Apaguem esse fogo!

Margarida Vaqueiro Lopes

17 Agosto 2017 | 13h27

A dois dias de começarem minhas férias de verão, tinha pensado em um monte de assuntos para escrever aqui: deixar dicas de mais restaurantes, de cervejas artesanais incríveis que estão aparecendo no mercado nacional, indicar quais as regiões legais para visitar durante uma viagem a Portugal (começar no Douro, passar no Alentejo, falar do Algarve e claro, do Oeste onde cresci). Pensei em um monte de coisa mas aí meu país voltou a arder. Gente, e como arde.

A essa hora (16h30 em Lisboa, 12h30 em SP), há 60 incêndios ativos no país. Desses, 16 ainda estão em curso, e 12 estão em resolução – eu podia me animar com esse último número, mas nos últimos dias, vários incêndios que chegaram a essa fase de estarem dominados, fugiram do controlo umas horas depois. Já tem mais um monte de cidadezinhas evacuadas e estradas cortadas. Desde manhã cedo que as comunicações móveis deixaram de funcionar nas regiões mais afetadas, fazendo com que muita gente não conseguisse contatar familiares e amigos. Atualmente estão mais de três mil pessoas combatendo as chamas, com a ajuda de 900 carros e 30 meios aéreos.

O cenário é desolador de norte a sul do País, com especial enfoque no centro de Portugal, onde as populações estão sendo severamente castigadas com fogo e fumo. Resta pouco para arder – que alívio, né? – porque já ardeu tudo. Portugal é um país negro, manchado pelas mortes de Pedrogão mas sobretudo por uma inércia política gravíssima. Há 14 anos que os incêndios não eram tão graves, mas todo o mundo sabia que era uma questão de tempo: afinal, se você continua seguindo o mesmo plano que não foi capaz de impedir os primeiros incêndios, como não esperar suas repetições?

Conheço gente que passou o final de semana salvando a sua casa, a sua parcela de terra das chamas. Conheço gente, bombeiros, que desde que o Verão começou não tem descanso com tanto fogo. Conheço jornalistas que não folgam há semanas para conseguir acompanhar todas as tragédias ou para fazer as perguntas certas a quem tem que dar respostas. Conheço gente que largou tudo para ir ajudar quem ficou sem coisa alguma. Conheço gente que está nas cidades que já passaram por isto e que veem as pessoas resignadas, sem apoios mas também sem vontade de lutar.


E enquanto escrevo isso tento entender o que podemos fazer para ajudar essas pessoas. Mais do que ajudar essas pessoas – que felizmente estão recebendo algumas ajudas – ,como fazer para obrigar as autoridades a evitar que isso se repita daqui a uns anos, quando Portugal voltar a estar verde e cheio de combustível para arder…

Porque, honestamente, por esses dias só tenho vontade de entregar a chave do país para alguém que tome conta dele, dê uma surra nos últimos ministros que têm esquecido as suas responsabilidades e façam alguma coisa por um povo que não sabe a quem recorrer.

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