Grécia obriga prefeituras a depositar reservas no Estado

Margarida Vaqueiro Lopes

20 Abril 2015 | 15h01

O governo liderado por Alexis Tsipras está ficando sem fôlego para conseguir cumprir as obrigações que tem junto dos credores internacionais e tomou essa segunda-feira uma decisão que classificou de “necessidade extrema e imprevista”.

O executivo helênico aprovou um decreto-lei que obriga a que todas as prefeituras e outros organismos públicos depositem suas reservas financeiras no banco central grego. Essa poderá ser a solução para a Grécia não falhar o próximo pagamento ao Fundo Monetário Internacional, que tem que acontecer no dia 12 de Maio, no valor de 750 milhões de euros (2,5 bilhões de reais). Esse decreto-lei foi classificado de urgente. “As entidades da administração central ficam obrigadas a depositar as suas reservas financeiras e a transferi-las para as suas contas no Banco da Grécia”, diz o decreto presidencial publicado em Diário Oficial e citado pelas agências internacionais.

A Bloomberg escrevia há pouco que essa medida poderá significar mais de dois bilhões de euros (cerca de 6,5 bilhões de reais) para dentro dos cofres do Estado, o que daria algum conforto de liquidez para o Executivo. Duas fontes disseram à mesma agência que se não fosse tomada essa decisão, o governo não teria com que pagar salários, pensões e ainda a dívida ao FMI.

Convém lembrar, ainda, que Tsipras e Varoufakis já usaram os fundos de tesouraria de universidades, hospitais e fundos de pensões para garantir liquidez. Isso acontece na mesma semana em que os ministros das Finanças da Europa se encontram numa reunião informal, em Riga. Próxima sexta-feira os responsáveis deverão falar da Grécia, embora ninguém espere grandes decisões do encontro.


O que é certo é que já várias fontes estão dando como certa a existência de grupos de trabalho, nos organismos europeus, que se estarão preparando para uma eventual saída da Grécia do euro. O regresso à velha dracma nunca pareceu tão próximo.