Roterdã para comer

Roterdã para comer

Mari Campos

23 Maio 2017 | 20h26

A sobremesa levíssima e deliciosa do Joelia. Crédito: Mari Campos

Acabo de deixar a Holanda, depois de mais de uma semana visitando o país (após um inexplicável jejum de mais de dez anos). Organizada e extremamente fácil de ser explorada, seja em trens ou em carro alugado, a Holanda foi me (re)cativando todo dia, em cada nova visita, em cada nova experiência (fiz três bases de hospedagem e visitei outras cidades em esquema bate-e-volta, indo e voltando no mesmo dia, com uma facilidade impressionante). Mas nem é do meu roteiro em si que eu quero falar neste post (não agora); eu quero falar especificamente sobre Roterdã.

Eu ainda não conhecia a cidade e coloquei no meu roteiro porque realmente andava lendo e ouvindo muita coisa sobre ela. Pois Roterdã me conquistou imediamente de muitas maneiras – inclusive pelo estômago: a cidade tem seis restaurantes estrelados no Michelin e mais uma penca de outros starless que definitivamente também valem cada garfada. Foi a última parada da minha viagem pelo país e a maior surpresa.

Eu comi muito bem em Amsterdã, em restaurantes como C, Canvas, M’Adam e o excelente Moon; mas honestamente não esperava encontrar em Roterdã uma cena gastronômica tão excitante e variada como encontrei.  Da cozinha tipicamente holandesa de restaurantes mais simples à cozinha estrelada cheia de experimentações (e algumas afetações), Roterdã é uma cidade para ser devorada. Devagarzinho, sem pressa, saboreando cada mordida.


Uma boa pedida é começar com um tour da Bike&Bite, uma empresa nova de um casal holandês que resolveu unir dois prazeres que são a cara da cidade: pedalar e comer bem. Em tours de cerca de 4 horas cada, e que podem ser customizados ou em grupo, a gente explora a cidade sobre duas rodas, conhecendo suas atrações mais emblemáticas – e, claro, parando para experimentar deliciosos cafés, queijos e outros quitutes ao longo de todo o passeio.  A parada no incrível Markethall é matadora. Conselho de amiga: substitua uma das refeições pelo tour, porque os petiscos são consistentes.

Um dos pratos impecáveis do FG Food Labs. Crédito: Mari Campos

 

Dos restaurantes sem estrelas, meus preferidos foram o bistrozinho De Matroos en HetMeisje, que trabalha todos os dias com menu surpresa de 4 a 6 passos (tem o menu mais barato, desde 39 euros, mas fica mais afastado e não sei se vale o deslocamento para quem tem pouco tempo na cidade) e o excelente De Jong, que trabalha também com menu fechado de múltiplos passos, incluindo sempre um impecável menu 100% vegetariano – provei e foi mesmo excelente.

Nos estrelados, ir na hora do almoço é uma ótima ideia: menu mais enxuto, nada de muvuca, cliente com mais energia e preços menos inflacionados. Recomendo fortemente o Joelia (fica dentro do Hilton Rotterdam), do chef Mario Ridder, e o descoladíssimo FG Food Labs, de François Geurds. Foi no FG Food Labs, a cozinha experimental com uma estrela Michelin do FG Restaurant (que tem duas), que tive a melhor refeição de toda a viagem holandesa: ousado, criativo, consistente – e tudo isso na medida. Sem afetações, com serviço ultra jovem e competente e uma carta de vinhos surpreendente – fiquei com a opção de cinco passos, mas eles servem até nove.

E para fazer a digestão, a cidade ainda tem alguns dos melhores cafés (em sabor e ambiente) que provei na Holanda, como o excelente Heilige Boontjes, que ainda faz um tremendo trabalho de rehabilitação social com seus baristas.

Em Roterdã luxo também é comer bem.