Cinco acontecimentos nacionais de 2015 que ficarão na História

Margarida Vaqueiro Lopes

30 Dezembro 2015 | 09h48

O ano de 2015 está terminando e parece que passou voando. No entanto, esse foi um ano cheio de momentos que certamente marcarão a História de Portugal, em diversas áreas. Escolhi cinco, em jeito de resumo, para que não fique demasiado aborrecido. A menos de 48 horas da virada do ano, nada como recordar o que importa, esquecer o que de menos bom passou e encher a cabeça de desejos para um 2016 incrível para todo o mundo:

Abril – Morreu, aos 106 anos, o realizador de cinema Manoel de Oliveira. Nas palavras do ator americano Johm Malkovich, “quem o conhecia acreditava que ele poderia ser o primeiro homem a não morrer”. Aclamado pela crítica – sobretudo internacional – Manoel de Oliveira foi durante muitos anos o realizador mais velho do mundo no ativo, e foi também o cineasta com a mais longa carreira: 88 anos produzindo produzindo filmes. Foi responsável por dezenas de produções (curtas e longas metragens, documentários) e ganhou inúmeros prêmios.  Apesar de em Portugal haver muito pouca gente que goste de ver os seus filmes, o cineasta era muito acarinhado pelo público sobretudo pela sua força de viver.

Junho – A TAP foi privatizada, sendo a maioria do capital vendida a David Neeleman, dono da companhia aérea brasileira Azul. Foi um dos momentos mais críticos em termos políticos e econômicos  no país. A companhia aérea bandeira foi vendida por 40 milhões de euros, um valor muito abaixo daquilo que é o potencial da empresa. Vários protestos, greves e críticas encheram o país nas semanas antes, mas o Governo de Pedro Passos Coelho não escutou e vendeu mesmo a TAP.

Julho – O antigo presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, é preso, depois de ter sido constituído réu no caso Universo Espírito Santo. Ricardo Salgado foi, durante décadas, presidente de um dos mais reputados bancos portugueses, e líder de uma das famílias mais poderosas do país. Em 2014 o BES faliu de repente, e em 2015 ele foi detido preventivamente. Um marco que ficará para sempre na História financeira do país.


Setembro – José Sócrates, ex-primeiro-ministro, que estava preso preventivamente desde Novembro de 2014, ficou sujeito apenas a liberdade condicionada (não pode abandonar o país). O inquérito que tem Sócrates no meio e que investiga a possibilidade de ele estar envolvido em lavagem de dinheiro, corrupção e mais alguns crimes de ‘colarinho branco’ ainda não está terminado. Em Dezembro, Sócrates deu a primeira entrevista à televisão para falar sobre ter estado preso…Ele se considera um preso político. Ah.

Outubro – As eleições legislativas em Portugal têm um desfecho nunca antes visto: o governo de coalizão de direita que ganhou nas urnas – e que estava governando no mandato anterior –  toma posse, mas doze dias depois cai no Parlamento, com todos os deputados de esquerda a votar uma moção de censura. António Costa, presidente do principal partido da oposição, o Partido Socialista, foi nomeado primeiro-ministro de Portugal. Isso mesmo: o partido que não ganhou ficou governando. Ainda se mantém no poder.

Caros leitores, havia muito mais para dizer, mas agora não é hora de ler textos demasiado longos. O ano está terminando e para o próximo desejo que todos vós consigam concretizar tudo o que merecem! Um abraço do tamanho desse oceano que nos separa. E um obrigada por continuarem a vir aqui ler essa portuguesa que vos escreve com muita saudade desse país.

Até para o ano!

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