Alerta: o Daesh – e a xenofobia – já está ganhando a Europa

Margarida Vaqueiro Lopes

07 Dezembro 2015 | 14h24

Essa segunda-feira a notícia não deixa margem para dúvidas: a Frente Nacional (FN), partido de extrema-direita francês, liderado pela radical Marine Le Pen, ganhou a primeira volta das eleições regionais em França. Em seis das 13 regiões francesas, a FN ganhou expressivamente, e alguns jornais franceses estavam dando como certa a vitória do partido na próxima volta, já esse Domingo, em Lille, em Marselha-Nice e em Estrasburgo.

A Frente Nacional garantiu 28,2% dos votos, enquanto os Republicanos (de centro direita, o partido de Nicolas Sarkozy) ficaram com 27% e o Partido Socialista, de Hollande, com 23,3%.

Muitos meios de comunicação social em França, tradicionalmente de esquerda, escreviam essa segunda-feira que o país estava em choque. Mas em choque de quê? Afinal, foram os eleitores quem foi às urnas votar em Marine Le Pen, que nunca escondeu a sua aversão aos refugiados e a sua veia xenófoba, que ganhou novo alento depois dos atentados do passado dia 13 de Novembro.

Aliás, em 2015 Le Pen foi ganhando popularidade depois do assassinato dos jornalistas do Charlie Hebdo, e o seu poder saiu reforçado nessas eleições, quando só falta um ano e meio para as eleições presidenciais em França.


Para a líder do FN, a solução para os refugiados passaria pela criação de “espaços militarizados” que os recebessem. Essas eria uma forma de “proteger os franceses”, afirmou ainda a responsável em declarações em Setembro passado. Na ocasião, Le Pen perguntou na televisão se era suposto, “por princípio, acolher todos os que venham de um país em guerra?”

Há pouco tempo Le Pen foi mesmo a tribunal por incitação ao ódio, ao comparar a emigração de muçulmanos a uma ocupação ilegal. “Uma ocupação de áreas, dos bairros em que a lei religiosa se aplica, é uma ocupação. Certamente, não há tanques, nem soldados, mas ainda sim é uma ocupação que pesa sobre as pessoas”.

Os partidos de extrema direita estão crescendo de popularidade na Europa e isso não é surpresa nem novidade. O que é assustador é que um país de gente alegadamente inteligente como a França, e que ainda há poucos anos elegeu um presidente socialista, de repente acredite que a solução é colocar Marine Le Pen no poder. A xenofobia, a islamofobia, o ódio em si contra outros não deveria sequer ser uma opção numa Europa que é feita de uma miscelânea imensa de povos e que até há pouco tempo batalhava para conseguir que o acordo de Schengen fosse implementado.

A Europa, berço de liberdade, de uma cultura que são várias, de uma tolerância que dificilmente se encontra noutros lugares, está regredindo, porque está cedendo ao ódio. E se havia dúvidas de que o Daesh – ou auto-proclamado estado islâmico – tinha ganhado, essas dúvidas se dissiparam na manhã dessa segunda-feira.

O ódio está ganhando e o projeto europeu, que conseguiu não morrer com a crise, está morrendo às mãos de gente radical, sem escrúpulos e que está muito esquecida da História. Não precisamos recuar muito tempo para lembrar exatamente como começou o Holocausto…

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