A Madeira está em chamas. O país está queimado

Margarida Vaqueiro Lopes

10 Agosto 2016 | 14h30

Todo o ano é o mesmo drama: Portugal se enche de incêncios assim que o tempo quente chega, e hectares e hectares de terra são destruídos. Esse ano, o grande drama – pelo menos até agora – está sendo no arquipélago da Madeira, onde o fogo desalojou mais de 1000 pessoas, matou pelo menos três outras e deixou marcas para sempre.

No Funchal, as pessoas não sabem o que pensar: hotéis, hospitais, edifícios históricos e tantas casas foram devoradas por chamas que teimam em não dar descanso. Os ventos que sempre assolam o arquipélago não ajudam, mas o que dói, realmente, é a falta de meios para prevenir e combater esse tipo de acidente que vem sendo demasiado recorrente no país.

Há quem acredite que há interesses envolvidos por detrás desses incêndios infernais; há quem ache que é somente a natureza com uma ajuda de mãe criminosa. Seja o que for, é demasiado para um país que nem tem tempo para cicatrizar as marcas dos incêndios de anos anteriores. É demasiado para populações que estão sempre esperando o pior do tempo seco.

Os incêndios no continente também não têm dado tréguas aos bombeiros de Portugal que combatem mais de uma dezena de fogos por esse país fora. Há mortos, há feridos, há desalojados e sobretudo, há muita confusão e muita tristeza por nunca se fazer o que é necessário para prevenir esses horrores: limpeza das matas, equipamento renovado para as corporações de bombeiros, operações de prevenção antes da chegada do tempo quente, enfim…


Esses dias, um piloto de aviões me dizia: “A gente sempre sabe quando, no Verão, estamos sobrevoando Portugal. Nem preciso olhar nos aparelhos. Espanha pode ter um ou outro incêndio, mas Portugal é ridículo: são sempre muitos fogos e de uma dimensão inacreditável”.

Mais do que apanhar os criminosos que devem cumprir uma pena exemplar!, Portugal precisa, urgentemente, de elaborar um plano que passe do papel para o terreno. Um plano que não seja delineado apenas durante o mês de Agosto, e que todo o mundo esqueça. Um plano que evite mais perdas de vidas, de casas, de edifícios. Um plano sério, que finalmente derrube interesses e descasos da classe política. Um plano que mostre que a gente tem líderes que são dignos desse nome: um plano que se importe com as pessoas e o país.

Que esse fumo que tolda o céu nesses dias possa valer de algo. Que as vidas perdidas possam nos fazer olhar para um projeto maior: o de sermos sérios, de vez, no combate a tudo isso!

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