Coimbra: Capital dos Amores

Margarida Vaqueiro Lopes

30 Janeiro 2017 | 10h36

A cidadezinha de Coimbra é também conhecida como a capital dos amores ou a cidade dos estudantes, entre os portugueses. Fácil entender porquê: foi ali que D. Pedro I e D. Inês de Castro viveram a mais conhecida – e dramática – história de amor portuguesa, e é de Coimbra a mais antiga Universidade do país (foi criada em 1290, no reinado de D. Dinis).

Tudo em Coimbra nos remete, portanto, para a época medieval. Nas margens do rio Mondego é fácil imaginar como seriam as cortes e visualizar os nobres passeando de mão dada nas avenidas, enquanto os mais pobres tentavam ganhar o seu sustento.

Pelas ruelas da cidadezinha é também fácil imaginar os estudantes de capas negras – o traje académico aparece algures no século XVII – subindo a colina até à Universidade. Nos lindos jardins da Quinta das Lágrimas – que podem ser visitados todos os dias exceto à 2.ª-feira – a história de Pedro e Inês se torna ainda mais real, ao olhar como tudo está quase intacto desde o século XIV. Era ali um dos lugares favoritos dos amantes, que se encontraram junto à Fonte dos Amores e à Fonte das Lágrimas durante muitos anos, e ali passearam com os seus filhos. Reza a lenda que foi ali, também, que D. Inês de Castro foi assassinada, embora os fatos históricos apontem o lugar da morte para o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, lugar onde Inês de Castro foi enclausurada por muito tempo.

É ainda possível visitar o Mosteiro, hoje em ruínas, depois de ter sofrido por muitos anos com as cheias provocadas pela subida das águas do rio Mondego. No entanto, passear por entre o que resta do monumento gótico é uma autêntica viagem no tempo e nos amores da corte portuguesa.


A menos de 2 horas de distância de Lisboa – se pegar um trem é 1h30 –, Coimbra é uma visita que super vale a pena. Em termos arquitetônicos, não deixe de visitar a Sé Velha (estilo românico) e a Sé Nova (estilo barroco), a Universidade de Coimbra – que tem construções do século XVIII, como a Biblioteca ou a Torre, e outros tantos do século XX, mas que constituem um conjunto absolutamente incrível.

Do lado da Sé Nova tem o Museu Nacional Machado de Castro, um dos mais importantes quando se fala de escultura, e sob o qual existem magníficas ruínas romanas. O museu ocupa aquilo que foi o Paço Espiscopal de Coimbra e do lado nasceu o Loggia, o restaurante que tem, possivelmente, a mais bonita vista sobre a cidade.

Se colocar essa cidade na agenda, não deixe de assistir também a um espetáculo de Fado de Coimbra: a canção que se tornou super conhecida pelas vozes e guitarras dos estudantes é bastante diferente do Fado tradicional português, e na verdade ninguém sabe bem a sua origem: há quem diga que deriva das canções medievais, quem defenda que é uma evolução do fado de Lisboa…a verdade é que é incrível, e que é somente cantado por estudantes ou antigos estudantes da Universidade. Aconselho o Fado ao Centro para escutar um show, tomar um vinho do Porto e saber tudo sobre essa canção – os caras até estão fazendo guitarras numa oficina super incrível!

E hoje não sugiro restaurantes em Coimbra sob pena de esse blogue parecer um livro de comida, somente. Mas se quiser, me contate que eu dou umas dicas.

Boas viagens!

 

Jardim Quinta das Lágrimas

Horário de verão (16 Março a 15 de Outubro)

10h – 19h

Horário de inverno (16 de Outubro a 15 de Março)

10h – 17h

Quanto custa?

2,5 euros (visita guiada: 5 euros)

Bilhete de família (4 pessoas): 5 euros

 

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Horário de verão (Abril a Setembro)

10h – 19h

Horário de inverno (Outubro a Março)

10h – 18h

Quanto custa?

4 euros

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