Outono [demasiado] quente em Portugal

Margarida Vaqueiro Lopes

13 Outubro 2015 | 11h52

Esse ano o Verão terminou, em Portugal, ainda em Agosto. Mas na verdade o Outono está sendo bem quente aqui desse lado do Atlântico. Como já saberão, a gente teve eleições legislativas no passado dia 4 de Outubro. No entanto, ainda não há governo formado nem há primeiro-ministro à vista.

Pela primeira vez em muitos anos, Portugal está numa situação meio que de limbo, de que eu já falei nesse texto aqui. O problema é que não está havendo solução para o problema – passo o pleonasmo.

António Costa, o grande derrotado eleitoral, está fazendo um jogo perigoso, tentando formar governo tanto com a esquerda – com os partidos comunista e o Bloco de Esquerda (extrema-esquerda) – como com a direita (com a coalização vencedora, que integra os partidos de extrema e centro direita). O bluff é perigoso para o líder do Partido Socialista (PS) – que parece estar desesperado para chegar no poder – mas também é perigoso para Portugal, que ainda está se reerguendo depois de tantos anos de crise.

Causalidade ou não, certo é que essa segunda-feira, dia 12, quando houve sinais de que poderia haver, pela primeira vez em Portugal, um governo formado por PS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português os mercados enlouqueceram: os bancos começaram a afundar em bolsa; os juros sobre a dívida nacional dispararam e Portugal inteiro está de olhos postos nas consecutivas reuniões entre líderes partidários.


Nota: E claro, no entretanto Bruxelas finge que não sabe o que se passa em Portugal e pede que o governo (que não existe) entregue um Orçamento do Estado provisório para 2016 até dia 15 de Outubro. Ou seja, até depois de amanhã. Vamos ver como tudo isso acaba. Uma coisa é certa: essa semana já fez história nos últimos 41 anos de democracia nacional.