Douro: o cenário que não se pode esquecer

Margarida Vaqueiro Lopes

14 Setembro 2015 | 09h57

Esse final de semana tive o privilégio de ir até ao Douro, no norte do país, acompanhar parte das vindimas e provar alguns deliciosos vinhos da região e vinhos do Porto. Foram três dias bem corridos entre viagens de trem, de carro e de muita gente para conhecer e muita coisa para aprender. Mas aí houve dois ou três momentos em que tive o privilégio de respirar, sozinha e em silêncio, de olho naquela paisagem incrível que a gente acha que só existe fora desse pequeno país de Camões.

Já são muitos os turistas que não se limitam a conhecer Lisboa ou as praias do Algarve, e que começam a passear pela região. O Douro está, sobretudo, carregado de história ao invés de estar carregado de gente. E isso muda toda a experiência.

Para quem vem do exterior, o mais fácil é chegar no Porto – ou em Vila Nova de Gaia, a cidade que fica na outra margem – de trem. As ligações de Lisboa ao Porto são ótimas e a viagem demora pouco mais de duas horas, no Alfa Pendular (o trem rápido).

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Depois, passear à beira rio e se perder na cidade do Porto é programa para apaixonar qualquer um – e preparar o corpo para a prova de vinhos vários, eheh.

Dois lugares apenas para sugerir, um no Porto e outro em Gaia, porque o ideal mesmo é se perder nas cidades e entrar onde der vontade.

No Porto, o Stash, um restaurante que serve sanduíche de atum, vegetariana ou de barriga de porco. O chef responsável pelo espaço tem uma estrela Michelin (e um restaurante supre chique na foz do Douro) e as sanduíches de pão artesanal podem – ou devem – ser acompanhadas por um copo de espumante da região. As fritas são caseiras, bem como os molhos que acompanham.  Uma experiência incrível e barata (os preços variam entre os 3,5 euros e os 10 euros).

Em Gaia, o restaurante DeCastro Gaia, que fica no espaço Porto Cruz, bem junto do rio. O responsável do espaço é o conhecido chef português Miguel Castro e Silva, que é mestre em dar um toque moderno à comida tradicional portuguesa. Tem pratos normais ou petiscos (porções) que podem e devem ser harmonizados com vinho do Porto. Um lugar ótimo para jantar com amigos ou ter um jantar romântico e super português.

Depois, siga para o Douro. O mais legal é fazer a viagem de barco, logo pela manhã,  através de uma das várias empresas turísticas que oferecem o serviço. A maior parte deles inclui refeições a bordo (o percurso é demorado) e depois tem duas opções. Regressar no mesmo dia para o Porto ou escolher um dos lugares lindos que existem para dormir no Douro, e relaxar durante um ou dois dias. Geralmente são casas inseridas em enormes propriedades que produzem vinho e que têm uma vista absurda de tão linda (como o Six Senses Douro Valley ou a Quinta Nova).

Prove os vinhos, se delicie com a comida, respire aquele ar do campo que não encontra em outro lugar e aprenda tanto, tanto sobre a história de Portugal, do vinho, da vida dura que muita gente enfrentou durante séculos para manter uma tradição que levou o vinho do Porto tão longe no mundo. E claro, aproveite para comprar várias garrafas do verdadeiro vinho para casa.

Isso tudo para dizer: por favor!, se vier a Portugal, não deixe de conhecer o Douro. Reserve JÁ pelo menos uns quatro dias para dedicar à região norte. Prometo que não vai se arrepender!