Abram alas para a “haute villégiature”

Abram alas para a “haute villégiature”

Mari Campos

20 Março 2018 | 10h35

Quentin Desurmont, da Traveller Made, discute o termo “haute villégiature” em evento na Normandia. Crédito: Mari Campos

Os franceses AMAM usar o termo “haute” para designar tudo que envolva excelência máxima. Tudo que é “haute façon” é como se já viesse com um selo de garantia de extrema qualidade e expertise. Já sabemos disso por expressões bem disseminadas como haute couture, haute cuisine, haute patisserie etc. Pois agora o termo chega (e pelo jeito para ficar!) no universo do turismo de luxo.

No evento The Essence of Luxury Travel 2018, promovido pela Traveller Made em Deauville/França esta semana, o termo  “haute villégiature” tem sido repetido à exaustão. O termo, já adotado em uníssono por diversos hoteleiros – como o genial Thierry Teryssier do La Réserve Paris, que defende que “surpreender deveria ser a chave para tudo neste mercado” – , foi baseado em uma pesquisa científica liderada por Anne-Flore Maman, da SémioConsult. A ideia em voga é que o “haute villégiature” designe a confecção perfeita de um roteiro de viagem capaz de levar a personalização/customização das viagens ao máximo, inspirando viajantes ao criar e entregar experiências de viagem com os mais altos padrões de qualidade com expertise e paixão. Ou seja: a curadoria de viagem perfeita em um mercado já tradicionalmente tão exigente.

Afinal, “vender” viagem qualquer um pode fazê-lo – e infelizmente tem muita gente que o faz sem o menor conhecimento de mercado (nem destinos, nem hotéis, nem experiências possíveis) e, pior, sem nem se dar ao trabalho de entender as necessidades e possibilidades do cliente. Mas saber criar um itinerário perfeito, com a cara do cliente, dentro dos parâmetros (orçamento, tempo, preferências, restrições etc) estabelecidos, e ainda agregar o chamado “wow factor” à viagem, é mesmo tarefa que só os melhores travel designers podem fazer.  Afinal, cada cliente é único e tem expectativas únicas mesmo sobre um mesmo destino; portanto, no mercado do turismo de luxo só há excelência se a curadoria for perfeita. O termo “haute villegiature” seria usado para definir um trabalho artesanal ao criar um roteiro de viagem por agências que têm menos clientes e gastam muito mais tempo com cada um deles – mas também seus clientes gastam consistentemente mais em cada viagem, o que justifica a atenção e cuidado despendidos com cada detalhe do planejamento.


O presidente da Traveller Made (associação internacional de hoteleiros e operadores de turismo de luxo que conta com 318 agências credenciadas e completa agora 5 anos de fundação), Quentin Desurmont, defende que para os chamados UHNWI (ultra high net worth individuals, como são conhecidos no mercado os milionários/bilionários) as escolhas de viagem de hoje em dia já não se tratam mais do para onde se viaja, mas sim do como e do porque se viaja.  Os UHNWI estão cada vez mais interessados não apenas na ideia da exclusividade em si, mas sim da raridade das experiências de viagem e da possibilidade de experimentar algo completamente novo – um comportamento que deve se estender nos próximos anos também a outros setores do turismo que não o de luxo.

Em tempo: as tendências de viagem reveladas esta semana durante o evento na Normandia, os países cujos destinos ocupam as cinco primeiras posições na preferência dos clientes Traveller Made (no mundo todo) são Japão, Maldivas, EUA, África do Sul e Nova Zelândia – o Brasil aparece na 14a. posição.  Novas tendências apontam para crescimento considerável das viagens a Ruanda, Sri Lanka, Botswana, países Nórdicos e Cuba.