É Natal! É mesmo?

Margarida Vaqueiro Lopes

15 Dezembro 2016 | 09h21

Mulheres pediram autorização às famílias para matar filhas, de forma a evitar que sejam estupradas. Mulheres se suicidam para evitar ser estupradas. Crianças presas dentro de um edifício, sem as famílias perto, assistiram – ou pereceram – a um ataque sem precedentes contra ele.

Parece filme, não é? Mas há mais. O cerca de meio milhão de crianças que vivem na cidade de Alepo, na Síria, estão severamente traumatizadas pela guerra que há quase seis anos se trava no país. Para esses meninos, bombas, medo, escassez de alimentos e guerra são tão naturais como para nós acordar de manhã e sair para dar um passeio no parque, deixando estragar aquela comidinha que ficou dentro da geladeira porque preferimos tomar o café da manhã fora. Muitas delas já nasceram durante a guerra e vêem regularmente coleguinhas de escola ou professores sendo mortos.

O silêncio do mundo está destruindo Alepo. Porque a gente se emociona com as histórias que chegam de lá – já aqui escrevi sobre uma mãe Síria, lembram? -, partilhamos nas redes sociais, nos chocamos com as notícias, mas na real? Nenhum de nós está fazendo coisa alguma para mudar isso. Mudamos de canal, vivemos nossa vida todos os dias e esquecemos que ali estão homens e mulheres como nós, que há meia dúzia de anos tinham uma vida como a nossa; que crianças estão crescendo sem poderem ser crianças. E isso me retira toda a fé na humanidade.

Aproveitando que estamos entrando no Natal, tenho um desafio para todo o mundo, esse ano. Ao invés de gastarmos um bom dinheiro em presente de Natal que serve para muito pouco, vamos usar essa verba para ajudar essa gente?


Escolhi três organizações que estão no terreno – há outras, naturalmente – que aceitam donativos internacionais de uma forma rápida e fácil. Se cada um de nós escolher um, esse Natal será bastante diferente para muitas crianças!

Médicos sem fronteiras

Há cada vez menos médicos em Alepo, pelo que a organização Médicos sem Fronteiras está sendo fundamental para ajudar na manutenção dos poucos hospitais e centros de saúde que ainda restam. Ajudar a organização é garantir, também, que haverá material médico para ajudar todos os feridos dessa guerra sangrenta – segundo informação do Huffington Post os Médicos sem Fronteiras não estão autorizados a entrar na cidade, mas continuam ajudando nos arredores.

Saiba mais aqui.

Preemptive Love Coalition (Coalizão de Amor Proativo, numa tradução livre)

Esta ONG ajuda a prover as mais básicas necessidades às pessoas desalojadas: cuidados médicos, abrigo, água e comida. Assim que conseguem suprir essas questões mais prementes, a organização ajuda-as então a recomeçar a vida, dando apoio na procura de emprego e na reintegração das crianças em colégios. Atualmente, essa ONG já ajuda mais de 20 mil pessoas desabrigadas.

Saiba mais aqui.

Syria Relief  (Alívio na Síria, numa tradução livre) 

Essa organização faz, para mim, um dos trabalhos mais importantes no terreno: para além de ajudar também com questões básicas como comida, abrigo e educação, dá apoio psicológico às pessoas de Alepo. Iniciaram recentemente um centro de apoio mental para acolher aqueles que estão mais profundamente traumatizados com o inferno que vive a Síria.

Saiba mais aqui.

 

Eu já fiz minha doação, e espero poder continuar a fazer. Não consigo imaginar o que seja viver com bombas sobre a cabeça, e com o medo como companhia diária. Também está nas nossas mãos ajudar a acabar com esse flagelo, ajudando essas organizações e exigindo que os nossos líderes não se calem perante tudo o que está acontecendo. Ainda não sei exatamente como poderemos ser mais efetivos na ajuda a terminar com essa guerra absurda, mas estou bastante decidida a tentar descobrir uma solução!

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Imagem retirada da internet