No rastro do aceto balsâmico

No rastro do aceto balsâmico

Mari Campos

26 Janeiro 2018 | 08h59

Balsâmico com sorvete: dá samba, sim. Crédito: Mari Campos

Uma semana, oito quilos (em comida e vinhos) a mais na bagagem e quase dois quilos a mais em mim mesma 😀 A Itália é sempre assim matadora; ao menos para mim, não tem viagem para o país da bota que não se converta em viagem gastronômica. E foi bem assim comigo nesta minha última viagem pela Emília-Romana em novembro último: um grande festival de sabores e prazeres ao longo de uma semana atrás das delícias desta região.

Dei uma geral da viagem todinha (restaurantes, hotéis, passeios etc) neste post aqui do MariCampos.com e já contei aqui sobre a minha visita à FICO de Bologna em sua inauguração. Mas, de tudo que comi e bebi nesta viagem – bota lambruscos, culatellos, massas e parmesões nisso! – a melhor lembrança gastronômica de toda a viagem ainda é, sem dúvidas, minha visita à Osteria Pedroni . Fomos ali para almoçar e levamos de brinde, além da incrível experiência gastronômica em si, também a melhor visita guiada de todo o roteiro.

A Osteria fica na minúscula Rubbiara, pertinho de Modena; abre para almoço todos os dias (exceto terças-feiras) e para o jantar às sextas e sábados. Chegamos cedo porque quando você reserva o almoço (é mandatório), leva de brinde uma visita ao centro de produção de vinagre balsâmico que funciona nos fundos da propriedade – e a visita, extremamente didática e esclarecedora (em italiano ou inglês) definitamente vale a pena.


A produção de balsâmico é, quase que invariavelmente, um negócio familiar. Foi ali na Pedroni mesmo que me contaram que praticamente toda família italiana na região de Modena tem barris fermentando balsâmico em seus sótãos há gerações. Um bom balsâmico precisa envelhecer por no mínimo 12 anos para ser considerado um aceto balsâmico de direito e há, ainda que não tão fartamente encontrados, opções com até 70 anos de envelhecimento.  Durante a visita, um tico de todas as etapas do processo, desde a maceração até o repouso em barricas. Ao final, a gente faz uma degustação da produção de aceto balsâmico da família – puro, em copinhos (os mais ligeiros) e colheres (os mais envelhecidos e espessos).

Mas o almoço… ah, o almoço!  O lugar é simples e barulhento, como convém a um restaurante italiano. Por inacreditáveis 35 euros por pessoa, o menu tem quatro passos (massa, duas carnes e sobremesa), sendo que todos os pratos (sim, inclusive a sobremesa!) levam balsâmico em algum momento, seja no preparo ou no momento de servir. Tudo com aquele gostinho bem caseiro, como se fosse a nossa nonna mesmo cozinhando. A sobremesa foi um sorvete de creme com balsâmico jogado sobre ele como se fosse uma calda de caramelo – e, acredite, estava delicioso. O valor inclui ainda o consumo de água, vinhos Lambrusco da casa (3 diferentes, harmonizados com os três primeiros passos), cafés, licores e digestivos.  Melhor almoço da viagem e melhor custoXbenefício possível!

 

 

Nota: um bom balsâmico custa caro. Garrafas magrinhas envelhecidas 12 anos geralmente valem perto de 25 euros.  Aqueles balsâmicos que a gente encontra bem baratinhos nas prateleiras dos supermercados italianos não são ruins, mas são geralmente blends cuja mistura final envelhece por apenas dois ou três meses para poder ser comercializada em massa. Depois que a gente experimenta os dois, lado a lado, durante a degustação, entende quão gritante a diferença de sabores e consistência pode ser.

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