O fim do mundo cheio de charme do Arakur

O fim do mundo cheio de charme do Arakur

Mari Campos

07 Novembro 2017 | 19h50

O hotel perfeitamente inserido na paisagem fueguina. Crédito: Mari Campos


Contei aqui recentemente sobre as minhas muitas viagens a Ushuaia, sobre a minha paixão pelo fim do mundo, sobre o passeio mais bonito que fiz por lá e também sobre as duas excelentes experiências gastronômicas que (enfim!) tive por lá nesta última viagem. Mas faltou falar do Arakur, o hotel mais luxuoso de Ushuaia.

Mas não entenda luxuoso como rococó, esnobe, nada disso – um hotel assim nem combinaria com um destino longínquo, isolado, como Ushuaia. O que eu gosto no Arakur é justamente que ele soube aliar a excelência em serviços (que é o que realmente importa na hotelaria de luxo para mim) a uma arquitetura ousada, que casa perfeitinho com o ambiente que rodeia o edifício, e ambientes ultra-confortáveis, sem frescuras.

Membro da The Leading Hotels of the World, o hotel tem três anos de funcionamento e está fantasticamente instalado no topo de uma das colinas dos 180 hectares da Reserva Natural Cerro Alarkén, com vista panorâmica para a cidade, a cordilheira e o canal. Fica longe do centrinho da cidade para ir caminhando, mas oferece shuttles gratuitos desde e para a cidade manhã, tarde e noite, que em 15 minutos fazem o trajeto. E a distância compensa tanto pela tranquilidade de todos os ambientes do hotel quanto pela vista panorâmica que se tem dos quartos e de todos os ambientes públicos – o  que realmente não tem comparação com nenhuma outra propriedade da cidade.

Até a escadaria tem vista no hotel. Crédito: Mari Campos

Instalado no topo da montanha Alarkén, o projeto em cobre dos argentinos Rubén Cherny e Augusto Penedo tem design sustentável, reutiliza a água das chuvas e tem utilização bem inteligente da energia, incluindo muita luz natural em todos os ambientes. A decoração é toda em materiais naturais e locais, como madeira, pedra, couro e lã. Até mesmo os carpetes que revestem os corredores dos quartos são de lã natural, sem nenhum tipo de tingimento artificial.

São 131 quartos no hotel, mas a gente não tem a sensação de estar dividindo espaço com toda essa quantidade de gente em nenhum ambiente, nem mesmo no restaurante, durante o movimentado café-da-manhã. Com design inspirado na própria região, os espaçosos quartos tem móveis bastante funcionais e banheiros lindos, cujas banheiras se abrem para o quarto para poder aproveitar também a vista da cidade através dos imensos janelões. A cama é verdadeiramente deliciosa, e a área criada em frente ao janelão que vai do chão ao teto é um convite constante a relaxar e aproveitar da paisagem surreal logo adiante. O consumo do frigobar está incluído e os recursos inteligentes e sustentáveis também estão presentes nos controles do quarto, incluindo um dispositivo touch que nos dá a opção de automatizar todo o funcionamento do quarto, do despertador às luzes – ou também da abertura e do fechamento automatico das cortinas).

Uma das disputadas jacuzzis externas num final de tarde perfeito. Crédito: Mari Campos

Para o lazer, seis salas de estar diferentes, todas com lareiras (uma delas anexa ao informalíssimo bar), fitness center  e  spa – tudo isso com vista panorâmica, sempre. No imperdível spa,  piscinas indoor aquecidas e disputadíssimas jacuzzis externas quentinhas para que a gente possa também curtir um pouco da friaca constante do lado de fora (para pegar as jacuzzis vazias, só indo bem cedinho, assim que o spa abre, ou no horário do jantar). O café da manhã está sempre incluído (é possível comprar a opção de meia pensão buffet também, mas daí se perde a oportunidade de curtir as opções gastronômicas de Ushuaia), assim como as trilhas guiadas pela reserva Alarkén, com guia do próprio hotel.

A maneira mais confortável para desfrutar do fim do mundo, seguramente.