Londres para comer

Londres para comer

Mari Campos

02 Outubro 2017 | 15h22

Almoço delicioso, fresco e barato no novo The Distillery. Crédito: Mari Campos

 

Felizmente, já tem uns bons anos que Londres perdeu a má reputação gastronômica que teve por tanto tempo. Na última década, foram tantos bons restaurantes abrindo suas portas por lá – vários deles com grandes chefs internacionalmente conhecidos à frente – que realmente não existe mais a menor possibilidade de dizer que come-se mal na terra da rainha; pelo contrário. Acho que a gente come melhor por lá a cada ano.

Faz anos que recomendo vários deles, incluindo os adoráveis (e tão distintos entre si!) Bar Boulud e Galvin at Windows, dois dos meus preferidos na cidade (e que ainda por cima contam com menus econômicos maravilhosos na hora do almoço) e aos quais volto frequentemente. Nesta última viagem, aproveitei para experimentar restaurantes novos e revisitar dois que há muitos anos não visitava. Dentre os visitados pela primeira vez, meus prediletos foram:


Nobu:  novo Nobu, localizado dentro do hotel homônimo em Shoreditch, tem a mesma vibe contemporânea e pop dos outros restaurantes da marca (mais “barulhento” que o normal, mas com ceviches e sashimis perfeitos e menu degustação com boa relação custoXbenefício);

Aviary: o Aviary, instalado no alto do Montcalm Hotel, com um terraço com vista linda para a cidade e ótimos pratos à base de frutos do mar (incluindo ostras fresquíssimas)

Sobremesa à base de misô? No Nobu tem. Crédito: Mari Campos

 

Henrietta: o Henrietta, dentro do hotel boutique novinho em folha em Covent Garden, super despretensioso, ótimo menu e ambiente e preços econômicos (na parte da frente funciona um pequeno café excelente também)

The Distillery: o The Distillery foi uma das melhores surpresas da viagem: quatro andares em plena Portobello Road que se dividem em destilaria artesanal, restaurante e dois bares deliciosos (e um micro-hotel boutique no último andar, além de tudo). Pratos bem britânicos fresquinhos e saborosos e preços ótimos também

Dos antigos conhecidos, um teve gosto de novidade: o restaurante do adorável hotel One Aldwych  (parte da coleção preciosa da The Leading Hotels of the World) mudou, e bastante. O antigo espaço do restaurante que eu conhecia (instalado no delicioso Covent Garden) agora ganhou sotaque basco agora que o chef Eneko Atxa abriu ali seu Eneko at One Aldwych. Até o ambiente mudou muito e, apesar da identidade basca e do ambiente grande, tem mais cara de restaurante romântico, com velas às mesas e tudo. Tive um jantar excelente ali e achei o menu bastante interessante: pratos originalmente apresentados, ingredientes bastante frescos e algumas misturas ousadas, inclusive nas sobremesas.

Mas a melhor refeição foi, sem dúvidas, o jantar no estrelado restaurante do The Ritz London, em Piccadilly, que também é membro da Leading. Fazia muuuuito tempo que eu não dava as caras por lá – mas lembrava muito bem que seu restaurante era um dos mais bonitos do (meu) mundo. O salão impressionante, com candelabros e lustres de cristal, colunas de mármore e muito rococó continuam os mesmos; mas a atmosfera mudou. Mais ruídos no salão, clientes mais casualmente vestidos e, o mais gostoso de tudo, um staff absolutamente irrepreensível, que soube como poucos mesclar o serviço impecável com um trato amistoso, cheio de bossa e muito bem humorado. Os pratos do chef John Williams MBE fizeram jus à distinção estrelada no guia Michelin: ingredientes sazonais britânicos que incluem carne orgânica da Cornualha, cordeiro do distrito dos lagos, lagostas escocesas e outras delícias. Um jantar saboroso da primeira à última garfada (incluindo o couvert!) – investimento com retorno garantido para suas libras.