Para não esquecer: Wolgan Valley

Para não esquecer: Wolgan Valley

Mari Campos

23 Abril 2018 | 10h17

Parte do picnic perfeitinho montado pelo hotel. Crédito: Mari Campos


Não foi de hoje que me apaixonei pelas Blue Mountains australianas. Desde minha primeira vez na Austrália, caí de amores por aqueles paredões imensos criando vales belíssimos, cobertos muitas vezes por uma vegetação bastante densa que, dependendo de como bate a luz do sol, realmente dão a impressão de serem azuladas. Sua parte mais famosa é o pedacinho onde ficam as chamadas Three Sisters, mas a verdade é que a região vai muito além delas – e nesta última viagem para o outro lado do planeta tive o prazer de conhecer um pedacinho que se tornou favorito: o Wolgan Valley.

O vale por si só é espetacular, rodeado por paredões de rocha e uma vegetação de intenso verde mesmo após um caloroso verão. Ali mesmo vive, estima-se, uma população de mais de 5.500 cangurus de três diferentes espécies, além de wallabies, wombats e uma quantidade impressionante de diferentes espécies de pássaros. 

Cangurus por toda parte no vale, inclusive entre as vilas. Crédito: Mari Campos

Mas é ali também que fica o mais premiado resort australiano, o Emirates One&Only Wolgan Valley, parte também da luxuosa associação Luxury Lodges of Australia. Trata-se também do primeiro resort de luxo baseado em conservação do país.  São cerca de 2h30 de estrada (3h, dependendo do trânsito) que o separam de Sydney. O hotel ocupa 2800 hectares de uma reserva de vida selvagem entre dois parques nacionais, o Wollemi National Park e o Gardens of Stone National Park (ambos na região das Blue Mountains, tombada como patrimônio da humanidade).

O cenário é o maior destaque por ali, é claro; não à toa, o próprio Charles Darwin já tinha se encantado com tamanha beleza natural e fartura de vida selvagem por ali em idos de 1836. O hotel foi construído no local de uma fazenda de 1832; a construção original ainda está lá, totalmente preservada e restaurada, aberta aos hóspedes como um museu (Darwin, aliás, se hospedou ali mesmo durante sua viagem pela região, como hóspede da família Walker). Trilhas, caminhadas, cavalgadas (imperdíveis!), bird-watching e safáris em 4×4 são grandes pedidas na programação por ali.

Mas a propriedade em si torna tudo ainda mais especial: o casa principal (que reúne os dois restaurantes, bar, lounge e tasting room) tem jeito de country club e uma vista impressionante para a reserva e as montanhas.  A bela piscina ao ar livre e o impecável spa by Sodashi também têm vista desobstruída para as belezas naturais que os rodeiam. Nenhuma operadora de telefonia funciona por ali, mas o wifi é de excelente qualidade em todos os edifícios e vilas. 

Detalhe do living das vilas do hotel. Crédito: Mari Campos

Com apenas 43 quartos, é ainda a menor propriedade One&Only em funcionamento no mundo (uma nova propriedade do grupo na Ruanda a ser inaugurada em breve será ainda menor). Com sistema quase-tudo-incluído (refeições, dois wildlife tours diários, frigobar e bebidas – inclusive alcoolicas – durante as refeições), todos os quartos são em formato villa,  sempre com sala, quarto, amplo walk-in closet, imensos banheiros (com direito a banheira, ducha interna e ducha externa), lareira, varanda e piscina privativa, além de um par de bicicletas de montanha sempre à disposição logo na entrada.  Não apenas amenidades de banho de luxo esperam pelo hóspede, como também filtro solar e repelente sustentáveis de primeira linha. 

A melhor parte? Não bastasse todo o conforto das mesmas e os muitos mimos diários do staff, basta abrir a porta da vila – literalmente – para dar de cara com cangurus e wallaroos – principalmente de manhã cedinho ou nos finais de tarde. Da própria piscina privativa (devidamente aquecida) eles são facilmente avistáveis todo final de tarde. Acostumados com o movimento de hóspedes por ali, eles transitam sem stress entre as vilas, e em uma quantidade impressionante, absolutamente selvagens.  Até os wombats dão a cara frequentemente por ali também. Repito: em todas as minhas viagens à Austrália e em todos os destinos que visitei no país, nunca vi vida selvagem tão farta e tão próxima como ali. 

Cavalgando entre cangurus pelo vale. Crédito: Mari Campos

As refeições do hotel merecem destaque também: o serviço no restaurante é bastante lento, mas o sabor dos pratos compensa. O café da manhã é servido em esquema buffet com pratos quentes à la carte e tanto almoço como jantar são à la carte, sempre com sugestão de vinhos australianos para completar cada passo. A refeição que não está inclusa nas diárias mas que vale o que custa é o picnic privativo, montado com maestria em uma pequena plataforma erguida pelo hotel em um mirante completamente isolado e rodeado de cangurus o tempo todo – pedida mais que perfeita sobretudo para casais. Apesar da gastronomia impecável no restaurante, o picnic acabou sendo minha refeição mais inesquecível por ali e recomendo muito.

Sendo a propriedade tão grande e o máximo de hóspedes por noite se limitando a pouco mais de 80, não é raro nos sentirmos os únicos por ali ao caminhar ou fazer as trilhas de bike, o que é um bônus e tanto. Além da paisagem arrebatadora de dia, com montanhas dramaticamente emoldurando o vale e tanta vida selvagem à vista, o céu à noite é quase tão espetacularmente limpo quanto o céu atacameño (que ainda é número um pra mim). As vilas também têm bastante privacidade garantida e, para minha surpresa, o resort é absolutamente kids-friendly, com diversas atividades exclusivamente preparadas para elas. 

Um hotel que vale – literal e definitivamente – o quanto pesa.