 era um lugar hippie na cidade. Hoje, Yorkville é bairro de restaurantes, lojas e hotéis-butique luxuosos. Integrante da requintada associação The Leading Hotels of the World, The Hazelton Hotel garante muitos mimos aos hóspedes de suas 77 suítes.

Se a realidade das vitrines atuais é muito cara para você (para mim é), dá para comprar algo (ou tentar) em lojas como a de cosméticos Sephora. E que tal terminar o passeio em grande estilo com alguns dos melhores coquetéis da cidade no d|bar, o lounge do luxuoso Four Seasons de Toronto, que fica na Yorkville Avenue, perto da Yonge Street?

Lojinhas de Yorkville

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* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja