Cinco tradições natalinas portuguesas

Margarida Vaqueiro Lopes

21 Dezembro 2015 | 08h30

 

Passar o Natal no hemisfério norte é muito diferente de passá-lo no hemisfério sul. É que trinta graus de diferença na temperatura ambiente podem, realmente, mudar os hábitos e as tradições. Em vésperas de Natal, deixo-vos cinco tradições natalinas que a gente em Portugal não dispensa. Todas elas são acompanhadas, naturalmente, de roupa muito quente, luvas e de botas de frio.

1. O Natal é, por definição, uma festa de e para a família. Então, no dia 24, a gente começa por se reunir, por norma na casa dos pais ou dos avós. Essa é uma tradição de que ninguém abdica porque passar a consoada em casa de quem mais gostamos é um regresso incrível às memórias de infância. A casa se enche dos cheiros tradicionais (falamos disso nos próximos pontos) e de todas as recordações de tantos anos, para além de juntar a família toda: primos, tios, pais, irmãos, maridos, mulheres, sogros, avós…depende das famílias e do tamanho das mesmas, mas a teoria é sempre a mesa: voltar à casa de família. Se der para passar lá o 25 de Natal, melhor ainda;

2. A casa está decorada com uma linda árvore de Natal e um presépio, que tem por base musgo fresco e muito verdinho. Português adora presépios enormes, daqueles que têm, para além da Sagrada Família, as lavadeiras, os pastores, todos os animais do mundo e claro, os Reis Magos;


3. Toda a quadra natalícia é recheada de doces tradicionais: rabanadas (ou fatias douradas, que basicamente são fatias de pão frito), filhós (farinha e ovos, por vezes abóbora e raspa de laranja, e frita em azeite), sonhos de Natal (é um doce bem parecido com bolinho de chuva, mas a massa fica bastante mais leve, com mais ar, o que os torna absolutamente viciantes!, ehehe), coscorões (um outro doce frito, mas com uma massa estaladiça)  e claro, Bolo-Rei! O Bolo-Rei está para Portugal como o Panetone para o Brasil: ele é feito com frutas cristalizadas e frutos secos, e não pode falhar em qualquer mesa de consoada;

4. Outra questão da quadra natalina é que em Portugal os jantares de comemoração se multiplicam: eles podem começar logo em Novembro e se estender por todo o mês de Dezembro. Tem o jantar da firma, dos amigos da escola, dos amigos da faculdade, dos amigos de casa, dos amigos dos amigos… na verdade tem jantar que a gente quiser, e quase sempre tem troca de presentes com amigo oculto. É um problema para a carteira, mas super legal para matar saudade de todo o mundo que a gente não vê há uns tempos;

5. O jantar da noite da consoada é sempre bacalhau cozido, super simples, acompanhado com batatas e legumes. A ideia é fazer um jantar relativamente simples, para depois do nascimento do Menino Jesus nos podermos desforrar na mesa da consoada! A noite de 24 varia de casa para casa, porque há famílias que abrem os presentes logo após a refeição e outras que o fazem depois da Missa do Galo. Por norma, a celebração é à meia noite, mesmo, e é fácil encontrar uma enorme fogueira à porta de várias Igrejas. Ela serve para, antes da celebração ou no final dela, as pessoas se esquentarem enquanto desejam Boas Festas uns aos outros. Depois disso, a mesa da consoada é oficialmente aberta: há carnes, todos os doces, chocolate quente e chá. Geralmente o resto da noite é passado à lareira, com toda a família conversando e matando saudades. No dia 25 de Dezembro, o almoço é, por norma, peru bem assado no forno.