Washington e a hotelaria de luxo

Washington e a hotelaria de luxo

Mari Campos

14 Junho 2017 | 20h56

Estou terminando hoje uma viagem de duas semanas incríveis em Washington. É bem verdade que escapei uns bons dias por cidadezinhas e distritos dos arredores, mas passei a maior parte do período em DC mesmo e ainda faltou tempo para ver tudo o que queria. A cidade mudou impressionantemente desde minha última visita, há longínquos dez anos.


Os ótimos museus ainda estão todos lá, incríveis como eu lembrava – e ganharam novo e imperdível reforço com o Museu de História Afro-Americana, recentemente inaugurado. Mas a cidade tem toda uma nova bossa, tomada por diversos bairros trendy em franca ebulição – e cada um com uma personalidade diferente, para cada um realmente achar sua tribo por lá.

O transporte público continua excelente, o Uber funciona muitíssimo bem e também usei (e aprovei) o excelente serviço de transfer privativo oferecida pela Reston Limo nos trajetos entre hotel e aeroporto. Bons restaurantes e bares, ótimas vinícolas, cervejarias e destilarias artesanais também dão ainda mais gás para quem tem tempo para explorar bem a cidade e seus arredores (em lugarzinhos como Alexandria, Fredericksburg, Occaquay e Richmond, por exemplo).

Com tantas atrações e tão intensa vida política, Washington sempre primou pela hotelaria de luxo – e com preços mais camaradas que Nova York, por exemplo. Se antes os hotéis de alto padrão concentravam-se mais nas redondezas da Casa Branca e do Capitólio, ao longo dos anos este cenário foi mudando e é possível encontrar ótimas opções de hospedagem neste segmento em bairros completamente distintos da cidade. Aproveitei esta longa temporada para testar e visitar vários hotéis deste mercado por lá. No saldo final (porque, sim, rolaram decepções monumentais também), quero falar especificamente sobre quatro deles.

Four Seasons Washington DC. Crédito: Mari Campos

 

Primeiro, o lindo Four Seasons Washington DC, que fica instalado num lindo prédio histórico de Georgetown, um dos meus bairros preferidos na cidade – e com inúmeras lojas, cafés, bares e restaurantes a passos de distância. O hotel passou por duas renovações em dez anos, o que garante quartos e áreas comuns tinindo e com uma vibe muito mais contemporânea do que o exterior do edifício poderia sugerir – e justificam ter aparecido na Gold List da Conde Nast. Excelente spa no subsolo, bom restaurante (com aquele que é considerado o melhor hamburger da cidade) e um adorável wine bar (o sempre ultra movimentado ENO). Staff ultra atento, excelente concierge e ainda 1650 obras de arte originais espalhadas pela propriedade, de Bottero a Wahrol.

Mandarin Oriental Washington DC. Crédito: Mari Campos

Depois, mudei para o Mandarin Oriental Washington DC, localizado a poucas quadras do National Mall, a área da cidade que reúne Capitólio, obelisco, monumento a Lincoln e alguns dos melhores museus de DC. O hotel também passou recentemente por uma reforma milionária que deixou os ambientes mais leves, claros e com sensação de amplitude, inclusive nos tons da decoração dos quartos – mas confesso que senti, em geral, falta dos detalhes asiáticos característicos das propriedades da rede. Belíssimo spa no subsolo, ótimos sushis no restaurante e um belo executive lounge com vista para o Obelisco completam os atrativos – e deve ganhar um restaurante de chef-celebridade em breve. A área do hotel, localizado em frente à marina, passa por processo de construção e revitalização e deve virar um movimentado novo Waterfront a partir do final deste ano.

St Regis Washington DC. Crédito: Mari Campos

O St Regis Washington DC, a duas quadras da Casa Branca, também ocupa um prédio histórico mas faz o gênero mais classicão. O lobby impressiona, com direito a muito vermelho e dourado e teto original esculpido em madeira e folhas de ouro. É ali também o palco para o sabreamento de champagne que acontece todos os dias às 18h (sem custos para os hóspedes) e o impecável Ritual do Chá, servido diariamente entre 14 e 17h com chás do Palais des Thes e comidinhas Decanter. Anexo ao lobby, o bar criou sua própria versão de Bloody Mary (seguindo a tradição da rede) e lançou o Capitol Mary, à base de gin e que leva até camarão na composição.  As suítes passaram por recente remodelação, mas muitos quartos ainda precisam de reforma (sobretudo os do segundo andar, que têm banheiros bem pequenos e pouco funcionais). O hotel ainda oferece sem custo as incríveis bicicletas Shinola para quem quiser pedalar pela cidade.

The Darcy Washington DC. Crédito: Mari Campos

Mas a maior surpresa ficou por conta do novíssimo hotel boutique The Darcy, que acaba de ser inaugurado. Pequeno, discreto e ao mesmo tempo um pouquinho posh, tem tudo para virar um enorme sucesso na cidade. Parte da adorável Curio Collection dos hotéis Hilton, o The Darcy fica localizado entre os incríveis bairros de Dupont Circle e Logan Circle. Com um decor bem britânico, mas com cada quarto pontuado por pelo menos uma peça de cor bem vibrante, consegue ser confortável e sofisticado ao mesmo tempo, sem esforço. Empréstimo de bikes e happy hour no lobby fazem parte de qualquer diária. O Lil’B Coffee Bar serve comidinhas inspiradas em New Orleans e o ótimo e novinho Siren oferece a cozinha criativa de Robert Wiedmaier, com destaque para os frutos do mar – e a propriedade deve ganhar ainda mais um restaurante.