Morreram 64, se juntaram 25, Portugal conseguiu um milhão

Morreram 64, se juntaram 25, Portugal conseguiu um milhão

Margarida Vaqueiro Lopes

28 Junho 2017 | 13h52

No dia 16 de Junho soaram os alarmes e eles não parariam de tocar durante uma semana: Portugal viveu, durante vários dias, o incêndio mais mortífero da sua história. Morreram 64 pessoas num fogo que destruiu milhares de hectares de floresta no centro de Portugal, e centenas de vidas. Pessoas que perderam tudo – casas, carros, negócios, as memórias e o trabalho de uma vida – e pessoas que perderam a própria vida. As razões para a tragédia ter tomado essas proporções estão sendo apuradas, mas agora Portugal está apenas vivendo o rescaldo de um incêndio que levou cinco dias para ser considerado extinto.

E nesse rescaldo, o país tem respondido com uma generosidade que não deixa de surpreender. Para além das ofertas particulares que continuam a chegar de todos os lugares e às associações que mais precisam – até da comunidade de emigrantes de Bruxelas chegou um caminhão cheio de bens para doar às famílias afetadas pelo fogo – essa terça-feira (27) houve 25 artistas que conseguiram juntar mais de um milhão de euros para as vítimas do incêndio através de um incrível espetáculo conjunto.

Isso: em uma semana houve 25 artistas portugueses que montaram um show numa das salas mais emblemáticas do país, o MEO Arena, e todas as receitas do espetáculo ‘Juntos por todos’ reverteram para aqueles que perderam tudo. Rock, pop, fado…tudo passou por aquele palco e por uma sala esgotadíssima de portugueses que queria, que querem tanto ajudar.


Mais incrível ainda? Todas as televisões e estações de rádios transmitiram, em direto, o espetáculo num momento único de união nacional. Milhões de pessoas estiveram escutando ou vendo em suas casas ou no carro. Todo o mundo, unido por um único propósito: ajudar, ajudar, ajudar. Houve artistas emocionados, público emocionado, ouvintes emocionados.

Como portuguesa, devo dizer que esses dias têm sido de um orgulho imensurável: pelo que somos capazes de fazer e pela generosidade que começa, tantas vezes, em quem tem menos. Todo o mundo tem tentado contribuir com o que pode: roupa, dinheiro, tempo, comida, contatos, o que seja. E isso, queridos leitores, é algo que por mais que eu escreva, por mais que a gente fale, não tem como mostrar. Isso você sente quando vem aqui e vê como um país tão desorganizado e pequeno como esse – agente sempre se debate com problemas políticos, econômicos e sociais – sendo tão grande.

Convido-vos a dar uma olhada nas imagens desse show que, certamente, ficará na memória de todos nós durante muitos anos. Na esperança de que não seja preciso haver outro com o mesmo objetivo nunca mais! Na esperança de que essas 64 vidas que se perderam nos obriguem a ser pessoas que exijam esforços no sentido de não perdermos, sequer, mais uma.

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