Novo terremoto pode destruir Lisboa

Margarida Vaqueiro Lopes

05 Janeiro 2017 | 10h58

Os avisos têm subido de tom ao longo dos últimos meses, sobretudo depois dos sismos que abalaram as cidades italianas, no final do ano passado. Lisboa é uma zona de risco quando a gente fala de terremotos, e apesar de ter sido há praticamente três séculos, a verdade é que todo mundo deveria ter presente o que aconteceu em 1755: um sismo destruiu praticamente toda a cidade, tendo o abalo sendo seguido de um maremoto que se acredita ter provocado ondas de cerca de 20 metros. Vários incêndios deflagraram na cidade, numa época em que a maioria dos edifícios era feita de madeira. Estima-se que morreram mais de 10 mil pessoas embora, não haja, naturalmente, números exatos.

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Agora, vários especialistas avisam que se um novo sismo acontecer – e parece uma hipótese bastante possível – pelo menos um terço da cidade ficará totalmente destruída. A frase ganhou particular relevo porque foi dita essa semana por Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico, perante a Câmara Municipal de Lisboa.  “É como estar em cima de um barril de pólvora e a mecha estar a arder”, afirmou ainda.

Já no ano passado João Appleton, engenheiro especialista em reforço sísmico, avisou publicamente que a maioria dos hospitais, por exemplo, podem ser destruídos. E que acredita que um sismo da magnitude do de 1755 deverá estar para breve.


Os especialistas acreditam ainda que vários ministérios sedeados na Baixa Lisboeta e até a própria Assembleia da República correm o risco de ficar em escombros em caso de terremoto. Defendem que não está havendo qualquer cuidado com as construções e ainda menos com as recuperações de habitações que estão sendo feitas sem prevenção de sismos.

E avisam que se um terremoto intenso atingir Lisboa, os danos vão ser ainda mais graves do que há mais de 200 anos.

Em frente aos deputados Mário Lopes subiu o tom das críticas e pediu vontade política para prevenir uma catástrofe, lembrando que “a Baixa é um marco da História da Humanidade que nós próprios temos andado a destruir”, pode ler-se num trabalho publicado essa quinta-feira, 5, no jornal Público.

Portanto, caro turista, é com um aperto no coração que me vejo obrigada a pedir que registre no maior número possível de fotos a Baixa lisboeta quando visitar o País. Porque se depender dos políticos e das forças da natureza, pouco restará da cidade – ou de nós, portugueses – quando um desastre desses acontecer.

Seja como for, a Câmara Municipal quer publicar um relatório que agregue as conclusões dos especialistas que convidaram para fazer uma série de reuniões sobre risco de terremotos em Portugal, avança também o jornal Público. Vamos esperar para ver – ou para morrer.

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