A vez de Bal Harbour

A vez de Bal Harbour

Mari Campos

05 Março 2018 | 08h35

Climão “palmeiras no mar” em Bal Harbour. Crédito: Mari Campos


Já sabemos há bastante tempo que, entra ano, sai ano, Miami segue firme na preferência dos brasileiros. Por questões de logística de trabalho (a cidade é o principal hub de conexões em voos vindos do Brasil para chegar a outros destinos americanos), acabo indo a Miami diversas vezes por ano, todos os anos; e um dos cantos que mais tenho gostado por lá ultimamente é Bal Harbour (inclusive para comer!).

Cortado pela enorme Collins Avenue, que vem desde South Beach e continua até Sunny Isles, Bal Harbour fica a cerca de 20 minutos de carro do agito de Miami Beach. Apesar de pequeno (são cerca de 2km de areias à beira-mar), o distrito tem uma das maiores concentrações de lojas de luxo dos Estados Unidos e teoricamente o metro quadrado de shopping mais caro do mundo em seu luxuoso mall Bal Harbour Shops (incluindo lojas como Alexander McQueen, Canali, Moncler, Diane Von Furstenberg,  Saint Laurent, Chanel, Ferragamo e outras).

A diversidade de restaurantes de alta gastronomia, dentro e fora dos hotéis, é um dos grandes trunfos de Bal Harbour e garante visitas também de quem não está hospedado no distrito. Dentre os maiores destaques, são sempre excelente programa para almoçar ou jantar, por exemplo, os ótimos Makoto, Hillstone (antigo The Grill) e Le Zoo – todos dentro de Bal Harbour Shops – e os novos Atlantikos (dentro do St Regis Bal Harbour) e Artisan House (dentro do Ritz-Carlton Bal Harbour).

O interior do trendy e delicioso Makoto do Bal Harbour Shops. Crédito: Mari Campos

A forte veia cultural de Bal Harbour também foi definitiva para seu sucesso: tem seu próprio festival cultural, cinema ao ar livre durante o verão e a região é também cheia de obras e instalações de arte em vias públicas, sem contar as muitas peças abrigadas em seus hotéis. Pulo do gato: hóspedes de todos os seus hotéis têm passe livre para visitar os principais museus e centros de arte de Miami, incluindo MOCA, PAMM, o novo Frost Museum e mais inúmeros outros, através do Bal Harbour Museum Access Card, distribuído gratuitamente nos hotéis.

Além do consumo, das artes e da gastronomia, Bal Harbour também é programão para curtir praia e natureza. Haulover Beach oferece opções em snorkeling, windsurf, parasailing e até pesca submarina; o Miami Beach Golf Club fica logo ao lado e há passeios para todo tipo de aventureiro pela região, de observação de golfinhos a trekking. As areias dos beach clubs dos hotéis de Bal Harbour oferecem diversas atividades esportivas – incluindo ioga e Pilates com estúdios famosos – e a orla toda  tem uma pista de corrida exclusiva, resultado de um investimento de mais de 3 milhões de dólares.

As banheiras matadoras dos quartos do Ritz-Carlton Bal Harbour. Crédito: Mari Campos

Dos luxuosos hotéis à beira-mar, o grande destaque fica por conta do irretocável Ritz-Carlton Bal Harbour, que me serviu de base nesta última visita à região. Localizado entre o Oceano Atlântico e a Intracoastal, o hotel mescla com maestria o luxo de um hotel urbano com o relax casual de um resort à beira mar.  São apenas 124 quartos e suítes (o que é pouco para um hotel da bandeira), garantindo vários toques de exclusividade – como, por exemplo, o fato de cada elevador servir a apenas dois quartos por andar (todos com pelo menos vista parcial para o mar e grandes varandas, amenidades Asprey e espetaculares banheiras diante de paredes de vidro do chão ao teto, para não perder nem um cm de vista).

Nas áreas comuns, o hotel guarda uma extensa coleção de obras de arte de mais de 400 peças avaliadas  em mais de 3,5 milhões de dólares.  Para o lazer, piscina aquecida, espetaculares cabanas privativas (com direito a serviço personalizado e algumas contam até com jacuzzi própria), um beach club de primeira linha com acesso direto à praia, big fitness center e um imenso spa, o Exhale Bal Harbour, de quase mil metros quadrados. O “resort fee” de USD25 que o hotel cobra por diária (por quarto) inclui internet, atividades de praia, empréstimo de bicicletas, água mineral nos quartos, ligações locais ilimitadas, coffee corner de manhã no lobby e duas peças de roupa passadas por estadia, entre outros mimos.

O restaurante Artisan Beach House, inaugurado no ano passado, é um dos destaques de casa (e programão para quem não é hóspede também): serve do café da manhã ao jantar, sempre em sistema à la carte, com ótimo serviço e ingredientes fresquíssimos, adotando a política do sea-to-table – gostei bastante mesmo. Para uma refeição mais informal, o hotel conta também com o Pool Bar&Grill, à beira da piscina.

E para fazermos bom uso do passe de museus, compras, comer fora, curtir a vida noturna e passear pelos arredores, não precisamos nem alugar carro (ou tirar o carro alugado da garagem): seu house car leva os hóspedes do Ritz-Carlton Bal Harbour, dia e noite, sem custos, a qualquer lugar até seis milhas de distância do hotel – o que chega praticamente até South Beach. Usei várias vezes o serviço e deixo aqui uma salva de palmas em prosa para o adorável motorista do house car, uma doçura em pessoa, fluente até em português!

Aliás, é preciso destacar o serviço do hotel em geral: Miami é fértil em hotéis de luxo mas, sabemos, não é sempre que o serviço é uniforme e coerente. Então vale enfatizar: passei um final de semana redondinho por lá agora no final de fevereiro, antes de rumar para uma puxada semana de trabalho em Seattle. Adorei cada cantinho do hotel durante minha estada. Mas gostei, principalmente, do serviço como um todo; uma equipe afinadíssima da recepção ao restaurante, daquele tipo que se lembra do hóspede e realmente sabe antecipar nossas necessidades. Porque mimo pouco é bobagem.