O incalculável valor da segurança

Margarida Vaqueiro Lopes

15 Março 2018 | 13h51

Quando li as notícias, logo pela manhã, a primeira que me apareceu repetidamente foi a do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro. Ela, que acabara de sair de um evento as 21h, para que todas as pessoas pudessem chegar em segurança nas suas casas, acabou executada com quatro (!!!) tiros na cabeça, ao jeito de execução, dentro do carro onde seguia com o condutor.

Que a violência estava escalando no Rio, o Brasil, não é novo para ninguém. Mas que está chegando nesse nível insano em que uma das mais votadas vereadoras é morta alegadamente por ser demasiado ativa nas causas que defende…

A Portugal estão chegando cada vez mais brasileiros. Outro dia, um condutor da Uber me contava que tinha vindo do Rio com a mulher e as duas filhas adolescentes, porque não aguentava mais a pressão, o perigo, o medo de sair à rua. “O ponto máximo foi quando estava visitando um amigo que é presidente de uma empresa e entrou um cara armado no escritório dele…não deu para aguentar mais”, revelou durante a nossa conversa. Perguntei de que ele mais gostava em Portugal e ele nem hesitou: “poder deixar minhas filhas em casa sabendo que as vou encontrar vivas quando regressar. E não andar sempre olhar por cima do ombro”.

A segurança é uma das mais valiosas vantagens que tem esse país: apesar das crises econômicas, apesar da falta de boa disposição que os portugueses teimam em ter, apesar de sermos um país pequeno e até pouco ambicioso, a verdade é que viver sem medos é de um valor imensurável. A gente até pode temer protestar porque os ânimos se exaltam e pode haver alguma violência e claro que há lugares e horas em que é mais ou menos seguro caminhar sozinho pelas ruas. A gente tem cuidado quando chega em casa tarde, não deixa a bolsa solta numa cadeira do restaurante (e até pode deixar), e tenta evitar zonas mais problemáticas por defeito. Mas medo de morrer? Porque vem uma bala perdida, porque defendemos algo, porque simplesmente existimos e, como tal, podemos deixar de o fazer…? O nível insano a que isso está chegando exige uma resposta não só dos cidadãos brasileiros mas de toda a comunidade internacional. A gente não pode calar perante esse escândalo. O Brasil merece melhor: melhores políticos, melhor justiça, melhores responsáveis, melhores autoridades. Que a morte de Marielle nos sirva de exemplo para lutas futuras: e que como ela, saibamos não ter medo de lutar pelo que é preciso. Que mesmo ao longe, consigamos lutar por vocês!

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