Crillon: clássico repaginado

Crillon: clássico repaginado

Mari Campos

04 Julho 2017 | 15h26

O novo jardim de inverno do hotel. Crédito: divulgação

O Hôtel de Crillon, um dos mais clássicos e icônicos hotéis de Paris, reabre oficialmente amanhã suas portas após anos fechado para uma reforma multi-milionária. Agora sob a bandeira da Rosewood Hotels & Resorts (que passa a ter três propriedades na Europa), o maravilhoso prédio do século XVIII, em plena Place de la Concorde, renasce todo repaginado – mas sem perder a essência que o fez famoso, é claro.


Tenho lindas lembranças deste hotel e a mais pulsante delas é gastronômica. Faz dez anos que provei ali o melhor brunch da vida (sem overrating!), com pratos delicadíssimos do estrelado Jean-François Piège chegando à minha mesa num domingo gelado,  banhados em champagne Taittinger, no rebuscado salão Marie-Antoinette (que ganhou este nome porque a própria costumava ter aulas de piano ali mesmo). Dez anos e ainda não esqueci nenhum detalhe.

O novo bar, preservando o incrível interior do prédio. Crédito: divulgação

A reabertura do Crillon tem sido quase tão aguardada internacionalmente quanto foi a do Ritz. Em maio último estive lá para espiar as novidades mas, confesso, não deu para ver muita coisa – era muita gente trabalhando em todo cômodo, toda uma atmosfera de segredo de Estado sobre os novos ambientes, uma loucura. Durante os quatro anos da reforma, a equipe de designers e mestres artesãos (sob comando de Richard Martinet) fez um extenso e minucioso trabalho para que a transformação não interferisse nem na história nem na conservação do edifício. A fachada e os salões do segundo andar, por exemplo, que são patrimônio histórico tombado, foram apenas restaurados. Mas a maior parte dos ambientes ganhou uma espécie de extreme makeover.

O hotel que hospedou de Charles Chaplin a Madonna ganhou espaços com decor contemporâneo, incluindo quartos decorados em estilo residencial parisiense, com mobiliário sob medida – e todos equipados com as facilidades tecnológicas que qualquer viajante do século XXI espera. Sob os telhados em estilo mansarda, o hotel ganhou três novas suítes, batizadas de Ateliers d’Artistes. Duas suítes receberam decoração exclusiva de Karl Lagerfeld e o hotel ganhou praticamente novos pátios e jardins internos. O spa foi inteiramente repaginado e agora, muito maior, conta com diversos setores diferentes – incluindo uma charmosa barbearia à moda antiga. Mas os saudosistas não precisam se desesperar: os lustres de ametista e os cristais Baccarat continuam todos lá, e a suíte Louis XV, parte das Signature Suites, continua com o impressionante terraço com vista para a Torre Eiffel.

Os novos quartos, totalmente repaginados. Crédito: divulgação

A gastronomia vai continuar tendo destaque no hotel, até porque foi ela mesma sempre a grande responsável por trazer tantos parisienses para o interior da propriedade. O pequeno L’Ecrin de Christopher Hache oferece alta gastronomia; a Brasserie d’Aumont de Justin Schmitt, uma cozinha bem eclética e parisiense; e o Jardin d’Hiver, as delícias de Jérôme Chaucesse no clássico chá da tarde.  O novo bar Les Ambassadeurs deve virar em breve o novo ver-e-ser-visto de Paris (e promete vários rótulos exclusivos de champagne) e a La Cave vai passar a receber apreciadores de vinhos para degustações e jantares.

Do brunch, infelizmente, ninguém falou nada ainda. Mas, com tantas boas lembranças, não perderei minhas esperanças tão cedo.