Mãe d’Água

Margarida Vaqueiro Lopes

23 Junho 2016 | 10h39

Lisboa é uma cidade cheia de recantos bem curiosos para conhecer, muitos deles autênticas aulas de História. Um deles é o reservatório da Mãe d’Água, cuja entrada fica no jardim das Amoreiras (perto do Rato, linha amarela do metrô) e que remonta ao século XVIII. Esse reservatório fica no final do Aqueduto das Águas Livres – considerado uma das maiores obras da engenharia hidráulica, e que resistiu ao terrível terremoto de 1755 -, que transportava água de mais de 60 nascentes e abastecia cerca de 30 fontes das capital portuguesa.

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Vista do Aqueduto das Águas Livres
© 2016 Sambando em Lisboa. All Rights Reserved

 

Atualmente, é um espaço que pode ser visitado, mas antes teve uma importante função na vida de Lisboa. Era a partir dele que se controlava a quantidade de água que saía para fábricas, conventos, fontes e casas nobres da capital. E visitando o reservatório, quase que a gente faz uma viagem no tempo. O espaço é escuro e muito fresco, naturalmente, uma vez que a água das nascentes continua a cair, em cascata, para um tanque gigante que forma um lindo espelho de água.


Esse lugar que respira História, é hoje palco de produções de moda, festas, produções fotográficas e claro, visitas de escolas ou de turistas ou mesmo de lisboetas. Eu levei muitos anos até ir lá conhecer – aliás, só ano passado visitei também o Aqueduto das Águas Livres, que tem uma vista incrível sobre a cidade de Lisboa – mas fiquei rendida ao encanto do lugar. O reservatório da Mãe d’Água tem também uma vista panorâmica sobre a cidade que vale a pena conferir.

Já o Aqueduto, que também pode ser visitado, tem associada uma história trágica: entre 1836 e 1839 foi palco de vários crimes prepertados pelo que ficou conhecido como ‘o assassino do aqueduto”, Diogo Alves. O bandido, que atirava as pessoas do cimo do aqueduto depois de as assaltar, foi apanhado em 1840 e foi um dos últimos criminosos a quem foi aplicada a pena de morte em Portugal. Durante vários anos foi proibida a passagem de pessoas no edifício, como forma de evitar mais mortes, mas a prática seria retomada até aos dias de hoje. E embora o Aqueduto já não sirva para transportar água até Lisboa, ele serve para nos dar uma verdadeira aula de História.

Por isso, se você está pensando em visitar Lisboa, junte esses dois lugares à sua lista: tanto o Aqueduto das Águas Livres quanto o Reservatório da Mãe d’Água valem muito a pena.

 

Onde fica e quanto custa?

 Reservatório da Mãe d’Água

Praça das Amoreiras

Aberto de terça-feira a Sábado, das 10h às 12h30 e das 13h30 às 17h30. Está fechado aos feriados

Bilhete: 5 euros

 

Aqueduto das Águas Livres

Calçada da Quintinha

Aberto de terça-feira a Sábado, das 10h às 17h30. Está fechado aos feriados

Bilhete: 3 euros