O Peru da Mountain Lodges

O Peru da Mountain Lodges

Mari Campos

18 Julho 2017 | 19h06

Llamas nos jardins do Lamay Lodge. Crédito: Mari Campos


Estive no Peru quatro vezes. A primeira, visita tardia e tantas vezes adiada, aconteceu só em 2011 – mas foi tão arrebatadora que as outras visitas se sucederam todas neste curto espaço de seis anos. O Peru é tão fascinante como sonha nossa imaginação viajante e um dos países mais democráticos no mundo quando se pensa em oferta de viagem: dos mochileiros ao turismo de alto luxo, há sempre opções – com o perdão do terrível chavão – para todos os bolsos e todos os gostos.

Curiosamente, a experiência mais completa que tive no país não foi exatamente a mais luxuosa: foi em uma viagem a trabalho em 2015, fazendo um dos roteiros oferecidos pela excelente Mountain Lodges of Peru. A empresa que organiza roteiros completíssimos pelos vales de Lares e Salkantay desde 2006 acaba de ser eleita pelo segundo ano consecutivo uma das dez melhores operadoras de turismo do mundo no novo ranking da revista Travel+Leisure (americanices à parte, ainda um dos mais significativos do setor)  – e eu não poderia concordar mais.

Os lodges do grupo não são os mais luxuosos do país (e nem é essa a proposta deles), mas a viagem que fiz com eles me trouxe a maior sensação de exclusividade que já senti por lá: à exceção do gran finale em Machu Picchu, em todos os demais lugares que visitamos no vale eramos os únicos turistas do local, em meio a vastos cenários montanhosos, rebanhos de ovelhas e ruínas surreais. O contato com as comunidades locais – o mais importante para mim –  também em nenhuma outra viagem ao país foi tão intenso como nesta: de visitas a cooperativas quechuas a um café sem nenhum planejamento na casa de uma família de Ollantaytambo, me recordo até hoje do conteúdo de todas as conversas que tive ao longo da semana percorrendo a sensacional trilha Lares pelo vale homônimo.

O quarto com jacuzzi externa do Huacauasi, o mais confortável dos lodges de montanha do grupo. Crédito: Mari Campos

Os lodges nos minúsculos povoados da rota são charmosos e os dois hotéis que o grupo mantém em Cusco, El Mercado e El Retablo, são realmente excelentes em instalação e serviços.  E se o almoço muitas vezes era um lanche simples ao longo do passeio, vale ressaltar que os jantares ao longo da viagem, todos nos lodges do grupo, foram excelentes. Hospedagem, passeios, guias, refeições, deslocamentos e entradas nas atrações estão sempre incluídos nos itinerários, na melhor relação custoXbenefício que encontrei em todas minhas viagens ao país.

Com administração familiar, ao longo dos anos os proprietários e sua equipe conseguiram construir uma rede de integração real com algumas pequenas comunidades andinas – o que fica evidente para o turista, já que até atividades combinadas previamente com algumas comunidades são sempre cheias de espontaneidade de ambas partes.

O grande diferencial deles, na minha opinião, foi a habilidade com que souberam criar roteiros verdadeiramente imersivos que se adaptam aos mais diferentes tipos de público: a gente decide na véspera se quer fazer a trilha moderada, se quer fazer a trilha mais difícil ou se quer simplesmente fazer um dia de imersão cultural com zero esforço físico – sempre com guias ultra pacientes. Continuo recomendando muito.