Dois séculos de História na Haddock Lobo

Margarida Vaqueiro Lopes

28 Julho 2016 | 08h08

© 2016 Sambando em Lisboa. All Rights Reserved

Ter o bondinho de Santa Teresa à mesa, com uns queijos. Ou o Corcovado. Bem do lado, o castelo de São Jorge, no topo de uma colina lisboeta, pode ficar com umas tostas. O azeite de oliva, que sempre sabe bem com um pedaço de pão italiano, pode ficar por cima da calçada portuguesa. Não está entendendo nada da conversa? Eu explico: essas são apenas algumas das opções de loiça que a Vista Alegre Atlantis, uma casa portuguesa com mais de 100 anos, oferece.

Tem também peças exclusivas desenhadas por Cândido Portinari, Beatriz Lamanna, Siza Vieira, Matteo Pagani ou as casas Christian Lacroix e Oscar de La Renta. Não acredita? É dar uma olhada no sítio da loja na internet e conferir as várias coleções, designers e opções que a Vista Alegre tem para você. Ou então vá até Jardins e procure pelo número 1553 da Haddock Lobo: vai se maravilhar com o que vai encontrar lá dentro.

Peças mais clássicas e pintadas à mãos, peças com designs mais modernos e arrojados para agradar aos mais jovens, serviços de mesa que são pura decoração…tem para todos os gostos. E bolsos, claro.


Fundada em 1824, a fábrica da Vista Alegre foi a primeira a produzir porcelana em Portugal. Quase 200 anos depois, a mesma fábrica continua produzindo a todo o vapor, depois de quase ter chegado à inadimplência, no início dos anos 2000, por várias falhas na gestão da empresa, que tem mais de um milhar de funcionários. Comprada em 2009 pelo grupo Visabeira, a casa não se reinventou, mas antes voltou aos seus princípios de sempre: muita qualidade, foco num segmento mais de luxo, parcerias com vários artistas – desde 1920 que as fazia – e uma aposta grande na exportação.

Durante esses dois séculos a marca tem sido uma referência na porcelana: reis e rainhas, presidentes e ministros sempre se orgulharam de ter serviços de mesa com o selo Vista Alegre, geralmente coleções pintadas à mão e muitas delas exclusivas. A fábrica, recentemente remodelada – com um investimento de muitos milhões de euros – produz durante sete dias por semana, e super vale uma ‘visita de estudo’: afinal, não é todos os dias que pode ver loiça ser pintada à mão, pratos sendo cozidos em fornos gigantes, um museu onde estão todas as coleções que a Vista Alegre já produziu entre tantas outras coisas.

A marca recebeu esse nome porque a fábrica foi construída num lugar chamado ‘Lugar da Vista Alegre’, perto da cidade de Aveiro, onde Pinto Basto, o fundador, tinha também uma casa onde viveu até morrer. Essa casa é hoje um hotel de 5 estrelas, tendo sido toda remodelada e que ganhou, naturalmente, uma extensão que lhe permite ter dezenas de quartos e todas as comodidades de um empreendimento de luxo. E claro, parte das paredes estão pintadas à mão pelos artistas da Vista Alegre. Valem bem passar lá uma noite.

Para além de Pinto Basto, viviam também em redor da fábrica os trabalhadores: a empresa sempre disponibilizou habitação para os funcionários, para além de uma escola infantil, um teatro e um clube de futebol que, diz-se, terá sido o primeiro a existir em Portugal.

Uma visita à Vista Alegre é uma visita a um pouquinho da história de Portugal. Se está em Portugal, gaste um dos seus dias indo lá – e aproveitando para levar para casa um monte de peças da marca a preço de fábrica (quem não adora uma pechincha?). Se não está em Portugal, caminhe até à Haddock Lobo para conferir o que estou dizendo. Se não está em São Paulo, também, visite a página na internet e escolha já qual o próximo presente que vai oferecer. A alguém ou a si, mesmo! 🙂

Acompanhe o blogue no Facebook e no Instagram