Shangri-la Paris: oásis na cidade-luz

Shangri-la Paris: oásis na cidade-luz

Mari Campos

02 Maio 2018 | 19h57

Detalhes, detalhes, detalhes. Crédito: Mari Campos


Paris é uma das cidades mais férteis do planeta em hotelaria de luxo: tem um dos maiores percentuais de hotéis de luxo do planeta (no total de acomodações disponíveis) e, não contente com a categoria “luxo”, ainda desenvolveu a categoria “Palace” (o selo “hotel palácio”, criado pelo governo francês) para aqueles hotéis que merecem mesmo uma distinção especial pela excepcionalidade. Nesta última viagem a Paris, me hospedei novamente em dois destes hotéis-palácio da capital francesa; e um deles ainda não tinha aparecido aqui nestas páginas: o Shangri-la, Paris, parte da luxuosa rede asiática de hotéis. 

Localizado no oitavo arrondissement, a duas quadras das margens do Sena, o hotel ocupa o prédio que foi mansão privativa de Roland Bonaparte, sobrinho de Napoleão e excêntrico botanista. Repaginado – mas sem perder o charme e o rococó do edifício original, num estilo que está mais para Louis XIV que Napoleão – , o prédio hoje abriga os 101 quartos e suítes com algumas das melhores vistas da hotelaria parisiense. Alguns deles têm vista exuberante para a Torre Eiffel, do outro lado do rio, daquele tipo difícil mesmo de repetir – e com uma proximidade impressionante da dama de ferro!

O decor dos quartos não é inventivo (acho até que falta um certo twist), mas combina com o estilo prédio, apostando no estilo clássico, cheios de tons de bege, creme, cinza ou azul clarinho. As camas são enormes, altas e deliciosas, e os móveis classudos – poltronas, escrivaninhas, aparadores, penteadeiras etc – não apenas decoram o quarto como também se encarregam de esconder fios e cabos, deixando o ambiente bem livre de interferências.  Os quartos são todos diferentes entre si – alguns são duplex, outros têm banheiros enormes, outros têm terraço ou balcão, outros ainda halls e corredores como pequenos flats – e nem todos têm vista para a torre; mas os que têm seguramente valem o plus no preço pela vista inigualável.

Vista arrebatadora para a Torre Eiffel a partir de muitos dos quartos e suítes do hotel. Crédito: Mari Campos

Cheio de espaços diferentes (incluindo uma área de convenções com salões que parecem saídos de Versalhes), tem desde lounges exclusivos para check in e check out até um adorável “jardim secreto”, acessível pelo spa, com estonteante vista para a Torre Eiffel. Para completar, um luxuoso spa by Carita com direito a uma imensa piscina (cheia de luz natural durante o dia) e respeitável hamman.

O serviço é realmente impecável, dos doormen à recepção, das camareiras aos restaurantes. Os restaurantes, aliás, são por si só um belo pretexto para visitar o hotel, mesmo para não hóspedes: gastronomia de primeira linha em todos eles.  O belo L’Abeille, sob comando do chef Christophe Moret, tem duas estrelas Michelin; o impecável Shang Palace, também estrelado no Michelin e comandado pelo chef Samuel Lee Sum, tem seguramente a mais autêntica cozinha cantonesa de Paris; e o La Bauhinia, aberto do café da manhã ao jantar, tem cozinha franco-asiática deliciosa e serve também buffet de chá da tarde. E ainda tem um belo bar que vive lançando novos menus de coquetéis exclusivos.

Ou seja: um hotelaço que merece a alcunha de palácio e que vale o quanto pesa. E, mesmo que isso seja uma pequena fortuna em boa parte do ano, se justifica, e muito, sobretudo para celebrar ocasiões especiais.