O palácio construído com o ouro do Brasil

Margarida Vaqueiro Lopes

02 Agosto 2016 | 16h10

Quem nunca leu – ou pelo menos ouviu falar – do Memorial do Convento que atire a primeira pedra! A obra de José Saramago – vencedor de um Nobel da Literatura – fala de um dos mais imponentes edifícios de Portugal, o Palácio Nacional de Mafra, que no próximo ano de 2017 celebra o terceiro centenário da colocação da primeira pedra.

O lugar é vulgarmente conhecido como Convento de Mafra, porque na verdade começou por ser contruído para acolher 13 monges da Ordem de São Francisco. Ao longo dos anos foi crescendo, cada vez mais imponente, foi morada de reis e rainhas (cada um tinha um palácio numa ala diferente) e atualmente é não só um dos edifícios mais bonitos do país como é também lá que pode encontrar um dos maiores carrilhões históricos do mundo – são 98 sinos afinados entre si! Os dois conjuntos de sinos foram contruídos na Bélgica: o da torre norte em Liége e o da torre sul em Antuérpia, durante o reinado de D. João V (1706-1750), tal como o próprio edifício do Palácio.

A cerca de 30 minutos de Lisboa, vale tanto a visita quando o Mosteiro dos Jerónimos, por exemplo. A linda basílica que fica bem no centro do edifício foi desenhada por João Frederico Ludovici em estilo barroco italiano, e tem 58 metros de comprimento. No topo do edifício está a primeira cúpula construída em Portugal, com um diâmetro de 13 metros – imagine isso tudo sendo construído em pleno século XVIII, sem recurso à maquinaria de que hoje a gente dispõe.

Em redor do edifício, é possível encontrar o Jardim do Cerco, onde os monges franciscanos passeavam e se distraíam. Hoje, é muitas vezes o cenário escolhido para fotografias pelos noivos que casam na basílica do Palácio. Ao todo, o edifício conta com 1200 cômodos, quase 5000 portas e janelas e mais de 100 escadarias.  Tudo foi construído com pedras da região de Mafra e a visita a espaços como o Refeitório dos Monges ou a sala do Capítulo são verdadeiras aulas de História e Arquitetura.


Por que é que tudo isso é ainda mais interessante para os visitantes vindos desse lado do Atlântico? Bom, temos que confessar…é que a construção do edifício foi possível devido ao ouro do Brasil. Consta que, durante o reinado de D. João V chegaram a Portugal, em média, 8 toneladas por ano.

É certo que a gente agora não pode devolver o ouro – nem podemos pedir desculpa pelos atos dos nossos governantes tão antigos. Mas posso deixar o convite para, ao menos, virem ver onde parte dele foi gasto.

O edifício pode ser visitado todos os dias excepto terça-feira. O ingresso para a visita integral – convento, paço real e basílica – custa 6 euros. Se estiver em Lisboa, o melhor será ou alugar um carro para chegar até lá. Os ônibus são demorados e têm pouca frequência de horário.

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