De prefeito a premiê

Margarida Vaqueiro Lopes

07 Novembro 2014 | 09h06

Lisboa está num impasse. O atual prefeito decidiu se candidatar a líder do principal partido da oposição, o que significa que vai entrar na corrida a premiê no próximo ano. António Costa, dirige a Câmara Municipal de Lisboa – o equivalente à prefeitura –  desde 2007.

E se os primeiros anos foram complicados, mas depois de 2009, Costa sempre governou com maioria absoluta. Durante o seu mandato, a dívida da cidade caiu – muita ajudada pela conveniente chegada de 271 milhões de uma antiga dívida do Estado à cidade – desde 1989 que esse montante era esperado.

Durante os últimos sete anos, António Costa fez obras, obras e obras. O Marquês de Pombal esteve um caos durante vários meses porque o sentido do trânsito precisava ser alterado, de forma a fluir melhor. Resultado? Quando as obras estavam pratiacmente acabadas, um cidadão comum, aposentado, passou junto da equipe da prefeitura e avisou que não havia escoadouros. Mais uns meses de obra para resolver.

O trânsito até que melhorou mas a verdade é que ao mesmo tempo a prefeitura impôs uma série de leis para tirar carros do centro da cidade: aumentou o preço do parqueamento e diminui o tempo em que ele é permitido. Aprovou uma diretiva que impede que carros com mais do que uma certa idade andem no centro de Lisboa, justificando a decisão com a emissão de gases.

Agora, coisas boas: foi sob a batuta de António Costa que a zona ribeirinha – como a gente chama junto ao rio Tejo – foi recuperada, e agora é um lugar onde famílias e turistas podem passear. Foram meses de obras que pararam o trânsito, mas realmente ficou bonito. Também foi ele o responsável pela reabertura do Arco Triunfal da Rua Augusta ao público. E também foi nos últimos anos que Lisboa tem recebido distinções e mais distinções por ser uma das cidades mais legais para visitar, passear e por aí vai. Dizem os números que passaram por aqui mais de 30 milhões de visitantes nos últimos anos! Sei que para vocês, moradores de um país com 200 milhões de pessoas, pode parecer pouco. Mas gente!, Portugal tem a mesma população que a cidade de São Paulo, né? Então vamos valorizar esses números, tá?

Mas me deixem falar de uma coisa que me incomoda – para além do fato de o cara andar fazendo campanha para premiê quando ainda é prefeito, mas isso, gente…quem nunca, né?

Talvez vocês tenham lido que Lisboa já inundou duas vezes nos últimos dois meses. E o Inverno – que é a nossa época das chuvas – ainda nem começou. A cidade inundou longe do rio – inundar junto do rio já é bem normal há muitas décadas – e houve carros boiando, estradas cortadas, filas intermináveis, pessoas sendo arrastadas…juro que dava uma comédia. Aí, foram pedidas explicações ao prefeito. Sabe o que ele respondeu? “São Pedro goza de um estatuto de imunidade que está acima de responsabilidades” .

E é isso, gente legal do Brasil. O prefeito de Lisboa, que pode virar premiê já no ano que vem, acredita que não pode fazer coisa alguma para resolver as cheias em Lisboa. Vamos ver o que ele faz com a Assembleia da República, né?